São Paulo e Internacional, o declínio de dois gigantes



No futebol brasileiro, poucos clubes conquistaram o respeito e admiração por sua gestão como São Paulo e Internacional. O tricolor do Morumbi no fim dos anos 90 e início de 2000 e o Colorado um pouco depois, a partir de 2005.

O caso atual do São Paulo, com seu desempenho na Série A e a absurda invasão de centenas de torcedores organizados ao CT do clube, expõe claramente a sua realidade atual. Aquele que um dia teve sua gestão como sinônimo de boa administração, estrutura, títulos e dirigentes diferenciados.

Segundo meus estudos sobre as finanças dos clubes, em 2003 São Paulo faturou R$ 95 milhões, líder disparado em receitas. Apenas como exemplo, Corinthians, segundo colocado obteve receitas de R$ 55 milhões e o terceiro Flamengo com R$ 53 milhões.

Graças ao bom trabalho nas categorias de base, CT de ponta e boas receitas de marketing o tricolor se diferenciou e sempre foi visto como o grande clube brasileiro em termos de gestão. Suas receitas foram sempre as maiores do futebol brasileiro.

A perda da liderança do ranking somente correu de verdade em 2009, quando o clube ficou atrás do Corinthians e Internacional. Atualmente fica entre o quarto e quinto em receitas, dependendo de como são os ganhos com as transferências de atletas.

São Paulo sofre hoje de um modelo de gestão arcaico, praticado por dirigentes ultrapassados e com conceitos errados. O clube de uma potência de marketing e patrocínios, viu suas receitas caírem, enquanto seus concorrentes cresceram. Em 2015, o tricolor arrecadou R$ 20 milhões em patrocínios, enquanto que Flamengo já fatura R$ 86 milhões.

O clube parou no tempo, precisa urgente de novos cartolas, que profissionalizem o mais rápido possível sua gestão. A 11ª posição na classificação para um clube que gasta R$ 274 milhões por ano com futebol é ineficiência pura.

SPFC

Não é à toa que os déficits dos dois últimos anos já somam R$ -173 milhões. Inaceitável para o clube que já liderou o processo de profissionalização da gestão dos clubes brasileiros.

Internacional e sua ineficiência

Outro clube que ajudou muito o futebol brasileiro foi o Internacional, que indicou caminhos, impulsionou tendências e principalmente chegou ao topo do ranking entre os clubes que mais faturam no Brasil. Seu projeto de sócios virou referência nacional e internacional.

Sua derrocada, que não é nova, ficou evidente desde a eleição de seu atual presidente do mesmo grupo político no poder há mais de uma década. Um clube gigante, que infelizmente como o São Paulo sofre pela ausência de um novo perfil de dirigente, que busque a real profissionalização de sua gestão.

O clube precisa evoluir, seu modus operandi de depender da venda de direitos econômicos de atletas se exauriu. O Colorado foi o clube brasileiro que mais faturou bruto com transferências de atletas no Brasil, nos últimos 13 anos foram R$ 730 milhões. Mas boa parte desses recursos não ficaram com o clube, já que eram de empresários e fundos de investimento de jogadores.

O clube que gastou R$ 215 milhões com futebol em 2015, na prática se comporta como uma vitrine para vender jogadores. Nenhum desses cartolas entendeu que a lógica do seu negócio é ampliar o valor da marca, mantendo seus grandes ídolos, produzindo o círculo virtuoso de geração de receitas.

A ineficiência desse modelo praticado atualmente pelo Internacional o coloca de forma inacreditável em 17º na Série A, na zona de rebaixamento. Esse clube que em 2006 surpreendeu o Brasil atingindo o segundo maior faturamento entre os clubes brasileiros, posição manteve por muito tempo. Atualmente fica apenas entre os seis primeiros.

Internacional

Os sócios e conselheiros são os únicos que podem mudar seu rumo.



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