Futebol espetáculo é mais importante que as transferências de jogadores



Neste momento que estamos vivendo mais uma janela de transferências, com jogadores sendo contratados a peso de ouro, muitas pessoas acreditam erroneamente que este é o mais representativo segmento da Indústria do Futebol.

Especialmente no Brasil criou-se a tese que a venda de atletas é o principal fator para o desenvolvimento do nosso mercado.

E é exatamente por teses erradas como essa, que nossos clubes estão na segunda, terceira divisão do futebol mundial.

Mesmo com a evolução do nosso mercado, os clubes brasileiros permanecem acreditando que o melhor a fazer é formar jogadores e vendê-los para o mercado internacional, muitas vezes por valores baixíssimos.

Para piorar os times nem ao menos ficam com 100% dos valores, já que cederam antes à empresários os direitos econômicos dos atletas. Isso mostra como estão atrasados na gestão de seus negócios, viraram barrigas de aluguel de jogadores de empresários. Enfim, está tudo errado!

O mercado global de transferências segundo dados da FIFA movimenta US$ 5 bilhões por ano.

Um valor insignificante na comparação com o que se fatura com o futebol espetáculo.

O futebol é o esporte que mais movimenta dinheiro no planeta. Segundo cálculos da empresa AT Kearney cerca de 43% de toda a movimentação do esporte mundial fica com o futebol.

A espetacularização do futebol, com seus direitos de TV, patrocínios, licenciamentos, gastos nos estádios e apostas movimentam mais de 20 vezes o que se gasta com transferências.

Se incluirmos a venda de produtos no varejo a diferença é ainda maior.

Portanto, o total movimentando pelos times na compra e venda de jogadores é insignificante na comparação com o que se fatura com suas marcas e o espetáculo em si. Os atletas são contratados exatamente para fomentar as outras receitas.

É óbvio que se os clubes brasileiros quiserem evoluir terão que mudar a forma como lidam com as transferências.

Deixar de ser exportador de pé de obra é o único caminho para valorizar marcas, vender produtos, lotar estádios e atrair patrocínios.

Repito isso desde 2001 quando comecei a trabalhar com futebol no Brasil. depois de uma temporada de estudos na Europa. E infelizmente pouco evoluímos desde então.

Ídolos são essenciais para o negócio

Quando um clube europeu vende um jogador, até contabilmente os valores são registrados de forma diferente do padrão brasileiro.

Na Europa a transferência de um atleta é considerada como receita não operacional e, portanto, não é parte do faturamento do clube.

Isso significa que não é somada com as receitas de patrocínios, licenciamento, estádios e TV. Isso mostra a diferença na essência, já que o foco do clube não é vender jogadores e sim o espetáculo. Até a contabilidade lá está adaptada a essa realidade!

Quando um time vende um atleta o recurso é utilizado para a aquisição de outro jogador. A lógica é exatamente essa. A perda de ídolo exige na hora uma reposição.

Todo o negócio do clube depende dessa visão.

Ídolos são a mola propulsora de todo o negócio.

Por exemplo, para o Barcelona é mais importante manter Messi no time do que receber sua multa rescisória, por mais alta que ela seja.

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A presença de um craque vai muito além dos gols e jogadas desconcertantes que ele possa fazer. É decisivo no fortalecimento da marca, aumento de torcedores, estádio lotado e mais patrocinadores, especialmente com foco no mercado global.

Enquanto isso, os clubes brasileiros preferem continuar sucateando nosso mercado, sem uma liga forte e competições valorizadas.

Sua gestão amadora e em muitos casos irresponsável é financiada pela venda precoce de jovens talentos.

Esse ciclo vicioso apenas serviu para manter nosso mercado limitado e subdesenvolvido.



  • Marcos Henrique Martins Marque

    Vamos dar uma olhada também em termos continentais e outros países aqui na América do Sul vivem um futebol em condições piores. O caso do Uruguai é emblemático, pois tem até propaganda nos jogos comparando o fato de o país vender muitos jogadores com a moto de marca tal que vende muito no país. Achei horrível aquela peça publicitária, pois esta maneira de pensar futebol não está impregnada nos clubes pequenos, mas em Nacional e Peñarol.
    Enquanto os times de lá morrem de fome vendendo jogadores à preço de banana, o futebol local começa a sentir a perda de interesse do público. Claro, basta colocar a final do Torneo Intermedio que aconteceu semanas atrás para ver a pobreza do futebol jogado entre Defensor e Nacional. Deu sono tamanha falta de qualidade dos dois times, principalmente do Nacional, amigo!

    O futebol local então perde a capacidade de fidelizar seus torcedores e vai perdendo espaço para os jogos dos clubes europeus que também tem os melhorea jogadores uruguaios. Uma pena!

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