Surfe brasileiro em seu devido lugar



Minha coluna para o Lance! – 21/12/2015

O título de 2015 da World Surf League (WSL) conquistado pelo brasileiro Adriano de Souza e sua inédita vitória no Pipe Master do Havaí consolidou uma tendência do Brasil no topo do mundo do surfe mundial. Em 2014 Gabriel Medina havia conquistado o primeiro título da história por um brasileiro.

Os ótimos resultados não são casos isolados. O Brasil tem quatro nomes entre os Top 10 da modalidade. O primeiro é Adriano de Souza, Gabriel Medina é o terceiro, Filipe Toledo o quarto e Ítalo Ferreira o sétimo do mundo. Todos jovens com enorme potencial.

O Brasil tem outros surfistas muito promissores como Caio Ibelli, Wiggolly Dantas, Jadson André, Alex Ribeiro, Miguel Pupo, Alejo Muniz e Samuel Pupo. Assim a chance de mais brasileiros campeões nos próximos anos é alta.

O surfe no Brasil sempre foi um gigante em vendas, um dos maiores mercados do mundo com faturamento anual de US$ 4 bilhões. O mercado global movimenta mais de US$ 22 bilhões segundo dados do diretor editorial da revista Hardcore Adriano Vasconcelos. O mercado brasileiro de surfe é muito mais representativo para o mundo que o nosso futebol. Enquanto no surfe somos o quarto principal mercado, no futebol não passamos da sétima posição.

A força do surfe no Brasil além do bom número de surfistas é o interesse das pessoas por surfwear e moda ligada à modalidade. Segundo dados da Quiksilver 90% do mercado consumidor brasileiro é formado por simpatizantes e não por pessoas que efetivamente praticam o esporte.

Portanto já temos um mercado consumidor consolidado, somente faltava grandes ídolos para impulsionar o esporte. Hoje os surfistas brasileiros não são apenas adorados pelos torcedores no Brasil, mas em todas as partes do planeta. O circuito da WSL é uma das competições mais globais da atualidade.

30 mil pessoas na Oi Rio Pro na Barra De Tijuca, em 2015, recorde na WSL.

30 mil pessoas na Oi Rio Pro na Barra De Tijuca, em 2015, recorde na WSL.

A modalidade vive um momento histórico no Brasil e precisa pensar no futuro. Tivemos o caso do Guga, o grande ídolo que impulsionou o tênis, mas que por falta de projetos consistentes não mudou o esporte no país.

No caso do surfe pode e deve ser diferente, já que temos uma indústria muito bem desenvolvida. Cada vez mais marcas se interessam em investir no esporte, por meio de patrocínios a atletas, competições e transmissão de eventos.

A questão é saber como construir um futuro com a modalidade como grande paixão nacional, tanto pelos novos praticantes, mas principalmente por simpatizantes.

Os ídolos e projetos estruturantes para a modalidade são o caminho para que o surfe produza resultados ainda mais expressivos, especialmente do ponto de vista de marketing, direitos de transmissão e vendas.

Precisamos aproveitar literalmente a onda e surfar rumo à profissionalização total da modalidade no Brasil.



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