Tabus da gestão do futebol brasileiro



Todo fim de ano as pessoas aproveitam essa época de transição para refletir e pensar em melhorar no ano seguinte. O futebol brasileiro deveria fazer o mesmo.

Minha última coluna de 2016 procura refletir sobre os tabus que assombram a gestão do futebol brasileiro, limitando seu crescimento e desenvolvimento.

Boa parte dos problemas do futebol brasileiro residem no baixo grau de profissionalização da gestão dos clubes e de seu ambiente de negócios.

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Esses são os tabus de precisamos quebrar para evoluir:

Modelo político exaurido

Os clubes brasileiros movimentam mais de R$ 4 bilhões por ano e são administrados há décadas da mesma maneira.

Somente a profissionalização total da gestão, transformando sua estrutura jurídica em empresas, alterará esse cenário. Executivos no lugar de abnegados.

Atualmente os clubes brasileiros tem orçamentos de R$ 300 milhões, até R$ 400 milhões por ano e não podem ficar à mercê das vontades de um presidente e conselho deliberativo despreparados.

Controle financeiro e punições esportivas

Infelizmente no Brasil as coisas acontecem de maneira errada. Por conta das sucessivas decisões de competições no tapetão e tentativas de virada da mesa, um conceito fundamental ficou renegado ao segundo plano.

No mundo civilizado os times são punidos desportivamente por má gestão. Esse tabu é sem dúvida fundamental que seja quebrado.

A regulação do ambiente por uma Liga ou qualquer entidade deve sim considerar punição como rebaixamento, proibição de contratação de atletas e exclusão das competições, caso seja comprovado a má gestão do clube e falta de controle orçamentário.

Uma liga para chamar de sua

O futebol brasileiro precisa de uma liga profissional que represente os interesses dos maiores clubes brasileiros, especialmente das Séries A e B.

Esses 40 clubes são o PIB do futebol, sendo os 20 maiores responsáveis por mais de 80% do total de receitas.

A divisão mais igualitária dos direitos de TV, segurança nos estádios, calendário, doping, arbitragem, justiça desportiva, e tantos mais temas fundamentais, seriam discutidos pelos clubes na Liga. CBF ficaria cuidando apenas da seleção brasileira e de divisões menores.

Com R$ 227 milhões em caixa a CBF precisa distribuir os recursos para os clubes das Séries C e D.

Marketing dos clubes precisa mudar

Os departamentos de marketing dos clubes brasileiros têm que ir muito além da venda de patrocínios e licenciamentos.

O que os clubes fazem hoje é a era da pedra lascada do marketing esportivo moderno.

O marketing dos clubes tem que transformar sua marca em uma verdadeira plataforma de negócios e entretenimento.

O foco é diversificar o modelo mercadológico, usufruindo do enorme potencial comercial dos projetos criados entre as empresas, o torcedor e o clube.

Essa mudança transformará nossos clubes, com uma satisfação alta do cliente final, o torcedor e também gerando retorno para os patrocinadores.

Globalização do futebol brasileiro já!

Um dos maiores tabus do futebol brasileiro é o tema globalização das marcas dos times.

Em um mundo 100% global e interligado pelo mundo digital, tudo é muito rápido.

Os gigantes europeus já se posicionaram e os clubes brasileiros são insignificantes globalmente. Atualmente os clubes estão olhando apenas para o mercado doméstico.

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FCB

Essa falta de atitude está fazendo com que percam a chance de serem lembrados no futuro. Barcelona já vende mais camisas no Brasil que um bom número dos clubes brasileiros.

O time catalão tem marcas patrocinadoras aqui no Brasil, e mais fãs que os clubes nacionais nas redes sociais.

Se os clubes brasileiros não fizerem algo, a cada ano, o Brasil de país do futebol pode se transformar em uma Tailândia ou Indonésia.



  • Kleberson CG

    Comparando a gestão do flamengo com a do palmeiras qual é a melhor ?

  • Sergio Belini

    Muita coisa os lubes tentam fazer e a legislacao nao permite, ha que se mudar muita coisa na legislação tbm, eu por exempo gostria de ter ações do meu clube do coração e estou certo que todo presidente de clube gostaria de captar recursos dessa forma tbm, mas a legislação nao permite

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