Grandes do Paulistão provam o óbvio: o individual interfere no coletivo e vice-versa



Favorito, mas mal coletivamente, Palmeiras não pôde fazer o individual bater o coletivo do Corinthians (Foto: Gil Guzzo/Ofotográfico)

Mais uma rodada do Paulistão-2019 terminou para os quatro grandes da competição e não foi uma jornada qualquer, pelo contrário. Com um clássico, considerado por muitos o maior do país, uma vitória providencial e uma goleada vexaminosa, os clubes mais tradicionais do estado provaram o óbvio: o individual interfere no coletivo e o coletivo interfere no individual. A caixinha de surpresa do campeonato está aberta e parece que não poupará os principais concorrentes ao título.

A 5ª Rodada do estadual paulista começou com o clássico entre Palmeiras e Corinthians, no Allianz Parque. Parecia bem nítido que o favoritismo era todo dos donos da casa, apesar do histórico recente contra Fábio Carille. Só que o técnico do Timão mostrou mais uma vez que tem a receita para parar o maior rival, seja lá qual for o tamanho da vantagem adversária.

Visivelmente mais preparados em todos os sentidos, principalmente no psicológico, os corintianos ganharam o controle do jogo desde os primeiros minutos, batalhando por uma bola, que veio logo no início com o gol de Danilo Avelar. Mesmo em inferioridade técnica, o coletivo do Corinthians funcionou perfeitamente e forçou os palmeirenses a tomarem as atitudes que beneficiaram os visitantes. Não deu para identificar o melhor alvinegro em campo, a força do grupo fez a diferença.

O Palmeiras, por sua vez, se mostrou pilhado desde os primeiros minutos, entrando no jogo do adversário. Mas se havia uma agitação para discutir, faltou ação para impor a qualidade técnica do melhor elenco do país. Um time apático, pouco inspirado e com um preparo físico que parece longe do ideal, não deu espaço para que individualidades como a de Dudu pudesse fazer algo diferente para empatar ou virar a partida. Era o coletivo, em um péssimo dia, agindo contra o individual.

Já o São Paulo, no Pacaembu, vinha de duas derrotas bastante traumáticas: contra o Santos, em que foi atropelado, e diante do Guarani. em que não teve inspiração para furar a retranca em quase 90 minutos. Com um time praticamente inteiro de reservas, o único titular foi aquele que fez a diferença: Hernanes. Em um jogo de baixíssimo nível técnico contra o São Bento, o Tricolor parecia incapaz, novamente, de vazar uma defesa.

No entanto, se o coletivo não funcionava, era chegada a hora do individual chamar a responsabilidade e fazer o ‘algo a mais’. Foi aí que apareceu o Profeta para tirar ‘um coelho da cartola’. O meio-campista ambidestro, ajeitou para o pé esquerdo e acertou um belo chute sem chances para Henal, o goleiro adversário. O balançar da rede foi um alívio para os são-paulinos, que conquistaram uma vitória rejuvenescedora para enfrentar o Talleres, pela Copa Libertadores, na próxima quarta-feira.

Apesar da importância das passagens acima, nenhuma delas foi mais surpreendente do que a goleada que o Santos levou do Ituano, fora de casa. O placar de 5 a 1 foi elástico, mas poderia ter sido ainda mais contra um Peixe irreconhecível, que provoca dificuldade na análise do que saiu errado. A volta de Pituca? A formação sem os três zagueiros? A intensidade menor? Ou a falta de individualidades para qualificar o coletivo?

Não parece que tenha havido uma mudança enorme na estratégia de Sampaoli, que foi prejudicada por vacilos individuais que contaminaram a atenção coletiva. Erros na saída de bola como o de Copete, improvisado na lateral esquerda, o desgaste dos principais atletas, que não têm substitutos em um elenco limitado, as falhas de Felipe Aguilar, que chegou e já jogou, a falta de jogadores para o setor ofensivo… Todos esses são fatores individuais que o coletivo não conseguiu esconder, e na primeira bobeada, evidenciou tudo em ‘efeito dominó’. Isso mostra o trabalho enorme que treinador argentino vem fazendo no Santos.

Evidentemente que após cinco rodadas e praticamente um mês de trabalho, é impossível tirar qualquer conclusão. Analisar os quatro grandes apenas pelo resultado é algo extremamente descabido. Mas já ficou destacado que cada um dos quatro grandes tem seu ponto fraco, apesar das qualidades que, na maioria das vezes, acabam fazendo a diferença. Todos estão sujeitos aos caprichos do futebol e pelo menos nessa 5ª Rodada do Paulistão eles tiveram a prova de que individual e coletivo têm uma relação íntima, decisiva para o que mostra o placar.



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