Invasão chinesa assusta o futebol brasileiro



Minha coluna para o Lance! de hoje.

O recente desmanche do Corinthians perdendo seus jogadores para o mercado chinês literalmente assustou o futebol brasileiro. A invasão chinesa no nosso futebol não é recente e ficou mais evidente com a contratação dos melhores jogadores do atual campeão brasileiro.

O Governo chinês decidiu que o futebol é uma questão de estado desde o foco nos aspectos do futebol nas escolas e sua pratica amadora como em seus times profissionais. O atual mandatário da China quer o país no centro do futebol mundial. Os times, em geral são de propriedade de grandes magnatas de suas regiões e o dinheiro para contratações e altos salários são abundantes.

A Liga já ultrapassou a barreira de 22 mil torcedores por partida. Aqui nossa média é a 13ª do futebol mundial com 17 mil torcedores por jogo.

Atualmente 25 jogadores brasileiros disputam a primeira e segunda divisão. Quando um grupo chinês comprou o CT do Desportivo Brasil de propriedade da Traffic poucos se deram conta da expansão chinesa no Brasil.

O apetite da China pelo nosso futebol parece o movimento da década de 1990 em que o gigante asiático quebrou a pequena e média indústria nacional, com seus preços baixíssimos. Parece que nosso futebol ainda não entendeu o que significa a força do dragão chinês.

 

Os clubes brasileiros debilitados financeiramente e dependentes dos empresários e fundos de investimento se transformaram em alvo fácil desse novo dinheiro asiático. Com a cotação do dólar passando de R$ 4,00 fica ainda mais difícil suportar a pressão.

O fato real é que a China, um mercado incipiente do futebol, por seu poderio econômico pode levar os jogadores brasileiros a hora que quiser. A crise do futebol brasileiro chegou a tal ponto, que os nossos melhores atletas em atividade no Brasil não se preocupam mais se vão ou não para a seleção. Preferem sumir na China com muito dinheiro na conta bancária sem esboçar qualquer interesse em ficar no Brasil.

O torcedor brasileiro que fica indignado deveria se questionar por que somos tão vulneráveis? A direção dos clubes e a CBF são os responsáveis por essa situação. As baixas receitas, o descontrole orçamentário e enormes dívidas são os causadores de sofremos tanto de mercados cada vez mais inexpressivos no mundo do futebol.

Somado a isso temos competições desorganizadas e desvalorizadas, violência das torcidas organizadas e a falta de perspectiva de mudança por quem está no comando da CBF que inviabiliza qualquer mudança nesse cenário exportador de pé de obra.

O único caminho é investir na base, deter 100% dos diretos econômicos dos novos ídolos que surjam e mantê-los por muitos anos no Brasil. A sustentabilidade do futebol brasileiro depende dessa mudança, em que a permanência do craque é muito mais rentável que sua transferência.



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