Não há lugar para amadores no futebol atual



O futebol brasileiro passa por enormes problemas, que vão muito além da qualidade do jogo. Para o torcedor o mais importante é ver seu time campeão, mas a cada dia fica claro que a gestão do clube é fundamental para alcançar sucesso em campo ao longo dos anos.

O torcedor brasileiro precisa entender que uma coisa está diretamente ligada à outra

O fiasco atual de Internacional, Cruzeiro e São Paulo e o sofrimento dos seus torcedores são ótimos exemplos de como os clubes ficaram reféns do amadorismo do nosso modelo atual. Os três padecem em campo e estão entre os clubes brasileiros que mais gastam com futebol.

Em 2015, o trio que luta torrou inacreditáveis R$ 795 milhões com seus departamentos de futebol, no mesmo modelo praticado há anos, sem um mínimo de avaliação qualitativa dos investimentos realizados.

São Paulo em 12º lugar na Série A, Cruzeiro em 17º e Internacional em 18º, apresentaram orçamentos infinitamente maiores que muitos outros clubes menores.

Claro que isso pode ser explicado por muitas pessoas como o momento ruim em campo de cada clube.

Os três são os exemplos da vez, mas mesmo aqueles que não correm risco de cair para a Série B seguem a mesma cartilha. A visão é sempre de tentar ser campeão a qualquer custo, sem se preocupar com o equilíbrio nas contas.

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Entre os grandes clubes, o que mantém melhor o controle em suas finanças atualmente é o Flamengo.

Toda a engrenagem do negócio futebol exige a cada dia dirigentes altamente qualificados e profissionais. No modelo atual os clubes antecipam receitas, compram e vendem jogadores de baciada, fazem parcerias de longo prazo e acabam afetando seu futuro.

Nossos clubes hoje estão completamente descapitalizados para investir exatamente por sofrerem nesse modelo esgotado. E isso vale para os grandes clubes com risco de rebaixamento e outros que até podem se sagrar campeões.

No modelo político/gestão atual nada se alterará. Os pesados prejuízos acumulados pelos clubes brasileiros comprovam o que estou falando e as dívidas também.

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*Internacional- Inclui R$ 55 milhões em direitos econômicos de atletas negociados.

Toda a incapacidade gerencial do nosso futebol está expressa nos balanços publicados pelos clubes.

Infelizmente nada vai se alterar se não mudarmos a forma como o futebol brasileiro é administrado. Se atualmente nossos clubes são irrelevantes internacionalmente e praticam um futebol de baixa qualidade, isso é fruto de décadas de atraso gerencial.

A saída no curto prazo é a mudança do perfil de dirigentes que comandam nossos clubes, com um preparo tanto em gestão quanto em termos de futebol.

E no longo prazo a transformação dos clubes em empresas, somente com executivos preparados e que não hipotequem o futuro dos clubes que administram.

Uma saída: modelo alemão

Que o futebol alemão é um exemplo para o mundo não é novidade. Mas como o mercado da Alemanha entende o clube empresa sim, um modelo fantástico e desconhecido e que deve ser estudado.

Na Alemanha há clubes empresa como em diferentes partes da Europa, mas com uma regulação toda especial. Uma opção é ser 100% de uma empresa, com gestão totalmente profissional, como os casos do Bayer Leverkusen da Bayer ou o Wolfsburg da VW, entre outros.

Uma outra opção é a famosa regra dos 50% +1 onde o clube detém a maioria das ações e mantém o controle da companhia. Bayern de Munique é um ótimo exemplo, já que é um gigante.

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A mudança da gestão e melhora na Governança conseguiu atrair investimentos de peso. Empresas como Adidas, Allianz e Audi são sócias minoritárias do Bayern e recebem dividendos anuais por investirem na companhia.

O clube se capitaliza, controla a gestão e tem seus sócios. Mas para isso foi obrigado a mudar e evoluir para o que de mais moderno se pratica em termos de administração.



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