Superpotências e o desequilíbrio do futebol mundial



A vitória massacrante do Barcelona sobre o Celtic escancarou mais uma vez uma dura realidade do futebol europeu. Placares elásticos como esse 7×0 na Champions expõem o abismo financeiro entre as superpotências do futebol europeu e time médios. Sem falar dos pequenos.

Até bem pouco tempo, jogar contra o Celtic representava um confronto duro para o Barça. Já não é mais.

barcaceltic

Esse processo de distanciamento entre os clubes ficou evidente na Espanha, quando Real Madrid e Barcelona começaram a fazer muitos gols e vencer partidas com extrema facilidade.

A diferença das receitas geradas de cada um pode ser até 25 vezes maior que as dos seus adversários menores.

As mudanças nas regras de divisão das receitas da TV na Liga Espanhola podem equilibrar um pouco as coisas, mas enquanto o Barcelona gasta € 419 milhões em salários, Málaga somente € 27 milhões e o Levante € 17 milhões por ano.

O futebol mundial hoje vive dessas superpotências, esses gigantes dos principais centros do futebol mundial. Barcelona já divulgou suas contas de 2015-16 e as receitas atingiram valor recorde de € 679 milhões.

Outro que acabou de divulgar seus dados financeiros foi o Manchester United. Muito impulsionado pelos altos valores do novo contrato de TV da liga e aumento nas receitas comerciais, atingiu um recorde na Inglaterra. Os Red Devills encerraram a última temporada com receitas de € 607 milhões e gastos salariais de € 275 milhões.

Os clubes médios que melhor se posicionaram, foram aqueles que investiram em um sólido modelo esportivo.

O sucesso do Atlético de Madrid comprova isso. Com receitas e gastos salariais muito inferiores conseguiu crescer em um mercado dominado por supermarcas.

Outros bons exemplos foram o Borussia Dortmund, Leicester e seu título da Premier League e o ressurgimento da Juventus de Turim, que retorna ao posto de maior clube italiano, mercado em crise há anos.

La Vecchia Signora é mais um ótimo exemplo de como um modelo novo, depois de uma profunda crise na marca, acabou resultando em mais receitas e valor para o negócio.

Mas, mesmo com o crescimento, essas forças médias estão muito distantes das superpotências. As receitas de Juve em 2015 foram de € 348 milhões, uma profunda evolução, já que em 2012 estavam em €212 milhões. Atlético de Madrid hoje fatura €187 milhões, mas passou muitos anos estacionado nos € 100 milhões anuais.

Leicester com € 125 milhões em receitas mais que dobrou de tamanho, mas está longe dos times com maiores em receitas da Inglaterra.

O abismo já está formado – Real Madrid, Barcelona, Manchester United, Bayern de Munique, Manchester City, Chelsea, PSG, Arsenal e Liverpool – já ocupam um local de destaque na disputa global das marcas. E entre eles há enormes diferenças também.

receitas-2015

Cada time faz seu trabalho dentro e fora de campo, visando conquistar mais fãs, audiências, patrocinadores e vendas.

Brasil distante desse mundo

Os clubes brasileiros infelizmente estão distantes desse mundo de oportunidades que o futebol global oferece. Nossos clubes com inúmeros problemas estruturais e de gestão não tem ideia por onde começar.

Alguns fazem pré-temporada nos EUA, mas até hoje não conseguiram capitalizar isso. Enquanto os gigantes europeus têm a maioria de seus fãs fora do seu país, os clubes brasileiros vivem quase que exclusivamente dos torcedores no Brasil.

As marcas dos times do Brasil estão desalinhadas com o que de mais moderno está acontecendo no futebol global. Existe uma guerra sendo travada nesse momento entre gigantes do futebol europeu. A busca é pela atenção de mais de 3 bilhões de torcedores em diferentes partes do planeta.

E os clubes brasileiros estão tomando de goleada.



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