Sucesso do futebol alemão começou fora de campo



O título conquistado no último domingo na Copa das Confederações pela seleção da Alemanha, não chamaria tanto a atenção não fosse pelo fato do time ser composto por jogadores novatos. Literalmente os alemães foram para a competição com um time B.

Vários atletas inclusive são desconhecidos do grande público, o que comprova o poder de renovação de um pais que no início dos anos 2000 tinha parado no tempo.

Atualmente não apenas a seleção principal da Alemanha está se renovando, como a cada ano seleções menores também. É sempre bom lembrar que o vice-campeonato Olímpico no Rio de Janeiro mostrou uma seleção com jovens jogadores de altíssimo nível e que por muito pouco não venceram a medalha de ouro.

Essa profunda evolução do futebol alemão não surgiu ao acaso e nem foi fruto da sorte ou pelo nascimento de craques, do nada, como regularmente acontece no Brasil.

O sucesso dentro de campo do futebol germânico, sempre tido como uma potência futebolística, mas com características técnicas ligadas ao futebol força nasceu em um processo de planejamento estratégico. Sim, foi um processo de gestão fora de campo, que produziu efeitos positivos na qualidade do jogo.

Embora o futebol brasileiro tenha muita dificuldade de entender isso, o esporte precisa de boa gestão para evoluir. Não é à toa que estamos no fundo do poço dentro de campo, com times jogando mal, jogadores malformados e técnicos antiquados.

É bom lembrar que nenhum treinador brasileiro é respeitado no exterior.

Para a Alemanha, o momento da virada foi a eliminação precoce da Eurocopa em 2000. Foi o ponto de partida para um grande plano de longo prazo para mudar o futebol do país.

Este plano foi elaborado em conjunto pela Federação Alemã, Bundesliga e seus times. Foi feito um estudo e definido um projeto sistêmico de investimento pesado nas categorias de base e uso de metodologias modernas.

O trabalho foi alavancado pelo fortalecimento corporativo dos times, com uma gestão mais eficiente. O resultado foi a valorização da competição nacional, melhorando a qualidade do jogador alemão. E isso refletiu positivamente na seleção.

Os times mais fortes, produziram um efeito muito positivo na qualidade da seleção. O objetivo era mudar o futebol da base para o topo. Literalmente eles reinventaram o futebol do país.

Desde 2001 foram investidos mais de 1 bilhão de euros em projetos de base como novos campos espalhados pelo país, capacitação de treinadores e novas tecnologias. Sem falar no investimento dos times em suas categorias de base. mas de 900 milhões de euros.

Base Bundesliga

O efeito foi avassalador.

Em pouco mais de uma década o futebol alemão passou de uma seleção envelhecida eliminada precocemente de uma Eurocopa para ser uma referência na formação de jovens talentos.

Hoje o futebol alemão colhe frutos de ter times altamente competitivos em diversas competições de categorias menores.

Construíram com planejamento um projeto que mudou o futebol do país para sempre.

CBF poderia ter feito nossa revolução

O futebol brasileiro poderia ter vivido situação similar ao ocorrido na Alemanha. Somente não tivemos nada parecido pois temos uma CBF cuidando de seus interesses e não do futebol nacional.

Segundo os balanços da entidade máxima do nosso futebol, entre 2003 e 2016 foram gastos inacreditáveis R$ 1,6 bilhão em despesas administrativas e pessoal.

CBF ADM

Nesse período a despesa total da CBF superou R$ 3,6 bilhões.

Recursos que poderiam ser empregados em um projeto sério de mudança no nosso futebol, com investimento  em infraestrutura, capacitação e fortalecimento do futebol de base.

Mas o que esperar de uma entidade afundada em denúncias de corrupção? Isso aí: gastos absurdos e sucateamento do nosso principal esporte.



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