Era uma vez o São Paulo de Ceni, um conto infantil que convence alguns adultos



No comando do São Paulo, Rogério Ceni está em sua primeira temporada como treinador de futebol (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

No São Paulo, Rogério Ceni está em seu primeiro ano como treinador de futebol (Foto: Rubens Chiri/saopaulofc.net)

Na derrota para o Atlético-PR, por 1 a 0, o São Paulo trocou 500 passes certos contra 210 da equipe adversária. Além disso, teve 66% de posse de bola, ou seja, teve o controle da partida, mas passou longe de controlar o placar. Muito porque os erros de finalização impediram que a rede de Wéverton fosse balançada. Basta saber que o Tricolor finalizou 27 vezes e acertou apenas cinco no gol.

Estatísticas - Atlético-PR 1 x 0 São Paulo - Brasileirão-2017 (Fonte: Footstats)

Estatísticas – Atlético-PR 1 x 0 São Paulo – Brasileirão-2017 (Fonte: Footstats)

Essas estatísticas de finalizações erradas e de passes certos foram recordes da equipe na competição até aqui, mas não podem ser consideradas exceções, pois essa posse de bola improdutiva e essa ineficiência nas conclusões apenas resumem o que se tornou o time de Rogério Ceni, em processo claro de involução.

As constantes transferências e movimentações de mercado contribuem e muito para que não exista uma identidade, tampouco um padrão de jogo, embora o treinador pareça gostar das variações. Também é muito evidente que, conforme o nível de dificuldade dos adversários aumentou, o São Paulo começou a degringolar, ou melhor, cair na real.

No começo, era um time que sofria muitos gols, mas marcava outros tantos. Essa era a desculpa perfeita de quem não queria enxergar os problemas, que já existiam. Chegou o momento em que os gols não saíram mais e a defesa ficou exposta. A desculpa, dessa vez, passou a ser a dos erros individuais, “detalhes” que impedem vitórias iminentes, mas só para os olhos mais apaixonados – por Ceni e pelo clube.

Ataque e Defesa do São Paulo contra diferentes níveis de adversários

Ataque e Defesa do São Paulo contra diferentes níveis de adversários

Hoje, depois de inúmeras trocas de peças, de mudanças na estrutura da equipe e do aumento do nível de dificuldade, os erros continuam acontecendo e continuam sendo classificados somente como individuais. Importante notar que o problema nunca é dos inúmeros esquemas e de quem os escolhe, mas sim dos jogadores, que também são escolhidos pelo treinador.

Poxa vida… O esquema é trocado, os jogadores são trocados, os adversários mudam, mas só o treinador não é culpado? Qual é o único fator constante nessa história? Pois é… Mas parte justamente de Ceni essa análise seletiva. Ele ainda continua se apoiando em números que não dizem nada e em avaliações fora da realidade à respeito do desempenho de sua equipe dentro de campo.

O São Paulo é sim o time com mais posse de bola no Brasileirão, mas tem o segundo maior índice de finalizações erradas da competição. Os jogadores erram 70,5% dos chutes que arriscam para o gol, pior do que isso só o Avaí, pior ataque do campeonato e com 72,4% de erro nas finalizações.

Pontaria do São Paulo em cada partida do Brasileirão-2017 (Fonte: Footstats)

Pontaria do São Paulo em cada partida do Brasileirão-2017 (Fonte: Footstats)

Esse baixo índice de acerto foi visto também contra o Fluminense. Dos 15 chutes para o gol, apenas três atingiram o alvo e um balançou a rede. Em outras palavras, precisou finalizar cinco vezes para acertar uma. O empate colocou o Tricolor como o quarto pior aproveitamento entre os clubes da Série A em 2017. À`frente de Avaí, Atlético-PR e Atlético-GO. Muito disso por conta do desempenho dentro de casa, também o quarto pior do ano entre os clubes da primeira divisão nacional. (Veja os rankings na galeria abaixo)

Fato é que ainda não consegui ver uma boa atuação do São Paulo no Brasileirão. Nem mesmo as vitórias sobre o Avaí, o Palmeiras e o Vitória (todas elas em casa) encheram os olhos. Vale lembrar da fragilidade dos catarinenses, do pênalti perdido pelo Verdão quando o placar ainda apontava 1 a 0 e das defesas de Renan Ribeiro contra a equipe baiana.

Embora a performance contra o Furacão tenha sido bem avaliada por alguns analistas, vejo com bastante preocupação a falta de repertório e de poder de decisão dos são-paulinos, mesmo que Pratto, o melhor jogador do time na temporada, se multiplique para tentar mudar o cenário. Contra o Flu, apesar de largar na frente no placar, novamente dependeu de Renan Ribeiro para levar um ponto para a conta.

Enquanto os olhos forem fechados para a realidade e a blindagem de Ceni continuar intacta, será muito difícil perceber qualquer evolução, principalmente se o vaivém de jogadores não cessar.

Confira os rankings na galeria abaixo:



  • luiz felipe

    Ceni está perdido no cargo, nada pra lá e pra cá sem encontrar um ponto de equilíbrio. Por que buscar tantas variações se não temos um único esquema de referencia que funcione bem? Foi um erro infantil contratá-lo, era esperado que ele sofresse com a inexperiência. Espero pelo menos que a diretoria tenha a coragem de admitir o erro, caso contrário a cegueira e o fanatismo vão fazer com que o SP morra abraçado com o ídolo.

  • Alberto Henrique Bonassa

    Diretoria fraca, ninguém é oposição de ninguém, não tomam atitude, jogadores que só veem o clube como vitrine para vendas ao exterior, técnico inexperiente, tudo colabora para o que estar por vir, segunda divisão e um fiasco histórico, não se iluda o torcedor, não aconteceram mudanças, com tantas vendas a cada janela, o time não se reestrutura. Visão dos dirigentes, é “vitrine” para vendas e mais nada, e ainda se orgulham disso, um ano já perdido, sem previsão de melhorias, infelizmente para o torcedor são paulino, que não sabe o que é títulos e um time que sabe e tem vontade de vencer.

  • gordonfight

    Rogerio Ceni comete erros sim , mas vejo que boa parte das criticas são feitas por antipatia a pessoa o SPFC vai sair dessa fase e ae os mesmos que criticam vão começar a babar ovo , é uma midia hipocrita , vivem criticando que os tecnicos não tem tempo nem respaldo dos dirigentes , mas como não gostam de A , B ou C ….torcem pelo fracasso e pedem a cabeça de quem não agrada isso para mim parece muito mais perseguição do que jornalismo esportivo , deixem o cara trabalhar

  • mateus

    começa a reerguer amanha contra o urubu

  • JARARACA VERDE

    Os problemas:
    1- Técnico estagiário.
    2- Time mediano.
    3- Contratando medianos (trocando 6 por meia-dúzia) e que vai demorar a entrosar e adaptar.
    4- Diretoria amadora e com mentalidade de time pequeno. Faz tempo que não ganham nada e só pensam em vender, vender, vender. E o pior, as altas dívidas sempre continuam lá.
    5- Quarta força em SP, pouco acima da Ponte Preta. Aliás, veremos no final do BR as posições…e não tenho certeza que ficarão a frente a Ponte Preta e Chapecoense. A nível nacional, estão bem atrás de uma dezena de times.
    6- Clube vive de passado, está em fraca decadência, mas continuam com a arrogância e achando que são soberanos.

MaisRecentes

No Brasileirão, Corinthians se dá melhor quando não tem vantagem na posse de bola



Continue Lendo

Aproveitamento do Corinthians na temporada 2017 seria Top 10 na elite da Europa



Continue Lendo

Corinthians é o time que menos (e melhor) utiliza jogadores no Brasileirão-2017



Continue Lendo