PSG colocou Fair Play Financeiro na marca do pênalti



A contratação de Neymar pelo PSG por 222 milhões de euros continua causando um alvoroço no futebol europeu. Essa janela de transferências, a mais aquecida da história colocou a UEFA e seu Financial Fair Play (FFP) no centro das atenções atualmente.

Afinal o FFP, regulação criada em 2011 que vinha reduzindo drasticamente os prejuízos do futebol europeu, punirá de forma exemplar um time que burla suas regras?

O investimento altíssimo em Neymar e uma folha salarial anual de quase 300 milhões de euros, são financiados com recursos externos do PSG. A companhia PSG pertence ao Qatar Investment Authority que administra ativos de US$ 500 bilhões.

Por outro lado, existe uma regulação na Europa que obriga que os times controlem seus orçamentos. Ou reduzindo custos ou aumentando receitas, E nesse aspecto o PSG destoa de todos os demais times europeus. O time de Paris cresceu absurdamente desde a compra pelo Mansour bin Zayed. Em 2011 o PSG  faturava 100 milhões de euros em 2016 atingiu 521 milhões. O principal fator para esse incrível crescimento é o alto investimento de patrocinadores de empresas ligadas ao seu dono.

Esse foi o método encontrado pelo time para driblar possíveis punições da UEFA. O FFP limita em 30% da receita total a dependência de um patrocinador, ligado ao grupo que administra o time. Mas isso é facilmente contornável. Basta a empresa não ser juridicamente ligada ao grupo, que está livre para aportar recursos.

As receitas de marketing do PSG em 2011 eram de 38 milhões de euros, em 2012 saltaram para incríveis 140 milhões de euros. Em 2014 atingiram 327 milhões de euros e encerraram 2016 em 305 milhões de euros. Um crescimento de 703%! Ninguém cresceu mais que o time francês em marketing. Está claro que aí está o “equilíbrio” que o time construiu para driblar a regulação.

mkt PSG

O que o PSG cresceu em 2, 3 anos times como Manchester United, Real Madrid, Bayern de Munique e Barcelona demoraram mais de uma década. Portanto é óbvio que a UEFA tem elementos mais que suficientes para encontrar formas de punir o time francês.

A questão é saber se terão coragem de punir sumariamente o time que mais investe atualmente em jogadores na Europa.

Mercado francês é bastante relevante

Pessoalmente eu não acredito que a UEFA excluirá o PSG da Champions League. Dirigentes s de times europeus que jamais gastaram 222 milhões em contratações enxergam em uma punição sumária ao PSG a única forma de mostrar a força do FFP.

O impacto nos números de audiência televisiva na Europa e interesses comerciais me fazem crer que isso não deva ocorrer. Embora fosse o justo.

Acredito ser inviável do ponto de vista financeiro, a UEFA excluir o PSG, o mais importante conteúdo do futebol francês atualmente.

Por isso a regulação da UEFA está na marca do pênalti!

Afinal qual pode ser a punição?

A UEFA tem inúmeras alternativas de punição aos times, além da exclusão das competições europeias. Muitos argumentam que a entidade pune severamente times pequenos e abranda penas para os times gigantes. Manchester City e o próprio PSG foram punidos e tiveram que reduzir seus gastos salariais e tamanho do elenco.

Tudo para diminuir os déficits. O time inglês também administrado por árabes acumulou prejuízos de -654 milhões de euros desde sua aquisição.

Prejuizos times eurpeus

A UEFA pode punir, desde apenas uma multa financeira e bloqueio de pagamentos, até diversas punições esportivas, como perdas de pontos, proibição de contratar jogadores, número de jogadores do elenco, proibição de participação de competições e retirada de títulos.

O leque de opções é grande, de acordo com a gravidade dos atos. A questão é saber se terá coragem para um gigante como o PSG.



  • Carlos Serrato

    Não acredito que haverá punição ao PSG, seria justa, mas o principal motivo da compra do Neymar pela PSG foi a busca do titulo da Champions League. Vale lembrar que a UEFA não é exemplo de transparência (vide exemplo a saida do do Platini).

  • Luiz Ernesto Guerra

    Não enxergo razões para a UEFA punir o PSG. Veja, o clube está cumprindo todas as regras estabelecidas por aquela instituição. Logo, seria impossível uma punição sem previsão regimentar. Creio que o que está em cheque não é o falho modelo de “Financial Fair Play” da UEFA, mas, sim, o próprio sistema de transferências regulado pela FIFA. Obviamente este sistema permite a formação das lavanderias modernas. Deveríamos lutar, sim, pela americanização do futebol/soccer.

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