Finanças da CBF



A CBF encerrou o ano passado com a maior receita da sua história, atingindo R$ 556 milhões gerados. Nesse valor estão incluídos os R$ 37,6 milhões em receitas financeiras. Há ainda ganhos com variação cambial de R$ 27,5 milhões, que impactaram em seu resultado financeiro positivo.

O crescimento das receitas de apenas 3% em comparação com 2014 é seu pior desempenho desde 2007. As receitas com patrocínio sofreram queda de 6%, passando de R$ 359 milhões em 2014 para R$ 340 milhões em 2015.

As fontes que mais cresceram em novos recursos foram as financeiras +80%, as eventuais com +152% e os direitos de transmissão com aumento de 15%. As taxas cresceram 42% e licenças e transferências +19%.

receitas cbf

 

fontes receitas cbf

A entidade expôs uma nova apresentação contábil dos números referentes aos custos e despesas em 2015. Os dados estão mais abertos, o que mostra transparência nas informações, algo extremamente positivo.

Por outro lado, consolida vários números como custos diretos do futebol, muitos bastante questionáveis.

Analisando os dados do balanço da CBF fica a sensação que a entidade investe a maior parte dos seus recursos no futebol e não com despesas administrativas e pessoal. Em 2015 as despesas administrativas e pessoal atingiram R$ 190 milhões, um número elevadíssimo.

Já os custos diretos do futebol, segundo essa nova classificação foram de R$ 226 milhões, com inúmeras fontes, de características bastante diferentes. Há muitos valores que não deveriam ser considerados custos direitos de futebol.

CUSTOS CBF

Por exemplo, são considerados custos de futebol as contribuições às Federações, as famosas mesadas. Nada menos que R$ 20 milhões no ano passado e R$ 40 milhões nos últimos dois anos.

Custos direitos futeobl cbf

CUSTOS FOMENTO ESTADOS

Os custos diretos da entidade, segundo minha análise seriam de R$ 162 milhões em 2015 e não de R$ 226 milhões. Além dos gastos com seleções, somente consideraria mais R$ 55 milhões em custeio das Séries A, B, C e D; e os R$ 4 milhões da Copa do Brasil de futebol feminino.

Nesses últimos 13 anos a CBF acumulou lucros de R$ 494 milhões. E desde 2007 quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa de 2014, o lucro acumulado atingiu R$ 506 milhões.

Lucros cbf

O balanço da entidade máxima do futebol nacional ainda mostra R$ 227 milhões em 2015 em caixa e bancos, com liquidez imediata. Em 2014 era R$ 124 milhões. A CBF gastou inacreditáveis R$ 1,4 bilhão entre 2003 a 2015 em despesas com pessoal e administrativas. E mesmo assim enriqueceu muito.

Reflitam e se perguntem: Qual o bem que esse dinheiro todo faria ao futebol brasileiro, em um projeto estratégico, como ocorreu na Alemanha?

                                                                                                                            

O outro lado

O mundo bem diferente dos clubes

Se a CBF vive uma situação financeira confortável, o mesmo não podemos dizer dos clubes. Suas receitas cresceram em 2015, mas sem a ajuda do PROFUT, teriam fechado com prejuízos de mais de R$ -500 milhões. O superávit do ano passado foi de R$ 173 milhões. Em 2014 as perdas ultrapassaram R$ -600 milhões.

Os clubes de futebol do Brasil desde 2007, quando o Brasil foi escolhido como sede da Copa do Mundo, acumulam perdas de R$ -2,6 bilhões. Desde 2003 os prejuízos somados já atingem R$ -3 bilhões. Além da má gestão dos nossos clubes, outros fatores também contribuem para essa situação.

O baixo desenvolvimento do mercado, com competições desvalorizadas e pouca repercussão internacional, papel que caberia a CBF, não é feito.

Além disso, a entidade fica com receitas que poderiam estar nos clubes. O Flamengo, time que mais fatura com patrocínios no Brasil gera R$ 85 milhões com seus contratos, frente os R$ 340 milhões da CBF.

cbf x clubes 1

O próprio clube da Gávea tem apenas R$ 27 milhões em caixa e bancos. Outros exemplos: São Paulo R$ 11 milhões, Palmeiras R$ 2 milhões, Fluminense R$ 1,3 milhão, Corinthians R$ 752 mil, Santos R$ 545 mil e Grêmio R$ 451 mil.

comparação caixa e bancos

Os 12 maiores clubes brasileiros somados tinham em dezembro de 2015 um total de R$ 67 milhões em caixa, enquanto a entidade máxima do futebol brasileiro R$ 227 milhões.

Que os clubes pensem nisso na próxima eleição da CBF!



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