O torcedor brasileiro precisa evoluir



No último domingo o mundo parou para assistir à final da liga de futebol americano dos EUA, o Super Bowl 51. Foi uma grande festa, mais uma vez uma aula de execução de um grande evento esportivo, sem falar que foi uma partida para lá de emocionante.

Ao mesmo tempo que muitos brasileiros curtiam esse grande evento, outros, eu diria em sua grande maioria, os criticavam nas redes sociais. Chamavam os interessados no futebol americano em “ torcedor modinha”, “ bajulador de gringo”, entre outros adjetivos absurdos.

O mesmo acontece frequentemente quando há jogos de grandes times europeus pelas ligas europeias ou Champions League.

O torcedor mais fanático acha um absurdo que brasileiros demonstrem muitas vezes mais interesse por essas partidas, do que pelos jogos dos seus times.

O que está claro que as pessoas que gostam das ligas dos EUA e times europeus querem assistir esporte profissional de qualidade, algo que perdemos faz tempo.

Essa triste realidade me motivou a escrever sobre esse tema.

O torcedor brasileiro na média, sem querer generalizar, é retrógrado, com baixo nível de exigência e pior, pouco crítico.

Sempre questiono nesse espaço a péssima gestão de nossos clubes e nossas competições, que em muitos casos beiram uma várzea.

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Chegou a hora de criticar nossos torcedores.

Esse torcedor sempre foi muito maltratado por seus clubes e continua sendo. E mesmo assim não percebe que seu baixo grau de exigência é um dos principais fatores para o baixo nível de profissionalização do futebol nacional.

Se os clubes pouco fazem pelo seu torcedor, começo a acreditar que isso é reflexo dessa falta de interesse do torcedor em evoluir. Esse torcedor pouco exigente acha o máximo os ridículos estaduais, muitas vezes com partidas realizadas em estádios que nem deveriam existir mais.

Criticam as novas arenas e qualquer tentativa de inserir novos contextos de entretenimento durante os jogos.

Preferem estádios caindo aos pedaços, banheiros químicos, torcidas organizadas e nem se incomodam com a truculência dos policias.

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São os mesmos que defendem a Libertadores da América, com torcedores locais atacando pedras e outros artefatos em visitantes e atletas.

São avessos às modernas técnicas, falam em “ morte ao futebol moderno”.

São retrógados, arcaicos e até certo ponto medievais.

Não percebem que se não mudarem a forma como enxergam o futebol serão as maiores vítimas desse processo claro de deterioração.

Não entendem que a cada ano, piores dirigentes tomam o poder, oferecendo para esses torcedores o que eles querem, nada!

Os times brasileiros gastam cada vez mais para a manutenção dos seus departamentos de futebol e a cada ano o espetáculo fica pior. Será que os torcedores não enxergam isso?

O torcedor de futebol no Brasil precisa repensar seu papel em toda essa engrenagem. Os clubes os tratam como gado, as competições são pessimamente organizadas, os times jogam mal e os jogadores querem ir embora o quanto antes. E esse torcedor acha o máximo tudo isso.

Precisamos de uma mudança urgente em nossos torcedores.

Intitulam-se torcedores, não clientes

Esse torcedor típico do Brasil não admite ser chamado de cliente, se intitula apenas torcedor.  Como se ser tratado como consumidor fosse algo negativo, pejorativo.

Não percebem que são clientes sim, mesmo que maltratados. Compram ingressos, camisas e outros produtos, pagam mensalidade de sócio torcedor, mas acham que não são consumidores.

E por isso os cartolas fazem o que bem entendem com eles.

Se não acordarem e evoluírem poderão ser no futuro cobrados como os grandes responsáveis pelo baixíssimo grau de desenvolvimento do nosso mercado.

O futuro do futebol brasileiro depende dessa mudança.

 



  • João Miguel Barilcka

    seu texto é muito bom, e é tudo o que todos tem medo de dizer, brigar com a torcida é sempre perigoso, vemos isso aqui no Atletico paranaense. mas um detalhe que gosto de falar, os torcedores não querem ser consumidores, eles querem ser credores do clube. Precisam sempre sentir que o clube lhes deve algo, afinal são eles, “que gritam e empurram o time para as vitorias”, “seguem o time por qualquer lugar sempre para apoiar”. e por isso querem ingresso barato, ou melhor seria de graça, e muitas outros agrados. E no fim é sempre a mesma coisa, os torcedores dizem: “nós ganhamos, eles perderam”

  • Luiz Ernesto Guerra

    Não modificaria uma vírgula do teu texto, Amir. Tu me pareces um baita profissional. Clubes brasileiros e ligas, que se dizem adeptos da modernidade, perdem em não aproveitar os teus conhecimentos. Não tenho muitas esperanças que este cenário se modifique. Torço para que a SóFla consiga avançar dentro do Flamengo e, quiçá, oferecer algo novo ao futebol tupiniquim.

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