Brasil não tem jogadores entre os maiores artilheiros da Europa. E daí?



Seleção comemora vitória contra o Paraguai, carimbando passaporte para a Rússia (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Seleção comemora vitória sobre o Paraguai na Arena Corinthians (Foto: Nelson Almeida/AFP)

Restando quatro rodadas para o encerramento das Eliminatórias Sul-Americanas para a Copa do Mundo de 2018, o Brasil foi o primeiro país a garantir classificação na Rússia, além do anfitrião. Isso acontece no momento em que nenhum brasileiro aparece entre os maiores artilheiros das principais ligas europeias. Uma prova de que o futebol tupiniquim, finalmente, pode estar mudando de estágio.

Há quase dez meses, sob o comando de Dunga, esse feito parecia improvável, até mesmo a geração de jogadores foi colocada em xeque. A base da teoria não é vazia, com exceção de Neymar, poucos são aqueles que se colocam em posição de protagonismo. Embora se destaquem em suas equipes, não chegam a ser as principais estrelas, como antes tínhamos em abundância.

Para o brasileiro acostumado a ver craques nascendo, crescendo e brilhando, ser bom não basta, precisa ser Ronaldo, Ronaldinho e Romário. Entendo que seja difícil aceitar, mas não os temos e não teremos mais, temos só Neymar, que ainda chegará a esse nível. No entanto, isso não importa, desde que deixemos de pensar em peças e passemos a pensar em time. É clichê, mas uma andorinha não faz verão. Um Neymar não vence Copa do Mundo, mas um time com Neymar sim.

Esse pensamento não é exclusivo do torcedor comum, muitos técnicos e muitos ‘especialistas’ ainda não conseguem lidar com a presença ou com a ausência de uma estrela. Se não houver um time, não adianta ter um, dois, ou três craques, as coisas não vão funcionar. A seleção argentina passa exatamente por essa crise de conjunto, uma geração recheada de protagonistas, sobretudo Messi, e não consegue ter um time. Entre os 20 maiores artilheiros desta temporada europeia, quatro são argentinos (Messi, Aguero, Higuaín e Icardi), mas de nada adianta se eles só brilham individualmente.

Algo parecido ocorre com a seleção uruguaia, em situação muito menos delicada que os hermanos. Cavani e Suárez também estão entre os 20 maiores artilheiros das principais ligas europeias, mas sozinhos não vão conseguir sucesso. São craques que carregam um time e não um time que carrega craques.

Com Tite, o brasileiro parece estar aprendendo a valorizar o conjunto e não as peças individuais. É claro que os resultados ajudam a digerir as novas ideias, mas o importante é que elas estejam sendo conhecidas, isso faz com que todos os envolvidos no futebol passem para um novo estágio da compreensão do jogo, como ter a noção de que os craques só serão craques se tiverem um time para brilhar. Casemiro e Marcelo são grandes jogadores, dos melhores do mundo em suas posições, talvez Cristiano Ronaldo seja mais do que eles, porém é improvável que CR7 brilhasse tanto se não fosse a luxuosa contribuição da dupla brasileira. Se a estrela maior não estiver, obviamente fará enorme falta, entretanto ainda haverá uma equipe.

O caminho para a Copa do Mundo está pavimentado de boas perspectivas, graças a Tite, principalmente, mas também a Neymar, a Paulinho, a Renato Augusto, a Miranda, a Coutinho… A Seleção Brasileira voltou a ser um time, um time recheado de talentos, sejam eles como protagonistas ou coadjuvantes. Pode ser absurdo falar, mas talvez a conquista do hexa seja menos importante do que essa evolução de pensamento.

Top20 Artilheiros entre as principais ligas da Europa - 2016/2017

Top20 Artilheiros entre as principais ligas da Europa – 2016/2017



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