Fair play financeiro? Palmeiras domina arrecadação do Brasileirão-2018



Palmeiras lidera ranking de renda bruta e de renda líquida na Série A e tem boa vantagem para os rivais (Foto: Cesar Greco/Palmeiras)

Na última semana o presidente do Atlético-MG, Sérgio Sette Câmara, pediu um controle sobre o poderio econômico do Palmeiras, que tem levado muita vantagem em cima dos rivais no mercado da bola. O mandatário citou como solução o fair play financeiro, mostrando desconhecimento do conceito do termo e de dados que permitissem a restrição. Fato é que o Verdão solidifica sua dianteira na arrecadação com bilheteria, como aconteceu no Brasileirão-2018, em que dominou os rankings de renda líquida e renda bruta. (confira na galeria abaixo)

Em 19 partidas como mandante na competição, quatro no Pacaembu e 15 no Allianz Parque, ao todo, arrecadou quase R$ 37,2 milhões, líder absoluto no quesito, praticamente R$ 12 milhões a mais do que o segundo e o terceiro na lista: Corinthians (R$ 25,4 milhões) e Flamengo (R$ 25,3 milhões). A diferença para o Galo, cujo presidente levantou a bandeira do fair play financeiro, é ainda maior: R$ 31,5 milhões, valor suficiente para levar vantagem em contratações.

São Paulo, Internacional e Grêmio são os outros clubes que figuram nas primeiras posições do ranking de arrecadação no campeonato. Chama a atenção, porém, a presença do Ceará na sétima colocação da lista, com R$ 9,2 milhões de renda bruta em suas partidas em casa. Esse valor coloca os cearenses à frente de Cruzeiro, Atlético-MG, Atlético-PR, Santos, Fluminense e Vasco. A fidelidade da torcida, ingressos baratos e boa média de público, principalmente em jogos contra gigantes, engordaram os cofres do clube.

América-MG, Vitória, Paraná e Botafogo ocupam o Z4 no quesito renda bruta. O Coelho arrecadou cerca de R$ 1,1 milhão, quantia muito baixa, que deixa o clube longe da competição com os demais, bem como o Rubro-Negro baiano, com R$ 1,8 milhão. Os paranaenses acumularam R$ 2,7 milhões. O valor seria maior se somássemos o mando de campo vendido para a cidade de Londrina (R$ 1,9 milhão), no entanto o blog opta por não considerar esses valores, assim como nos casos do Vasco (duas vezes: R$ 4,7 milhões) e do Fluminense (uma vez: R$ 3,2 milhões), que mandaram jogos no Mané Garrincha, em Brasília.

Esse montante, porém, não vai direto para os cofres do clube, uma vez que parte disso tem como destino o pagamento das despesas relacionadas à realização das partidas. Em outras palavras, desconta-se os custos da arrecadação para identificar a renda líquida de cada jogo em casa. E, nesse quesito, mais uma vez, o Palmeiras tem boa vantagem em comparação com a concorrência.

O Alviverde lucrou R$ 23,7 milhões em 19 rodadas, quase R$ 1,25 milhão por partida, valor que supera o faturamento líquido total do Santos (R$ 1,07 milhão), e do Vitória (R$ 518 mil), além daqueles que acumularam prejuízo, como Vasco, América-MG, Botafogo e Fluminense. Na segunda posição está o São Paulo, com lucro de R$ 16,5 milhões, e na terceira está o Corinthians, com R$ 16 milhões de resultado positivo.

A renda líquida do Timão, porém, não vai para os cofres do clube, mas sim para um fundo que administra as contas do estádio, assim como os valores obtidos com a exploração de outras propriedades, como cadeiras, camarotes e eventos. Diferentemente do que acontece com Verdão e Tricolor paulista, que podem usufruir do que é obtido com a bilheteria dos jogos.

Já a comparação do lucro palmeirense com o lucro do Atlético-MG dá mais um argumento desmontando a fala do mandatário do clube mineiro. Os paulistas lucraram quase seis vezes mais do que o Galo, a diferença é abissal, claro que isso acontece também pelas Arenas utilizadas. O Independência não se compara com o Allianz Parque em qualquer um dos termos possíveis, algo que deveria ter passado pela cabeça do presidente, quando lamentou ter perdido reforços para o Verdão.

O leitor deve ter notado a ausência do Flamengo desde que se começou a falar de renda líquida, já que no ranking de renda bruta o clube carioca é o terceiro colocado com mais de R$ 25 milhões. O problema é que as despesas dos jogos no Maracanã são altíssimas e ‘comem’ grande parte da arrecadação do mandante. No Brasileirão, o Rubro-Negro ficou com apenas 13,35% do faturamento total, o que significa lucro de pouco menos de R$ 3,4 milhões, quase sete vezes menor do que o do Palmeiras.

No Brasileirão, o clube que fica com a maior porcentagem de lucro com bilheteria em seus jogos como mandante é o Grêmio, com 80,38%, ou seja, as despesas são menores do que as dos concorrentes, como o Palmeiras, que fica com 63,87%. A diferença, no entanto, fica por conta do preço médio do ingresso: R$ 34,16 dos gaúchos contra R$ 60,49 dos paulistas, além de, é claro, da quantidade de público pagante: 423.029 do Tricolor contra 614.776 do Alviverde.

Resumindo a história, não dá para analisar o sucesso financeiro de um clube somente pelo fato de ter um patrocínio forte. É preciso analisar todo o contexto, como esses números de bilheteria citados acima, que mostram uma disparidade absurda, inclusive em relação àqueles que brigam com o Palmeiras pelo topo do poderio econômico. Querer limitar o crescimento do outro é um caminho mais fácil para encobrir incapacidade, mas que cobra seu preço. Reconhecer a superioridade do seu rival, por outro lado, seria uma maneira mais eficaz de buscar sucesso semelhante no futuro. Se mesmo jornalistas proferem esse tipo de absurdo, como é que vamos cobrar de dirigentes?

Confira na galeria abaixo os números apresentados no texto acima:

 

Obs.: Os dados apresentados acima foram levantados com base nos borderôs divulgados pelo site da CBF.



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