E agora PSG?



A gestão do futebol é um dos desafios mais complexos da atualidade. Embora o dinheiro seja fundamental, como em qualquer outro setor, muitos outros fatores influenciam seu sucesso.

Um grande exemplo disso é o PSG e sua eliminação mais uma vez nas oitavas de final da Champions League.

O clube francês que atualmente é o maior investidor em contratações do futebol mundial se deparou com um cenário extremamente complicado.

O campeonato francês não viabiliza todo o projeto, seu êxito comercial depende muito do desempenho na competição europeia. Para piorar seu principal investimento, Neymar se contundiu e agora está 100% focado em se recuperar para a Copa da Rússia, que começa em menos de 100 dias.

Sem falar no interesse do Real Madrid de pagar a multa de Neymar para levá-lo para o Santiago Bernabéu.

Em 2017 os gastos com contratações do PSG atingiram o histórico valor de 418 milhões de euros. Desde que compraram o time já gastaram 1 bilhão de euros em contratações.

Os gastos salariais do time são astronômicos e já superam os 300 milhões de euros anuais.

O desespero tomou conta do presidente Nasser Al Khelaifi, que deixou que hoooligans da torcida do time fossem falar com os jogadores antes da partida contra o Real, e ainda transmitiu isso pela TV do clube.

A sustentação do projeto do PSG depende exclusivamente do aporte para lá de generoso de empresas ligadas ao Catar, cujo fundo do qual o PSG participa representa ativos de quase 400 bilhões de euros, o equivalente ao PIB de um país.

Dinheiro não falta para ser injetado no clube que foi tetracampeão francês de 2013 a 2016.

O projeto com Neymar e o sucesso na Champíons eram a única forma de alavancar de forma natural esse projeto.

Por exemplo, o Qatar Tourism Authority paga 150 milhões de euros por ano para promover o turismo no país, um valor fora da realidade.

Atualmente as receitas de marketing do clube são de 300 milhões de euros anuais, no mesmo patamar de Real Madrid, Barcelona e Manchester United, o que convenhamos é impossível.

Este foi o caminho seguido pelo time para se adequar ao Fair Play Financeiro e não fechar o ano com prejuízos astronômicos.

Estes times chamados de novos ricos não faturam o suficiente sem ajuda de empresas parceiras ligadas aos grupos que são seus proprietários.

O projeto do PSG corre sérios riscos de não se viabilizar.

O nítido descontrole do vestiário, somado a crise criada com Neymar e agora com sua contusão, e essa eliminação mostra como não é só com dinheiro que se transforma um clube médio em uma potência do futebol mundial.

 Catar e o soft power do esporte

Todo esse investimento do Catar no futebol não é à toa.

O pequeno país do Golfo Pérsico é uma ditadura, como boa parte dos países árabes do Oriente Médio.

Esse perfil de país infelizmente utiliza o esporte para suavizar sua imagem perante o mundo (por isso o termo soft power).

A imprensa internacional inclusive divulga há anos que o Catar, sede da copa de 2022, financia grupos terroristas islâmicos pelo mundo

 Galácticos do Real Madrid passaram por crise similar

O supercampeão Real Madrid passou por um longo período de falta de títulos e ascensão de seu maior rival, Barcelona, por esse excesso de egos e falta de times equilibrados.

O início do projeto foi um sucesso com os títulos da Champions de 2000 e 2002.

Depois disso, o título europeu somente foi novamente conquistado em 2014, em outra realidade, com atletas mais focados no time e menos em serem estrelas.

Obviamente que a força de Cristiano Ronaldo ajudou bastante, mas depois de uma reformulação, o time do Real Madrid é bem diferente, com atletas da primeira equipe oriundos da base e equipes muito mais fortes coletivamente.



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