Ineficiência da gestão dos recursos no futebol



O futebol brasileiro vive uma crise financeira profunda, por falta de receitas e descontrole dos custos. Somando a isso temos em vigência uma nova legislação, o Profut, que exige controle dos gastos, redução progressiva dos déficits e pagamento em dia das dívidas.

Nesse momento vem a reflexão: Se nossos clubes estão gastando em um nível muito acima do que deveriam e o desempenho está péssimo, como evoluiremos reduzindo custos?

A resposta está em um conceito fundamental de gestão, a eficiência.  As empresas ao longo de décadas buscaram incessantemente melhorar seus índices de eficiência, para reduzir custos e elevar lucratividade.

Transportando essa realidade para nossos clubes fica claro o baixo nível de eficiência na gestão dos recursos com futebol. Segundo meu último estudo sobre as finanças dos clubes brasileiros, as receitas em 2014 dos 20 maiores times do Brasil atingiram, R$ 3,1 bilhões, o mesmo valor desde 2012.

Os custos com o departamento de futebol desses mesmos clubes atingiram R$ 2,4 bilhões, ou 78% do faturamento.

Isso significa que praticamente 80% de tudo que os clubes arrecadam é direcionado para o futebol, com baixíssimo retorno esportivo, comercial e financeiro.

A ineficiência na gestão dos recursos fica clara quando identificamos os erros cometidos em geral por falta de indicadores de desempenho fundamentados. Literalmente as decisões são pelo inaceitável “ tentativa e erro”.

Os clubes gastam de forma ineficiente, pagam caríssimo para jogadores e treinadores, investem muito em atletas que não produzem retorno, vendem direitos econômicos que no futuro poderiam produzir ganhos substanciais, gastam orçamentos futuros deixando sucessores sem recursos, enfim uma realidade absolutamente ineficiente.

Um ótimo indicativo é analisar os times que mais gastam com futebol no Brasil. Em 2014, o primeiro colocado foi o Corinthians com R$ 238 milhões, seguido do São Paulo com R$ 235 milhões, Palmeiras R$ 202 milhões, Cruzeiro R$ 193 milhões, Internacional R$ 193 milhões e Atlético-MG com R$ 190 milhões.

Quando analisada a qualidade do futebol, o desempenho dos times e o retorno comercial está claro que se gasta demasiado. Isso significa que os clubes poderiam e deveriam reduzir drasticamente seus custos, mantendo a qualidade e o desempenho, graças a eficiência na aplicação dos recursos.

O Corinthians fechou 2014 com déficits de R$ -97 milhões, o São Paulo R$ -100 milhões. O Palmeiras com perdas de R$ -28 milhões, Cruzeiro R$ -39 milhões, Internacional R$ -49 milhões e Atlético-MG R$ -48 milhões. Esses 6 clubes que mais gastam com futebol fecharam o ano com perdas de R$ -361 milhões.

Custos com Futebol e Déficits

custos futebol 2014

Os números comprovam a total ineficiência do nosso modelo. Para piorar os clubes mantém um ciclo de venda dos melhores atletas para o exterior. E essas vendas, volumes astronômicos ao longo de anos, acabam sendo usados para custos do dia a dia, investimentos caros e com baixo retorno.

O Internacional, por exemplo, foi o clube brasileiro que mais faturou com transferências de atletas no Brasil. De 2003 a 2014 o Colorado gerou receitas de R$ 636 milhões com suas transferências, o São Paulo foi o segundo com R$ 522 milhões recebidos, Corinthians o terceiro com R$ 393 milhões recebidos e o Santos o quarto com R$ 352 milhões.

Somente em transferências nos últimos 12 anos os clubes brasileiros arrecadaram mais de R$ 5 bilhões.

Todo esse volume de dinheiro escoou dos seus cofres. Nesse ambiente ineficiente, viciado e deficitário.

Se quisermos mudar, precisamos implementar definitivamente nos clubes modernas técnicas de gestão por indicadores, focados em gerar mais retorno para cada real gasto no futebol. 



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