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FIFA está no prejuízo



A entidade máxima do futebol mundial, FIFA, apresentou recentemente seu relatório financeiro e os resultados não são nada positivos. A entidade encerrou 2017 com prejuízos de US$ -192 milhões, frente aos US$ -369 milhões de perdas em 2016.

Isso significa que em dois anos os prejuízos da FIFA ultrapassam inacreditáveis US$ -561 milhões. Desde o fim da Copa de 2014 no Brasil, o acúmulo de prejuízos já soma US$ -683 milhões.

Muitos afirmam que esses prejuízos somente são consequência do novo formato de contabilização de seus balanços. Realmente a entidade mudou a forma de contabilização, assim entre 2015-2018 vai faturar US$ 5,6 bilhões, sendo US$ 3,9 bilhões em 2018.

A perspectiva muito otimista da FIFA é encerar este ciclo de quatro anos com US$ 100 milhões de lucro. Uma ninharia perto de seu passado riquíssimo.

Para isso ocorrer terá que faturar muito e controlar os custos, já que terá que reverter quase US$ 700 milhões em perdas.

Após a Copa do Mundo no Brasil e as denúncias de corrupção com a Copa de 2022 no Catar, a FIFA enfrentou a maior crise de sua história recente. Joseph Blatter, o todo poderoso presidente da entidade foi obrigado a renunciar em 2015, após forte pressão dos patrocinadores.

A atual gestão tenta de todas as formas minimizar tudo que ocorreu desde então, mas a verdade que a entidade nunca mais foi a mesma.

Os pesados prejuízos são reflexo da falta de credibilidade de uma organização que mesmo com as mudanças em seu comando, permanece com uma imagem nada transparente.

Se o futebol mundial tem uma péssima imagem perante à opinião pública mundial, muito disso é reflexo deste modelo obscuro praticado pela FIFA.  E isso acaba refletindo em outras organizações esportivas pelo mundo também, como aqui na CBF.

Segundo o relatório da FIFA, assim que acabar a copa da Rússia todos os olhos de voltarão para o Catar. Uma ditadura sanguinária que está no epicentro de toda a sua crise atual. Infelizmente a FIFA seguiu um caminho pouco inteligente na escolha das sedes de seu principal evento.

A sequência: África do Sul em 2010, Brasil em 2014, Rússia em 2018 e Catar em 2022 são um claro indicio de como os impactos de países com alta corrupção, pouco profissionalismo e nenhuma transparência, afetaram sua credibilidade e suas finanças.

Se hoje a FIFA sofre financeiramente, isso tudo é resultado de suas próprias escolhas, e este modus operandi que não privilegia em nada as boas práticas de gestão corporativa.

Empresas como Adidas, Coca-Cola, Hyundai e Visa são obrigadas a verem suas marcas atreladas ao que há de pior em termos de gestão esportiva.

A Copa do Mundo que deveria significar apenas festa e alegria, carrega consigo a imagem de corrupção, má gestão de recursos públicos e até mortes como no caso do Catar.

Por mais que o atual presidente da FIFA tente passar uma mensagem de tranquilidade, as perdas financeiras da entidade são a prova que seus problemas estão bem longe do fim.



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Autor

Amir Somoggi

É administrador de empresas formado pela ESPM, especializado em gestão esportiva pela FGV e pós-graduado em marketing esportivo pela Universidade de Barcelona. Mais de 19 anos de experiência na área de marketing, sendo os últimos 15 anos totalmente dedicados a projetos de consultoria em marketing, gestão e planejamento estratégico para clubes, patrocinadores e investidores do esporte. Foi responsável na última década em estudar e avaliar o mercado brasileiro de clubes de futebol com a produção de centenas de estudos sobre as finanças e o marketing dos clubes brasileiros e internacionais.