Leicester City e o poder do dinheiro da TV



Um pequeno clube da cidade de Leicester na Inglaterra com pouco mais de 337 mil habitantes está despertando o interesse do mundo do futebol. Afinal a façanha não é pequena. Com um faturamento de £ 104 milhões figura no topo da classificação da Premier League e rumo ao título.

O Leicester simplesmente está 11 pontos à frente do Arsenal que fatura £ 331 milhões, 15 pontos do Manchester City com receitas de £ 353 milhões e 16 pontos a mais que o poderoso Manchester United e seus £ 395 milhões.

O futebol já viveu em diferentes países essa realidade de times pequenos campeões, mas em geral em competições de mata-mata, não nos pontos corridos. É muito difícil que um time com baixo orçamento, consiga disputar em pé de igualdade com times gigantes com orçamentos até quatro vezes o seu.

Falando em Premier League isso parece ainda mais incrível, já que a liga conta com pelo menos 5 clubes realmente gigantes com orçamentos acima de £ 300 milhões por ano.

O sucesso do Leicester pode ser explicado por dois fatores: A melhora dos valores recebidos com a TV, desde o acesso à primeira divisão em 2014 e as possíveis punições do fair Play Financeiro que o time corria o risco de levar da UEFA por má gestão.

Ao chegar à Premier League o time do magnata tailandês Vichai Srivaddhanaprabha, que faturava £31 milhões na segunda divisão viu os recursos subirem para £ 104 milhões em 2015. O time ficou na 14ª posição e recebeu £ 72 milhões da TV.

O time se beneficiou do alto valor recebido da TV pelos times da Premier League. O valor recebido em 2015 representa 69% do seu faturamento. O Chelsea foi o que mais recebeu, £ 99 milhões, mas o valor representa apenas 33% de suas receitas, na sequência o Manchester City com £ 99 milhões, 28% das receitas e o Manchester United £ 97 milhões recebidos, 25% de representatividade.

          Temporada 2014-15Leicester X gigantes

O sucesso do Leicester é fruto dessa divisão igualitária dos recursos da TV feita pela Premier League. O uso desses recursos de forma eficiente pode fazer a diferença, quando os valores são altos. E essa comparação com gigantes ingleses comprova o feito do Leicester. Já que boa parte do seu orçamento é proveniente dos recursos da TV.

A realidade financeira recente do clube não era boa. Os gastos estavam descontrolados e uma possível punição da UEFA por custos acima do orçamento, poderiam causar um sério dano no seu projeto esportivo. Assim na temporada 2014-15 enquanto os gastos salariais atingiram £ 57 milhões, frente aos £ 36 milhões do ano anterior, as outras despesas operacionais caíram 40%, passando de £20 milhões para £12 milhões.

Até o acesso a Premier League, o Leicester gastava mais em salários do que faturava, um descontrole completo, que gerava prejuízos a cada temporada.

Sem título

 

Lucros Prejuizos Leicester

Com isso o time de sucessivos prejuízos, conseguiu organizar suas finanças e de forma surpreendente conquistar a liderança no campeonato inglês. O êxito do Leicester quebra todas as regras financeiras já realizadas e pode ser explicado pelo projeto esportivo criado e pela busca da saúde financeira. Ambos parecem ser tão, ou mais importantes que ter altos salários.

Sonho distante

O sucesso do time inglês produziu uma cena inusitada nas redes sociais. A Chapecoense via Twitter convidou o Leicester para uma partida no Brasil. E a resposta foi positiva. Embora o Leicester esteja à frente na Primer League, é, muito difícil imaginar o mesmo ocorrendo com a Chapecoense na Série A. A Chape faturou R$ 34 milhões em 2014, e gastou “apenas” R$ 14 milhões em salários. Esse valor anual não representa 2 meses de salários de boa parte dos grandes times brasileiros. Se no Brasil tivéssemos um modelo de divisão do dinheiro da TV mais justa, como na Inglaterra, o clube catarinense não receberia os atuais R$ 23 milhões da TV, mais sim R$ 60, ou R$ 70 milhões. Nesse cenário as chances de conquistar o título da Série A aumentariam muito. Atualmente a TV representa 67% de suas receitas.

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