Novas arenas, velhos problemas



As cenas de selvageria no Maracanã na final da Copa Sul Americana entre Flamengo e Independiente são assustadoras.

Mais uma vez o que deveria ser uma festa, se transformou em guerra. O cenário poderia ter sido evitado com um maior controle ao acesso ao Maracanã, como na Copa do Mundo.

Vale destacar que o Flamengo deixou documentando seu receio de que poderia haver uma tragédia, pelo baixo contingente policial para a partida. E claro nada foi feito.

Essa violência é bastante corriqueira no nosso futebol. Já era assim antes das novas arenas construídas para a Copa do Mundo e permanece nos dias atuais. Investimos no hardware, mas não no software.

Durante décadas o futebol brasileiro tinha como mantra que nosso mercado somente evoluiria com novos estádios. Muitos defendiam que isso era fundamental para uma mudança nesse ambiente de guerra e insegurança dos jogos de futebol no Brasil.

Sempre rechacei essa tese furada, em vários artigos e análises. Isso porque uma nova infraestrutura não mudaria nada, caso não houvesse uma mudança nos serviços prestados por todos os envolvidos.

Na prática os estádios são modernos e o preço dos ingressos subiram, mas os serviços oferecidos dentro e fora são tão ruins quanto aqueles dos tempos dos estádios caquéticos, caindo aos pedaços.

Todos os envolvidos são responsáveis pelo cenário arcaico que vivemos. Vamos a eles:

Clubes– São extremamente responsáveis pois alimentam essa relação desastrosa e doentia com as torcidas organizadas, e sempre se isentam de responsabilidade depois de grandes tragédias. Cuidam desses organizados, mas se esquecem que o torcedor comum é tratado pior que gado. E nada fazem para mudar esse ambiente.

Setor público- Governos em todas as suas esferas que usam o futebol ao seu bel prazer, mas são completamente incapazes em oferecer soluções definitivas. São na minha opinião os maiores responsáveis pelo caos que o ocorre em nossos estádios. Adoram aparecer e dar entrevistas para a mídia, mas são incapazes de trazer soluções reais.

Federações Estaduais e CBF– Nunca fizeram nada definitivo para resolver os problemas. São parte do problema na verdade, já que cobram um percentual da renda dos jogos para absolutamente se isentarem de qualquer responsabilidade. Administram as competições, mas somente querem o bônus, sem nenhum ônus.

Mídia- Os veículos de comunicação têm enorme responsabilidade. Poucos são os veículos, como este Lance!, que se preocupam em educar o torcedor e cobrar efetivamente do setor público mudanças estruturantes para o futebol no Brasil. Muitos jornalistas inclusive alimentam a selvageria, defendendo teses furadas e incitando rivalidades toscas.

Torcedores- São responsáveis também, já que muitos lidam com a ida ao jogo como se no estádio pudesse tudo, como uma terra sem lei. Não estou falando de marginais e sim de torcedores comuns, que agem como se no futebol pudesse tudo: xingar, ser racista, homofóbico, cuspir, urinar, agredir, etc. Inclusive passam isso aos filhos e netos, criando um ciclo vicioso sem fim.

O impressionante é que muitos argumentam que o Brasil é um país violento e por isso esse cenário assombra o futebol. O que vimos na semana passada no Maracanã não vemos nas ruas cotidianamente.

A verdade é que o futebol está pior que a sociedade brasileira.

Receitas de bilheteira pararam no tempo

Segundo meu último estudo sobre as finanças dos maiores clubes brasileiros, as receitas com bilheteria representam insignificantes 7% do faturamento dos clubes.

O mesmo patamar de 2003, mesmo depois do investimento de R$ 9 bilhões em novas arenas.

Há anos os clubes faturam o mesmo. Incapacidade gerencial, somada a todo esse ambiente de violência e impunidade.



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