A revolução no futebol brasileiro não será televisionada



O futebol brasileiro parou no tempo. CBF, federações estaduais e clubes vivem um subdesenvolvimento no campo das ideias, que afasta nosso mercado de qualquer possibilidade real de evolução.

No último domingo tivemos mais uma prova desse mundo arcaico do nosso futebol. O clássico paranaense Atletiba, sem transmissão pela TV aberta e fechada, seria transmitido apenas no Youtube.

Entretanto por uma artimanha da Federação Paranaense de Futebol (FPF) esse passo importante para o futebol nacional não ocorreu. Mas de 20 mil pessoas na arena do Atlético-PR foram impedidas de assistir à partida.

Milhares estavam aguardando ansiosas na internet.

Com a desculpa que a equipe que faria a captação das imagens e a transmissão online não estava credenciada, a FPF proibiu que pela primeira vez um jogo de futebol no Brasil fosse somente disponibilizado no Youtube.

De forma corajosa Atlético-PR e Coritiba se recursaram a realizar a partida. A Federação, mesmo sem ter direito sobre esse conteúdo, de forma autoritária proibiu sua transmissão.

Se os clubes não aceitaram os valores ofertados pela RPC, tinham sim o direito de transmitir via streaming sua partida, o mais importante componente atual da industria do esporte global. O streaming, com a transmissão online atinge bilhões de pessoas ao mesmo tempo em todo o mundo, nada se compara a esse potencial.

A dupla paranaense pode ser considerada precursora de uma revolução que está em curso, a transmissão online de jogos de futebol no Brasil. E essa revolução não será televisionada!

A partir do momento que os times se derem conta da força da internet, e do streaming, sem dúvida chacoalharão as estruturas do futebol brasileiro.

O Youtube, de propriedade do Google, uma das mais importantes empresas do planeta e tem a marca mais valiosa.

Obteve faturamento em 2016 de US$ 90 bilhões e lucro líquido de US$ 20 bilhões, é um player imbatível.

Em 2013 faturava US$ 56 bilhões e cresce junto com o avanço da internet.

Google

Domina há anos as receitas publicitarias online, além de utilizar ferramentas modernas antenadas com o que de mais avançado se pratica atualmente.

É mais rico que qualquer emissora de TV, e também muito mais inteligente.

Assim, a partir do momento que o futebol brasileiro tiver o aparato tecnológico do Google, ficará muito mais complicado de se manter essa visão arcaica e antiquada da gestão de conteúdos de futebol no Brasil.

Os jovens não assistem mais TV como seus pais e avós faziam. No Brasil de hoje, há mais audiência em vídeos na internet, do que na TV aberta.

Isso significa que a revolução já começou, menos no nosso futebol.

E o Google já se enveredou para o futebol. A Copa do Rei da Espanha está sendo transmitida pelo Youtube, com um custo por partida de aproximadamente € 4,99. Uma verdadeira revolução!

Por meio do streaming, o Youtube tem um alcance muito maior que a TV aberta e fechada. É incomparável! Sem falar que permite que mais torcedores tenham acesso ao conteúdo.

Os ganhos são globais e não mais nacionais e em muitos casos regionais.

A revolução do futebol brasileiro passa por essa nova era, das transmissões online.

NBA já mostrou o caminho.

A NBA dos EUA foi uma das pioneiras em investir em transmissão online de seus jogos e os resultados foram muito positivos. Em 2012, as receitas de transmissão da liga estavam estagnadas em US$ 930 milhões por ano.

Com a criação do NBA League Pass, os torcedores ao redor do planeta podem pagar diretamente para a NBA e acompanhar os jogos por streaming.

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Essa decisão foi tão acertada que os valores com os direitos de transmissão já superaram US$ 2,6 bilhões por ano.

Em 2017, a expectativa da NBA é que salte para US$ 3,6 bilhões anuais.

 



  • JoseAlmeida

    Bilhões, bilhões, bilhões. Só se fala em números. É o que interessa? Qual a graça haverá em ver uma partida de futebol sem a presença da torcida no estádio? Alguém se lembra do áudio do canal 100? Como era a música deste canal que em todas as seções de cinema entrava com seu som característico, emocionando o torcedor que estava ali não para ver futebol, mas para ver um filme e principalmente namorar.
    A televisão revolucionou umas duas gerações. Vem a internet a querer revolucionar toda a humanidade.
    A revolução no nosso futebol tem que ser feita sob outro paradigma. Para atender principalmente a televisão, foi centralizado em doze ou treze cidades o futebol de um país continental. Não se pode comparar o futebol brasileiro com o europeu. Lá são dezenas de minúsculos países, misturados com medianos que na proporção, tirando a Rússia, é igual a área do nosso país.
    Hoje tudo é feito para tirar dinheiro do povo. Seja pobre, rico ou remediado, ninguém mais vive sem a internet e a televisão.
    A TV por assinatura quando lançada, a promessa era de tudo limpo, sem intervalos comerciais. E assim começou. Hoje todos os canais, mesmo os de filmes, tem publicidade. Então não deveríamos pagar por ela, apenas compras seus produtos que custeariam as transmissões. Então veio também a invadir, tal um tsunami, a internet. Alguém já reparou a quantidade de propaganda que entrou neste meio de comunicação em que pagamos para ver, em primeiro lugar, os comerciais, para depois termos acesso às noticias?
    Então pergunto: Porque pagarmos tão caro pela assinatura de internet se ela já vem custeada?
    A telefonia, antes financiada por nós, foi vendida a preço de banana, dividida escandalosamente entre empresas que sequer eram do ramo. Hoje quem lucra com nossos telefonemas? Se antes tínhamos ele caro, fixo, passamos a pagar muitas vezes mais e em nada fomos ressarcidos pelo investimento nos telefones fixos que originaram toda esta rede atual.
    Para recrudescer o futebol brasileiro, precisamos retornar às raízes. Cada estado com seu campeonato, como nos países europeus. Cada estado classificaria os times para a disputa de um torneio nos moldes dos que fazem a UEFA. Brasil “NÃO PRECISA DE LIBERTADORES”. Se for o caso, colocaríamos, como nos anos setenta, o verdadeiro campeão nacional, saído deste torneio entre os campeões estaduais.
    Televisão quer comprar? Internet quer comprar? Tudo bem, mas coloquem os torcedores de volta aos estádios, mesmo que financiados pela televisão, pagando a cada um uma certa quantia para ir in loco assistir, pois não podemos estar sendo usurpados de nossos direitos, sem uma contra partida.
    Finalizando, quem pode apresentar ideias? Se não concordam com o exposto, temos “mas” de cem milhões de torcedores a serem ouvidos.

  • Julio Cezar Carvalho

    O Tironi, seu amigo de Lance!, foi infeliz em um dos seus últimos textos, ao classificar o Grupo Bom Senso e a Primeira Liga como movimentos que não deram em nada, e que o Atletiba tem tudo para ir pelo mesmo caminho, eu penso diferente, acho que a participação do Grupo Bom Senso foi importante, inclusive com participação nas medidas que desembocaram na Lei do Profut, a Primeira Liga, mesmo ainda confusa, tem a segunda melhor média de público entre os torneios nacionais e é a maior dor de cabeça para as Federações.
    Acho que são as conjunções de fatores que farão com que esta estrutura arcaica predominante no futebol um dia venha a cair, e nelas estão inseridas o Grupo Bom Senso, a Primeira Liga e agora o Atletiba.
    No blog do Tironi eu cheguei a comparar estes movimentos à Inconfidência Mineira, ela não conseguiu libertar o Brasil do jugo português, mas ela foi o mais importante movimento de revolta até então, depois dela outros se seguiram até que a independência fosse declarada.
    Se os jornalistas, que são os formadores de opinião, denegrirem os movimentos voltados à modernização do futebol, aí sim é que não conseguiremos nada mesmo.

    • leon leon

      primeira liga é dor de cabeça para algumas federaçoes .. nao todas .
      principalmente as federaçoes corruptas …

  • Só lembrando que o League Pass, já existia em 1997!

    • Amir Somoggi

      Mas não gerava recursos como atualmente e no meio do caminho não era da NBA, eles recompraram os direitos de internet.

      • Bom hai não sei!

        O que sei é que em 1998 comprei o pacote, mas tive que

        cancelar 3 meses depois, pois o nível da internet no BRASIL

        era inapropriado, em termos de velocidade, na época.

        Um outro fator complicador naquela época era que a compra

        só podia ser feito com cartão de credito internacional.

        Abraços.

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