Final única da Libertadores é um erro



A Conmebol decidiu que a partir de 2019 a Libertadores da América terá final única, exatamente como ocorre com a Champions League e com o Super Bowl.

Muitos acharam o máximo, uma tal adequação da nossa principal competição continental ao que de mais moderno ocorre no mundo do esporte.

Infelizmente não é. A Conmebol tem uma infinidade de problemas para solucionar com a Libertadores da América e nunca traçou um plano concreto para resolvê-los definitivamente.

A Libertadores é sinônimo de muita coisa negativa. Uma violência constante e vergonhosa, estádios caindo aos pedaços, gramados que mais parecem pastos, baixo público nos jogos, reduzido apelo global da competição, valores baixos pagos aos times, arbitragens sofríveis são somente alguns destes fatores.

Mas como arrumar tudo isso leva tempo, dá trabalho e a entidade sempre teve enorme dificuldade de resolver cada um de seus problemas, acabou mesmo mudando o formato da final, em jogo único, em campo neutro.

Nem NFL, nem UEFA são potências globais por conta de sua final única.

Elas são gigantes graças a sua impecável organização, apelo comercial global, apoio de grandes marcas patrocinadoras e gigantesca remuneração aos times participantes. A final em jogo único é apenas a cereja deste grande bolo.

No caso da Libertadores implementar as mudanças pela final é simplesmente iniciar este processo de reestruturação pelo fim.

Isso significa que ao invés de mexer no que interessa, muda-se o formato da final para mostrar certa modernidade.

Não há nada de moderno em mudar o fácil e deixar como está o difícil. Já imagino a final única com policiais protegendo o batedor de escanteio com seus escudos. Ou os times e torcedores chegando para a partida e sendo atacados com paus e pedras.

É isso que deveria miudar, e não o formato da final. Nesse momento ninguém está falando de todos os problemas da competição, e da falta de uma gestão eficiente e qualificada. Mas infelizmente somente se fala na tal final única.

E para piorar, já se ventila que em 2019 a final única seja em Lima, no Peru. Nada contra esse maravilhoso país andino, mas isso é a cara da Conmebol. 

Se quer fazer como a UEFA, tem que abrir para essa possibilidade de final única em uma concorrência entre diferentes cidades, onde cada uma mostre o que tem de melhor, sua estrutura, seu impacto econômico e principalmente o valor agregado para a competição.

Tudo isso com regras claras, de forma transparente e seguindo rígidos pré-requisitos.

Fica a sensação que mais uma vez será um negócio entre amigos, como tudo que ocorre com a entidade máxima do futebol sul-americano.

Sempre defenderei mudanças positivas que visem a modernização das estruturas carcomidas do futebol da América do Sul.

E seguramente essa final única é um belo engodo criado pela Conmebol para não mudar o que realmente importa.

 Champions garante € 1,3 bi aos times

A última edição da Champions League pagou um total de €1,3 bilhão aos times.

Embora a grande final movimente muitos recursos e tenha um impacto econômico alto para a cidade anfitriã, o maior ganho dos times está exatamente no poder comercial da competição como um todo e não na final.

O campeão do ano passado, Real Madrid recebeu cerca de € 81 milhões no total, sendo cerca de 20% deste montante pelo título.

Já a Juventus vice-campeã, faturou €110 milhões, sendo apenas 10% por estar na grande final única.

O time que menos recebeu da fase de grupos foi o Dinamo, que levou € 16,9 milhões, mais que o campeão da Libertadores.

Portanto muito mais importante que uma final única é que a competição seja bem gerida, alavanque as receitas e pague bem aos times.

Exatamente tudo que a Libertadores não é!



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