Libertadores da América nunca será uma Champions League



As novidades divulgadas pela Conmebol com as mudanças para a Libertadores da América já em 2017 chacoalharam o futebol sul-americano. A entidade que comanda o futebol do continente, mais uma vez mostrou como as coisas funcionam sob sua administração.

A entidade estava muito pressionada pelos grandes clubes de diferentes países, que insatisfeitos com a Libertadores ameaçavam criar uma nova liga sul-americana sem sua participação.

E a Conmebol começou a agir. Há algum tempo dobrou o pagamento pelos jogos em casa dos clubes, uma espécie de presente para agradar aos insatisfeitos. Agora decidiu fazer com que a competição seja mais longa e acompanhe toda a temporada dos times, já em 2017.

De uma hora para outra decidiu mudar as regras em meio às competições nacionais. O objetivo é agradar aos clubes e abafar a crise atual. Isso não surpreende, já que a falta de transparência, má gestão do produto e impunidade são adjetivos comumente associados à Conmebol.

Por isso a Libertadores que fatura US$ 25 milhões por ano, definha como produto. Essas alterações visando calar os clubes insatisfeitos não colabora em nada com o desenvolvimento da competição.

O foco deveria ser uma alteração total em sua forma de administrar o futebol sul-americano, abrindo seus contratos, passando aos clubes e a mídia uma mensagem de mudança efetiva. O único caminho seria um novo projeto para a Libertadores, mas nunca em meio às competições nacionais.

No caso do Brasil com 76% dos jogos da Série A já realizados, um completo absurdo!

Mas como esperar mudanças da entidade que altera as regras no meio da temporada, sem nem ao menos se preocupar com o efeito esportivo que isso causa. Nem um pouco diferente de como age em casos de erros de arbitragem, violência nos estádios e campos inapropriados para o futebol profissional.

Champions League gera US$ 1,6 bilhão por temporada, 75% desse valor chega aos clubes e todos sabem quanto vão receber, tudo às claras. Somente os direitos de TV, movimentam US$ 1,3 bilhão. UEFA foi obrigada a se profissionalizar para acompanhar a evolução da gestão dos clubes.

Os times europeus se uniram não apenas por mais vagas ou dinheiro, mas por transparência, organização e punição a quem infringir as regras. A entidade foi obrigada a melhorar.

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Ao que parece os clubes sul-americanos gostaram das mudanças e estão satisfeitos. Afinal como exigir alterações profundas na Conmebol, se seus filiados espalhados pelo Continente são administrados em geral pessimamente e sem perspectivas de melhora.

A Libertadores nunca será uma Champions League. Nossa competição sul-americana representa 2% da maior competição de clubes do mundo. Esse abismo inacreditável somente é ocorre por conta da gestão do futebol por aqui.

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A imagem da Libertadores, somado a como é administrada a principal competição de clubes da América do Sul é a simbologia perfeita do subdesenvolvimento do futebol no continente.

Valores da Libertadores são irrisórios para os brasileiros

A Libertadores gera talvez R$ 85 milhões por ano com TV. Uma parte que ninguém sabe até hoje, chega aos times. Em 2015, quase 10 clubes brasileiros faturaram com direitos de TV mais que a Conmebol com a Libertadores.

O mercado de direitos de TV de clubes de futebol no Brasil já supera R$ 1,6 bilhão. Alguns grandes clubes já ultrapassaram a barreira dos R$ 100 milhões por ano com TV e estão caminhando rumo aos R$ 200 milhões.

Flamengo, nos primeiros seis meses de 2016 já faturou R$ 114 milhões com direitos de transmissão.

A competição Sul-Americana representa muito pouco para os times no Brasil. O impacto é apenas esportivo e os reflexos na bilheteria e patrocínios.



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