Phillipe Coutinho e as migalhas do futebol brasileiro



A transferência de Phillipe Coutinho do Liverpool para o Barcelona é a segunda mais cara da história do futebol. O negócio de R$ 633 milhões somente é menor que a recente ida de Neymar para o PSG, por R$ 860 milhões.

Atualmente as duas maiores transferências do futebol global envolvem jogadores brasileiros. Muito afirmam que essa transferência é um reflexo do ótimo momento do futebol nacional.

O craque revelado no Vaco da Gama faz parte de uma geração talentosíssima, que inclui Neymar e Gabriel Jesus.

Por outro lado, o dinheiro por eles movimentado ficou com os clubes europeus. Para os clubes brasileiros ficaram apenas migalhas.

Dos mais de R$ 17 bilhões movimentados com transferências por ano no mundo, somente R$ 760 milhões são gerados por times brasileiros.

As vendas dos jogadores do Brasil, cada uma na sua época, representam valores irrisórios, pelo que se transformam esses craques quando desembarcam na Europa. E após grande sucesso, como no caso de Phillipe Coutinho, a valorização é absurda.

O mesmo ocorreu com Neymar, e seria com Gabriel Jesus, caso algum time tentasse tirá-lo do Manchester City. Nossos jogadores saem jovens e a preço de banana. Se valorizam somente quando mostram suas habilidades nos gramados europeus.

Jogar nossos estaduais, Série A e Libertadores não os credenciam para valer de 60 a 200 milhões de euros. Valem no máximo 30 milhões de euros, e são pouquíssimos os casos.

Os times brasileiros ainda agradecem por receber um pequeno % do negócio, por conta do mecanismo de solidariedade, como clube formador.

O Vasco vendeu Coutinho por R$ 10 milhões para a Inter de Milão, que o vendeu por R$ 38 milhões ao Liverpool, valor que se multiplicou em 17 vezes agora.

O clube carioca receberá por essa gigantesca transferência para o Barça mais do que sua venda para a Inter de Milão. O valor por ter formado o craque será de R$ 15 milhões.

Vivemos esse ciclo vicioso sem fim. Nossas competições valem pouco, nossos times se contentam em viver esse subdesenvolvimento, e se mantém como formadores de pé de obra barata para os gigantes da Europa.

Para piorar vemos uma CBF inerte, se aproveitando dos bons jogadores formados pelos times brasileiro que brilham na Europa, e abrilhantam nossa seleção.

Na prática é a CBF quem mais se beneficia financeiramente de tudo isso.

Nossos times para variar não se aproveitam de serem ótimos formadores de talentos, e os vendem cedo, para pagar contas atrasadas, de gestões amadoras e muitas vezes irresponsáveis.

Somado a isso, temos competições sem apelo e jogadores desesperados para ir embora e assim não conseguimos sair deste atoleiro.

Para piorar uma parte significativa das vendas dos jogadores vai embora como pagamento de participação de direitos econômicos de atletas para empresários e fundos de investimento.

Dos valores recebidos somente uma parte fica com os clubes. Por exemplo, em 2016 o Corinthians faturou R$ 140 milhões com transferências de atletas, mas pagou R$ 70 milhões com essas participações.

Realmente nossos clubes vivem de migalhas.

Mas afinal, qual a saída?

O único caminho para revertermos esse quadro é o fortalecimento financeiro de nosso mercado.

Não vamos evitar esse cenário de perda precoce de nossos maiores talentos enquanto formos geridos nesse subdesenvolvimento econômico e esportivo.

O Brasil tem uma economia mais do que suficiente para ter um futebol de forte apelo comercial inclusive globalmente. Mas somente quebrando esse sistema atual mudaremos.

Temos que criar uma liga e tirar o controle da CBF sobre a vida dos clubes. Se não mudarmos, continuaremos vivendo de migalhas e assistindo aos times europeus faturarem alto com nossos talentos.



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