Miopia Olímpica



Os Jogos Olímpicos Rio 2016 terminaram. Sem dúvida foi uma linda festa do esporte mundial, como todas as Olimpíadas, afinal estamos falando do maior evento do planeta. Tivemos recordes, grandes emoções e decepções, como qualquer evento dessa magnitude.

Mas para os dirigentes do COB, especialmente o seu presidente Carlos Arthur Nuzman, que se perpetua no poder há duas décadas esse foi o melhor evento já realizado. Infelizmente essa é nossa dura realidade, uma verdadeira miopia olímpica.

Obviamente que o megaevento aconteceu, mesmo com inúmeras dúvidas sobre sua realização. Agora falar que foi impecável, histórico e único é um exagero do tamanho da falta de transparência e profissionalismo que assola o esporte nacional.

Basta ler um pouco sobre os problemas enfrentados por atletas e jornalistas estrangeiros para perceber que os nossos cartolas não expressam a realidade. Na minha opinião essa foi a primeira Olimpíada “café com leite” da história.

O que mais se falou e se escreveu foi que o evento foi a Olimpíada possível de ser realizada pelo Brasil. Sim é isso mesmo, por conta de nossa incapacidade gerencial, altos custos e muita arrogância o mundo deu um belo desconto para os problemas enfrentados.

Gastamos mais de R$ 40 bilhões para realizar uma Olimpíada e até o momento não se sabe o que vai acontecer com toda a estrutura no Parque Olímpico, um colosso que consumiu R$ 7 bilhões de recursos públicos.

parque_olimpico_-_olympic.org

Nesse momento os cartolas se deleitam em entrevistas, falando na primeira pessoa, como se fossem caudilhos, salvadores da pátria. O problema do Brasil é viver nessa miopia, acreditando no que amadores, com verbas públicas milionárias nas mãos falam, sem admitirem serem contestados.

É sempre bom lembrar que COB e as nossas Confederações vivem de verbas públicas. Nunca foram capazes de sustentar os esportes olímpicos com recursos privados. Se as estatais deixarem de patrocinar, acabou o sonho.

COB em 2015 gastou R$ 9 milhões em salários e outros R$ 26 milhões em despesas administrativas. Nenhuma Confederação recebeu valores parecidos. A entidade gasta R$ 35 milhões consigo mesma e repassou R$ 77 milhões para as Confederações.

Segundo pesquisa do Ibope 62% dos brasileiros acreditam que os Jogos Olímpicos trarão muito mais prejuízos do que lucros para o país. Na mesma pesquisa 57% dos entrevistados acreditam que a imagem do Brasil melhorou com o evento. Parece paradoxal, mas é a realidade do nosso país.

Em termos racionais foi um desperdício de dinheiro público e em termos emocionais uma linda festa que encantou o mundo. O problema é que o emocional logo passará e o que ficará é uma conta salgada para ser paga por todos, especialmente pela população fluminense.

 Medalhas caríssimas

Um dos pontos centrais do ufanismo atual do Brasil foi a melhora no quadro de medalhas. Conquistamos 19 medalhas, apenas duas a mais que nos Jogos de Londres 2012 mas gastamos muito mais para isso.

Entre verbas do ministério do esporte, patrocínio das estatais, recursos das loterias e verbas das forças armadas torramos inacreditáveis R$ 3,2 bilhões de recursos públicos nesse ciclo olímpico. Tudo isso para ficarmos em 13º no quadro geral de medalhas.

Reino Unido com muito menos dinheiro foi muito melhor que o Brasil, já que gastaram a metade dos recursos no mesmo ciclo olímpico.

A conclusão é clara: temos dinheiro, o que não temos é um projeto sério para a formação de atletas olímpicos. Nossos cartolas e o governo acreditam que estão fazendo o melhor para o país, mas na verdade não estão.

O alto rendimento precisa ser bancado pela iniciativa privada e liberar os recursos públicos para o esporte na base da pirâmide.

Está tudo errado!

 



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