Por que os jogadores somente se valorizam na Europa?



Minha coluna de hoje procura explicar um fato que se repete todos os anos, a valorização dos jogadores de futebol no continente europeu.

A cena se repete, um jogador brasileiro é vendido a preço de banana e poucas temporadas depois é transferido a preço de ouro entre times europeus.

Jogadores argentinos, uruguaios e colombianos também vivem essa realidade, mas em menor número, já que o Brasil é o maior exportador de jogadores do planeta.

Essa janela de transferências que fecha amanhã apresentou o maior valor da história. Os valores impressionaram, 222 milhões de euros por Neymar, 105 milhões de euros por Dembelé, 85 milhões de euros por  Lukaku, 65 milhões de euros por Morata e 57,5 milhões de euros por Benjamin Mendy são apenas alguns exemplos de jogadores vendidos por valores exorbitantes nessa janela.

O mercado está aquecido por times de magnatas gastando muito, altos valores da TV e crescimento dos pagamentos da UEFA.

2017-08-04t124000z_988538009_rc178e5fc160_rtrmadp_3_soccer-neymar

Para os clubes brasileiros o valor que chega aqui é insignificante e corresponde a uma parcela irrisória de tudo que se movimenta no mundo com transferências de jogadores.

Segundo meu estudo sobre as finanças dos clubes brasileiros o valor arrecadado em 2016 com transferências pelos times brasileiros foi de apenas 190 milhões de euros.

Há casos esdrúxulos, em que muitos clubes ganham mais com a participação que tem direito como clubes formadores no mecanismo de solidariedade, do que na venda realizada poucos anos antes de uma jovem promessa.

Há inúmeras explicações para essa situação, até o momento sem solução. São elas:

1. Competições sem apelo 

As competições do futebol brasileiro não geram apelo para os principais times europeus. Embora considerem os jogadores brasileiros como diamantes brutos, sabem que são muito fracos em termos táticos e pouco cobrados em competições de baixíssimo nível técnico. Os europeus consideram que os jogadores precisam evoluir muito para jogar em grande nível. São considerados muito habilidosos, mas pouco preparados para os desafios das grandes ligas e das competições europeias.

2. Times enfraquecidos e dependentes de empresários

Outro fator claro é o enfraquecimento financeiro dos times brasileiros, que vivem eternamente com o pires na mão esperando que vendas para times estrangeiros salvem seu ano. Esse enfraquecimento sempre obrigou que os clubes dependessem da “ajuda” de empresários amigos que compram direitos econômicos dos jogadores e acabam pressionando pela venda a qualquer valor. Um ciclo vicioso sem fim.

3.Falta de preparo psicológico dos atletas

Os europeus sabem, por questões históricas que muitos jogadores brasileiros, quase sempre provenientes de famílias humildes e baixo preparo educacional/psicológico tem fama de voltarem logo ao Brasil ou simplesmente não darem certo em grandes clubes com uma pressão muito alta e muita exigência de profissionalismo. Sem falar na dificuldade de adaptação dos idiomas, alimentação e clima frio.

4.Multas rescisórias baixas

Clubes brasileiros muito mal geridos e nas mãos de “empresários amigos” acabam sofrendo pelo assédio de times estrangeiros por permitirem que os contratos dos jogadores tenham multas rescisórias baixíssimas, o que facilita e muito saída dos atletas. Multas altas são o melhor mecanismo de proteção de mercado. Até os chineses que chegaram agora ao mundo do futebol já descobriram isso e nós não.

5.Jogadores sem passaporte comunitário

Um último fator que afeta no preço é a falta de passaporte europeu por parte de jogadores brasileiros. Não ocupar no time a vaga de um jogador extracomunitário tem enorme valor no mercado europeu. Jogadores que não tem passaporte europeu valem menos e terão que ser muito fora de série para pagarem mais por eles.



MaisRecentes

Real Madrid atinge a maior receita de sua história



Continue Lendo

Falta de oxigenação de ideias no futebol brasileiro



Continue Lendo

A crise eterna dos times brasileiros



Continue Lendo