O fair play financeiro funciona!



A UEFA, entidade máxima do futebol europeu, criou a partir de um amplo estudo financeiro sobre a situação dos clubes da Europa o Fair Play Financeiro. A regulação criada em 2010, teve aplicação prática a partir de 2011. A norma exigiu que os clubes reduzissem seus prejuízos e também suas dívidas.

Quando a UEFA realizou um grande diagnóstico sobre a situação financeira dos 716 clubes mais importantes do Velho Continente o resultado foi assustador. Em 2009, os clubes encerraram a temporada com prejuízo líquido somado de -1,16 bilhão de euros.

Em 2010, houve um aumento de mais de 40%, atingindo 1,63 bilhão de euros e no ano seguinte o pior resultado da história, perdas de -1,67 bilhão de euros.

Em 2012 os números melhoraram, com a volta dos prejuízos dos times a -1,16 bilhão de euros. Simplesmente, entre 2009 e 2012 os maiores clubes europeus acumularam perdas de -5,52 bilhões de euros.

Em 2013 a nova regulação mostrou mais resultado, já que os prejuízos somados dos times foram para -792 milhões de euros. E finalmente em 2014 com uma queda de 61% os déficits atingiram -486 milhões de euros.

O Fair Play Financeiro conseguiu materializar uma queda de 71% nos prejuízos, desde o pior momento da série histórica em 2011. Essa é a prova que uma regulação que exija redução das perdas dos times é fundamental para a saúde de todo o ambiente do futebol.

Prejuízos 716 maiores clubes europeus- Em milhões de euros

Prejuizos 713 times da Europa

Fonte: UEFA

O mais interessante desse processo é notar que mesmo com restrições aos gastos os times permanecem investindo, já que crescem em receitas.

A UEFA mostra que os 713 clubes obtiveram faturamento de 15,9 bilhões de euros em 2014, frente os 11,7 bilhões de 2009. Nas últimas duas décadas a média de crescimento anual das receitas foi de quase 10% ao ano.

Assim, foi possível criar uma regulação efetiva, buscando a saúde financeira dos times, sem deixar de crescer. O Financial Fair Play da UEFA limita a um valor máximo de prejuízos para os clubes. A regra é calculada por uma média anual, que entre as temporadas 2013-14 e 2014-15 os prejuízos não podem ultrapassar 45 milhões de euros por clube.

Para as temporadas 2015-16, 2016-17 e 2017-18 a regulação restringe ainda mais os déficits. A média dos três anos não poderá superar 30 milhões de euros. Ainda que o máximo exigido pela UEFA seja alto, foi possível reduzir as perdas de forma significativa.

E seguramente os números devem melhorar ainda mais, já que os grandes causadores dessas perdas astronômicas são os times dos magnatas. No auge da crise financeira do futebol europeu entre 2009 e 2011, 10 times eram responsáveis por mais de 80% das perdas.

Por isso é necessário analisar o Fair Play Financeiro como a regulação que obrigou os magnatas a terem um mínimo de equilíbrio em sua administração. 

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As coisas melhoraram, mas a regulação, ainda precisa ser mais aprimorada.

Outro ponto é a permissão que a regulação concede de até 30% de representatividade sobre a receita total de um único patrocinador. Em minha opinião muito elevada. Caso um único patrocinador supere esse número é considerado sócio e há ajustes no lucro ou prejuízo.

Mesmo com a necessidade de melhorar, o Fair Play Financeiro criado pela UEFA mostrou-se fundamental para o crescimento sustentado do futebol na Europa.

O mesmo precisa ocorrer no Brasil.



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