O fracasso do Palmeiras, a queda de Cuca, o revanchismo e a criminalização dos gastos



Cuca deixou o Palmeiras após trabalho abaixo do esperado em sua segunda passagem pelo clube (Foto: Flickr Palmeiras)

Cuca deixou o Palmeiras após trabalho abaixo do esperado em sua segunda passagem pelo clube (Foto: Flickr Palmeiras)

O ano do Palmeiras, assim como o de Cuca, foi inversamente proporcional às expectativas criadas no início da temporada. Esse fato só pode ser negado por quem possui um grave desvio de caráter, mas foram muito poucos aqueles que se arriscaram a dizer o contrário, mérito, principalmente, dos responsáveis pela cobertura diária do clube.

Embora tenha havido certo exagero com a avaliação inicial de algumas contratações para 2017, os setoristas sempre deixaram claro que a troca de treinador, a falta de reforços para posições carentes como as laterais e a queda de rendimento de alguns jogadores essenciais, poderiam levar o favoritismo do time ao fracasso. Nunca houve a tentativa de iludir o torcedor, como acontece em outro clube do estado de São Paulo.

Se as eliminações e os fracassos palmeirenses ao longo do ano já eram cenários propícios para os aproveitadores de plantão, a saída de Cuca foi a gota d’água para que os especialistas com intenções duvidosas pudessem colocar os seus discursos na esfera pública. Mas o diagnóstico desse comportamento está mais para recalque do que para ódio.

Pode parecer incrível, mas tais analistas tentaram desmerecer o trabalho de Cuca no Brasileirão-2016, quando foi campeão com sobras. Alguns disseram que uma mentira não se sustenta, questionando a competência do treinador, outros afirmaram que os resultados mascararam o trabalho ruim. Tão ruim que foi responsável pelo melhor segundo turno da história dos pontos corridos.

É impossível dizer que o Palmeiras jogava um futebol vistoso, mas jogava bem o suficiente para não ser batido. Até o momento, pelo que sabemos, o campeonato é decidido por pontos, não pela beleza apresentada. Por mais difícil que isso possa parecer, esses ferozes e isentos analistas não se conformaram até hoje com a conquista de Cuca. Talvez por um revanchismo pessoal, ou por torcerem por clubes que brigaram – e não conseguiram – pelo título brasileiro de 2016.

Outro assunto que os aproveitadores de plantão adoram tocar para falar do Verdão é o dos gastos com reforços. Definitivamente alguns jogadores não deram certo e alguns valores não correspondem com o que alguns deles representam no futebol. No entanto é vexatória a tentativa de criminalizar a capacidade financeira de um clube. Como podemos querer um futebol melhor no Brasil, se alguns acham errado uma equipe ter dinheiro para contratar jogadores?

Não é difícil ver comentários com os valores gastos com Deyverson e Borja após tropeços e eliminações do Palmeiras. Parece até que o certo é fazer dívidas, não pagar salários e basear as conquistas em sorte. Na Europa, tão exaltada pelo profissionalismo e pela gestão dos clubes, é muito comum que se gaste grandes cifras e os resultados não aparecerem, ou alguns atletas não corresponderem.

A filosofia tem como objetivo pensar gigante, como todos deveriam pensar. Embora o planejamento tenha sido um desastre e o ano de 2017 tenha praticamente sido jogado no lixo, o caminho do Palmeiras parece bem traçado para muitos anos. Evidente que as conquistas são essenciais para a manutenção do pensamento, mas o trabalho não pode ser interrompido ou desmerecido por uma temporada sem títulos.

A análise de alguns membros da imprensa esportiva é que talvez precise ser aperfeiçoada, no momento, ao que parece, ela tem sido baseada em interesses pessoais, como clubismo, revanchismo, recalque e até inveja. Dessa forma, fica complicado querer melhorar o nível de nosso futebol.



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