Entendendo as finanças dos clubes brasileiros em 2016



Publiquei nessa semana meu estudo anual sobre as finanças dos clubes brasileiros no exercício de 2016.

Apresento uma análise completa, dividida por temas.

Receitas

Os 20 times com maiores receitas do Brasil atingiram receita recorde, quase que exclusivamente pelo crescimento das receitas provenientes dos direitos de TV.

O faturamento conjunto foi de R$ 4,9 bilhões evolução de 30% na comparação com 2015.

Evolução das receitas- 20 times – R$ milhões

20 times

A forte evolução das receitas em 2016 está diretamente associada ao aumento dos recursos provenientes dos direitos de transmissão, especialmente pelo registro integral das luvas recebidas pelos contratos de 2019-2024.

Os direitos de TV passaram de R$ 1,4 bilhão em 2015 para quase R$ 2,5 bilhões em 2016, o que representa uma evolução de 76%.

Sem as luvas o dinheiro da TV vai cair em 2017, por isso é tão maléfico para os clubes registarem esse valor de forma integral e antecipada.

Os direitos de TV representam atualmente 51% das receitas.

Os patrocínios cresceram apenas 8%, transferências de atletas somente 5% e social e amador 8%. A bilheteria sofreu retração de 14%.

Receitas

                                    Participação das fontes de receitas de cada time- Em %

Particiação fontes

Custos com futebol

Em 2016, os custos com futebol dos clubes analisados atingiram R$ 2,9 bilhões, crescimento de 9,1% em relação a 2015, quando os custos foram de R$ 2,7 bilhões. Em 2014 o futebol consumiu R$ 2,4 bilhões.

Esse valor de 2016 representa 60% das receitas geradas. Em 2015 o indicador era de 72% e em 2014 foi de 78%.

Essa melhora no índice está diretamente ligada ao aumento das receitas de TV, sem que houvesse uma profunda ampliação dos custos com futebol.

Desde 2003 os custos com futebol subiram 614%, enquanto as receitas 645%. A inflação acumulada do período foi de 133,4%.

custos

Essa é a participação dos custos com futebol sobre a receita total.

futebol sobre o total

Superávits / Déficits

Os clubes fecharam com uma melhora contundente em seus resultados líquidos, passando um superávit de R$ 173 milhões em 2015 para R$ 435 milhões em 2016.

Se em 2015 os superávits foram alcançados pelos valores recebidos por conta do PROFUT., em 2016 esse resultado positivo somente foi possível graças ao registro integral e antecipado das luvas da TV.

Somente conheceremos a real dimensão da situação financeira dos times em 2017, quando não haverá mais impactos extraordinários que inflaram os números.

Nos últimos 2 anos, os 20 clubes tiveram superávits de R$ 608 milhões. Nos últimos 5 anos os déficits acumulados foram de R$ -386 milhões e desde 2003, as perdas somam R$ -2,5 bilhões.

Sem os impactos do PROFUT em 2015 e das luvas em 2016 a real situação financeira do futebol brasileiro seria completamente diferente da registrada nos últimos dois anos.

Superávits / déficits- Ajustados Em R$ milhões

superavits

Dívidas

As dívidas dos clubes analisados em 2016 atingiram R$ 6,2 bilhões, uma redução de 2% em comparação com 2015. As dívidas veem apresentando queda desde 2014.

Desde 2003 as dívidas aumentaram 525%, muito acima da inflação do período que foi de 133,4%.

Evolução das dívidas – 20 maiores clubes brasileiros – Em R$ bilhões

Dívidas

Este é o ranking das dívidas em 2016 e seu histórico nos últimos 6 anos .

Dividas

E essa a comparação do crescimento das dívidas em relação a inflação acumulada de 2001 a 2016.

Evolução das dívidas X inflação acumulada – 2011 a 2016

divida inflação

2017, o ano da verdade

Os números positivos dos clubes brasileiros em 2016  não devem ser utilizados como uma nova realidade do mercado.

Somente em 2017 saberemos, sem o impacto das luvas da TV a real situação do mercado.

Em minha opinião será o ano da verdade, com números negativos voltando a aparecer.

Agora nos resta esperar!



  • Tião Mocotó

    Esse estudo é tendencioso e não tem credibilidade, pois considerou a arrecadação com bilheteria de todos os clubes, menos a do Corinthians (1 milhão de torcedores por ano).

    Se a arrecadação do Corinthians vai para pagar o estádio, isso é problema do clube, cada um gasta como quer. Não deixa de ser receita e deveria entrar no estudo.

    Moral da história: em condições iguais (somando a arrecadação de bilheteria) o Corinthians é o primeiro disparado com maior receita.

    • Jéssica Paranhos

      Robesvaldson, para entrar no estudo, tinha que está no balanço do clube e não está. Se houve algum erro de contabilização, foi do Corinthians.

  • MALOQUEIRO !!!
  • MALOQUEIRO !!!

    PEQUENOS ANÕES VERDES DE SP COM A ESTELIONATÁRIA CREFISA NÃO CONSEGUE SUPERAR A MARCA CORINTHIANS!!!! Chupa

  • Eduardo Pires Del Picchia

    Se vc tira as luvas do futebol, que não tem todo ano e o Palmeiras não registrou e vai fazer o correto, distribuir pelos 2 anos antes do contrato iniciar em 2019, mostrando um faturamento uniforme e sem altos e baixos, vc percebe que a situação do Palmeiras é a melhor e a mais sustentável, com fontes de receitas sólidas e bem distribuídas. Em 2017 o faturamento apenas de quem não lançou, incluindo o São Paulo, irá subir, Será a realidade, sem essa camuflagem que fizeram, mesmo pq se o Palmeiras lançasse só 50%, ficava com 518 milhões e o 1º lugar.

  • Uηwɑηtєd Øηє™

    Palmeiras:
    468,6 Milhões – Sem Luvas e ainda com TV Aberta e PPV para negociar..

    2017 o Palmeiras vai continuar no mesmo ritmo, faturando alto, enquanto os outros vão murchar sem o “doping” de luvas de tv.

  • Bruno Martínez

    Tudo normal.

  • netovisk

    Corinthians gasta mais com futebol que o Palmeiras? Tem coisa errada na fazendinha, ou é mau gerida ou é gerida por jumentos.

    • Tião Mocotó

      Gestão do Corinthians é uma máfia.

  • Armando Severino Rosa

    Se o Santos tivesse seus jogos no pacaembú subiria uma 3 a 4 posições nesse ranking

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