MLS está na cola da Série A



Meu primeiro artigo de 2017 não poderia ser mais atual. Trata de uma comparação do crescimento das receitas da MLS, liga de soccer dos EUA e da Série A no Brasil.

Os dados para a análise foram os balanços dos clubes brasileiros em 2015 e os dados históricos da MLS, publicados pela Forbes. As flutuações da taxa de câmbio mostram como o cenário interno instável, afetou a competitividade do nosso mercado.

Enquanto o futebol brasileiro já conta com mais de 100 anos de história, a liga norte-americana foi criada depois que a seleção brasileira foi tetracampeã. A liga nasceu em 1996.

Durante muito tempo a MLS não cresceu tanto. Muito em função da Copa de 1994 não ter causado um impacto para a liga. E com isso demorou para se estabelecer.

Os primeiros dados sobre as receitas da MLS são referentes a temporada 2007. Naquele ano, 12 times faturaram US$ 166 milhões.

Em 2007, os 20 times da Série A geraram US$ 746 milhões. Naquele momento o Brasil vivia uma grande estabilidade política e econômica e o dólar estava cotado a R$ 1,77.

Os clubes brasileiros faturavam 4,5 vezes mais que os norte-americanos.

Em 2012, a MLS já contava com 18 times e seu faturamento atingiu US$ 479 milhões. No mesmo ano, a Série A produziu US$ 1,5 bilhão. O câmbio subiu para R$ 2,04 e a diferença dos mercados caiu para 3,1 vezes.

A temporada de 2015 da MLS foi muito importante. A inclusão de NY City e Orlando City foi muito positiva para a liga. As duas franquias chegaram com força para alavancar ainda mais os negócios, em dois mercados chave.

Assim, em 2015 a MLS atingiu a maior receita da história, totalizando US$ 602 milhões. Na última década a liga de soccer cresceu em média 17% ao ano.

mls-x-serie-a

Já a Série A em 2015 gerou US$ 959 milhões, ou apenas 1,6 vezes a MLS. O dólar deu um grande salto e atingiu R$ 3,89.

Excluindo as transferências de atletas, as receitas foram de US$ 789 milhões.

O projeto de expansão da MLS chegará a 24 times com novas franquias em Atlanta, Minnesota, Los Angeles e Miami, com o time de David Beckham. Os novos times injetarão mais de US$ 450 milhões na liga.

O modelo de Liga nos EUA exige que cada time siga regras rígidas e há uma intensa busca para que o negócio prospere, com equilíbrio entre as equipes, especialmente no dinheiro recebido da TV.

Atualmente a MLS divide US$ 90 milhões anuais entre suas equipes em direitos de TV, três vezes mais que o contrato anterior. Mas um valor insignificante para a realidade global.  Por isso está claro que a liga tem muito espaço para crescer.

 

Clubes brasileiros são maiores individualmente

Na comparação individual entre os times, os brasileiros levam vantagem. O modelo adotado nos EUA ainda não fez com que cada time fature valores elevados. Mas isso vai acontecer.

No Brasil as receitas dos clubes como Palmeiras, Flamengo, Corinthians, São Paulo, são maiores que do Seattle Sounders e LA Galaxy, os maiores da MLS.

O modelo norte-americano levou a NFL a faturar US$ 12,2 bi por ano e a NBA, US$ 5,2 bi.

Comparando os dois últimos campeões de cada mercado, isso fica claro. Seattle Sounders levou o título da MLS no ano passado. Sua torcida fanática o coloca no topo da média de público, com 43 mil torcedores por jogo.

sounders  allianz

É a franquia mais valiosa da MLS, com valor de US$ 285 milhões. O time encerrou 2015 com receitas de US$ 52 milhões.

Já o Palmeiras, campeão da Série A 2016, em 2015 apresentou receitas de US$ 90 milhões e vai superar os US$ 120 milhões em 2016.

Quando a MLS crescer como produto de mídia, com maiores valores da TV, venda de produtos e patrocínios, deixará o futebol brasileiro para trás.

Eles estão crescendo em várias frentes. Nós cada vez mais dependentes de poucas fontes de receitas.

 



  • Kleberson CG

    Organização faz bem.

MaisRecentes

PROFUT subiu no telhado



Continue Lendo

Entendendo as finanças da Conmebol



Continue Lendo

Contratação de Neymar mostra a força dos times dos magnatas



Continue Lendo