MLS atinge a maior receita da história



 

MLS, principal liga de soccer dos EUA, atingiu em 2015 a maior receita da sua história, US$ 602 milhões, segundo dados recentes publicados pela Forbes. O valor representa um crescimento de 31% em relação a 2014, quando a liga contava com dois times a menos. A entrada de Orlando City e New York City no ano passado contribuiu muito para o crescimento.

Desconsiderando o impacto da entrada das duas novas franquias, a evolução das receitas foi de 15%, mostrando que o novo contrato de TV ajudou muito no aumento do faturamento.

A chegada dos dois novos times fortes foi realmente importante. Ambos já chegaram à liga com duas das maiores receitas e valor de mercado entre os 20 times participantes.

O valor de mercado dos times da MLS atingiu US$ 3,7 bilhões. Ainda está muito distante das grandes ligas dos EUA, mas um crescimento impressionante.

Forbes começou a analisar os dados financeiros da MLS a partir de 2007. Naquele ano o valor de mercado da liga com então 13 times era de US$ 485 milhões e em quase uma década cresceu 665%!

Esse aumento mostra que sem dúvida a competição figurará entre as que mais faturam no mundo, mas terá que evoluir muito ainda. A distância da MLS é gigantesca em relação às ligas europeias e ainda é menor do que na comparação com os clubes brasileiros.

Em 2015, os 20 maiores clubes em receitas do Brasil geraram US$ 790 milhões. Neste valor não estão incluídas as transferências de jogadores.

O time que mais fatura é o LA Galaxy com receitas em 2015 de US$ 58 milhões. Na sequência aparecem Seattle Sounders com US$ 52 milhões, Portland Timbers US$ 39 milhões, Toronto FC US$ 38 milhões, New York City US$ 36 milhões e Orlando City US$ 36 milhões.

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Fonte: Forbes

Na prática excluindo os dois gigantes da Liga, LA Galaxy e Seattle Sounders, os demais faturam menos do que muitos clubes brasileiros recebem da TV.

Flamengo por exemplo faturou US$ 33 milhões com direitos de TV e suas receitas sem transferências em 2015 foram de US$ 88 milhões.

A explicação para isso é toda a engrenagem do negócio, completamente diferente do Brasil e os baixos valores da TV recebidos pela MLS. O modelo de liga nos EUA exige que cada time siga regras rígidas e há uma intensa busca para que o negócio prospere com equilíbrio entre as equipes, especialmente no dinheiro recebido da TV.

Atualmente a MLS divide US$ 90 milhões anuais entre suas equipes em direitos de TV, três vezes mais que o contrato anterior.

Um valor insignificante para a realidade global. Por isso está claro que a liga tem muito espaço para crescer. Há ainda ganhos coletivos com patrocínios da liga e os times podem explorar acordos comerciais e seus estádios.

Novas franquias ingressarão na MLS em Atlanta, Minnesota e Los Angeles e juntas com Orlando City e New York City injetarão na liga incríveis US$ 450 milhões.

Alguém duvida que passarão muito rapidamente os clubes brasileiros?

 

O segredo do sucesso atual são os estádios

A principal fonte de receita da MLS são os ganhos dos times com a exploração dos seus jogos.

Se o dinheiro da TV e os patrocínios não são tão elevados como na Europa e mesmo no Brasil, o mesmo não se pode dizer das receitas com estádios dos times da MLS.

Pelos meus cálculos as receitas com os jogos dos times representam mais 2,5 vezes as receitas de TV, algo inédito em todas as análises que já fiz sobre as ligas no mundo.

A média de público da competição já supera os 21,5 mil torcedores por partida, crescimento de 64% em relação ao registrado em 2000.

O líder em público é o Seattle Sounders com média de 44,2 mil torcedores por partida, seguido pelo Orlando City 32,8 mil, New York City 29 mil, Toronto FC 23,4 mil e LA Galaxy 23,3 mil torcedores por jogo.



  • vitor hugo Barbosa

    Prezado Amir,

    Estou pesquisando sobre a gestão dos clubes de futebol no Brasil. Como você é um pesquisador renomado desse tema há vários anos, estou entrando em contato, para que, se possível, você me indique algumas bibliografias, pesquisas e/ou autores sobre o tema. Quero fazer uma análise da MLS e da premier league.

    Obrigado!

  • Vicente Alves

    Atualização em Setembro de 2016. Sugestão de pauta de reivindicações do torcedor. 1. Alteração do estatuto das Confederações, Federações Esportivas , Comitês Olímpicos para , desde já, permitir a facilitação de livre criação de chapas para a concorrência a presidência por eleições periódicas, permitindo e aumentando o poder de votos para atletas, técnicos e clubes da série A, B, C, D. 2. Mais democracia nas séries A, B, C , D, do brasileirão, prevendo ascensão e descensão, até aos cinco primeiros e últimos de cada série , aumentando o valor econômico das séries B, C, D, induzindo mais patrocínios e interesses da mídia nacional e internacional. 3. Calendário de jogos o ano inteiro para clubes médios e menores, com possibilidade de campeonatos regionais de séries C e D do brasileiro, evitando altos custos, aumentando o interesse regional pelos campeonatos. 4. Formatação para estaduais de grande e médio porte, em ligas estaduais, e os de menor porte em ligas regionais, de acordo com ponderações, entre outras, por número de torcedores, retorno financeiro e meritocracia. É fundamental o apoio a clubes médios e menores, porque destes também surgem atletas de renome internacional. Apoio do Ministério do Esporte, empresas estatais patrocinadoras, Confederações e Federações para a criação de ligas independentes estaduais ou regionais para a melhor formatação destes campeonatos em mídia digital, gerando mais ativos e maior valorização dos eventos, com periodicidade no início de cada ano, em calendário harmônico com os campeonatos brasileiros das diversas séries A, B, C, D . 5. Combate ao monopólio e criação de horários acessíveis aos espetáculos esportivos. Critérios de licitações e contratações públicas, pelas Ligas Independentes, ou se inexistentes, pelas Confederações, com critérios de transparência de contratos entre clubes, centros de treinamento, atletas, outros, e empresas de televisão e mídia, evitando o monopólio de eventos de uma rede de televisão e mídia, em contratos com selecionados nacionais, clubes e centros de treinamento, atraindo a mídia nacional e internacional, patrocinadores, fundos de investimentos, outros, para investir em campeonatos , eventos esportivos, com horários de jogos e eventos acessíveis aos torcedores em arenas ou estádios, ginásios , bem como em mídia internacional, induzindo horário de conteúdo esportivo. 6. Exigência, pelo Ministério do Esporte, da criação de comitês de ética das modalidades esportivas, pelas Confederações, com critérios de combate a eventuais corrupções e desvios de valores recebidos ilegalmente por dirigentes, gestões fraudulentas, outros, com canal de diálogo das Confederações com clubes, atletas, técnicos, torcedores, imprensa, outros. 7. Apoio, pelo Ministério do Esporte, empresas estatais patrocinadoras, Comitês Olímpicos, Confederações e Federações do desporto, para a criação das ligas independentes, pelos clubes e entidades esportivas, com proteção a “NAMING RIGHTS” , de : segundo nome de clubes, nome de ligas, arenas, estádios, centros de treinamento e assemelhados, obrigando a divulgação dos “NAMING RIGHTS” em narrações de partidas ou eventos esportivos, induzindo investimentos privados nacionais e internacionais na gestão destes ativos , alterando-se o artigo 42 da Lei Pelé, 9.615/98. 8. Criação de lei ou legislação que possibilite aos clubes, entidades esportivas, centros de treinamento, atletas, outros, desde que idôneos, a emissão de títulos para o mercado de capitais (Bolsa de Valores), com lastro nos contratos desportivos dos atletas, a partir dos 16 anos, ou nos contratos de imagem e publicidade dos atletas, clubes, centros de treinamento e assemelhados. Pela modificação do artigo 29, parágrafo 4.o da Lei Pele, permitindo que os fundos de investimento em formação de atletas, possam, através dos clubes, entidades esportivas, centros de treinamento, outros, desde que idôneos, investir em auxílio financeiro, a partir dos 14 anos, ao jovem aprendiz atleta, induzindo também fomento a manutenções de Centros de Treinamento formadores do atleta. Criação pela legislação, de um fundo garantidor e securitizador para o investidor, em fundos de investimento em formação de atletas, prevendo um mínimo de ressarcimento, aos investidores, clubes, atletas, em caso de contusão definitiva do atleta, ou eventuais falências por gestões. 9. Alteração na Lei 10.891/2004, que prevê a Bolsa Atleta, para incluir a possibilidade de convênios com faculdades e outras instituições de ensino, clubes, centros de treinamento, ligas independentes, para a remuneração de técnicos e profissionais correlatos, fomentando a manutenção de Centros de Treinamento e a criação de novos, induzindo o investimento privado nacional e internacional no setor. Inclusão de exigência , na lei , de cadastro único de atletas, com disponibilidade e acesso público, organizados em banco de dados por modalidades, e dados de desempenho em eventos esportivos, induzindo investimentos privados na formação, por meio dos clubes, entidades esportivas, centros de treinamento, outros, atraindo potenciais investidores, para fundos de investimento , em mercado de capitais (bolsa de valores), com base em títulos lastreados em contratos desportivos ou de imagem dos atletas. 10. Criação das loterias esportivas e rede de apostas digitais, como importante fator de fomento às modalidades, clubes, entidades esportivas, centros de treinamento, ligas independentes, treinadores, atletas, induzindo a criação de ativos digitais, facilitando o investimento privado. Fim do monopólio da Caixa Econômica Federal para jogos de azar, criando, mediante concessões e licitações, oportunidades para empresas idôneas nacionais e internacionais de apostas, gerando dividendos a todo o setor esportivo nacional e mais renda , com mais impostos ao país, preservando, de forma análoga, os recebíveis pelas loterias, para diversas modalidades já previstas em lei . 11. Políticas para a formação e aperfeiçoamento de técnicos do desporto, com atividades e apoio de clubes, ligas independentes, centros de treinamento, e mediante convênios, com setor da educação, por instituições e ensino, universidades e outros. Critérios transparentes de seleção de treinadores de seleções nacionais em diversas modalidades, prevendo eleições com participações pelos clubes, ligas independentes e meritocracia. 12. Gestão digital dos campeonatos, jogos e eventos das diversas modalidades do desporto, facilitando o acesso popular , pela internet , ao torcedores, dos jogos dos clubes, e eventos esportivos, induzindo a criação de ativos digitais e plataformas de relacionamentos dos clubes e patrocinadores. Esta maior interação com o torcedor, criará e facilitará vendas de produtos de consumo relacionados aos clubes e ligas independentes, em diversas modalidades, incentivando a prática do esporte, bem como a indústria do entretenimento, fundamental neste século XXI. A criação de legislações metropolitanas para gerenciamento de conteúdo de mídia digital, para apoio a fidelização do torcedor e do praticante da modalidade esportiva, em locais públicos ou de concessão pública, como terminais urbanos, aeroportos, repartições públicas, outros, é fundamental para a criação de oportunidades de negócios relacionados ao esporte. 13. Criação de uma Agência Nacional do Esporte, fiscalizadora de licitações, contratos, negócios, gestões de clubes, entidades esportivas, federações, confederações, comitês olímpicos, evitando e combatendo abusos em estatutos, permitindo eleições livres e periódicas, mais democráticas e transparentes, com maior participação de clubes, atletas e técnicos do desporto. As entidades redundantes, com mesmo objetivo, poderiam ser aglutinadas na ANE, evitando a criação de cargos públicos inoperantes. Consequentemente inibirá desvios de conduta, nepotismo em gestões, e monopólios de mídia. A transparência induzirá mais investimentos privados nacionais e internacionais no setor desportivo, eliminando ruídos de eventuais indevidos favorecimentos políticos.

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