A crise eterna dos times brasileiros



Todos os anos a história se repete no Brasil: um ou mais times brasileiros começam a falhar nas competições e a torcida se revolta. O clima de paixão e amor é substituído por cobranças, pichações, agressões e até invasões aos Centros de Treinamento.

Diferentes times, nas mais variadas cidades já passaram e vão passar por isso. Essa pressão dos torcedores pela falta de bons resultados em campo é a cara do futebol brasileiro.

É o que chamo da crise eterna dos times brasileiros.

Infelizmente no futebol brasileiro os clubes são apenas times, com seus jogadores e comissão técnica. Muito diferente da Europa que são realmente clubes gigantes, com valores que vão muito além de títulos e gols.

Os mais desavisados ao lerem isso vão argumentar que a função de um time é ganhar e ponto. Não os critico, já que não conhecem outra realidade.

A gestão dos clubes no Brasil é orientada para alimentar isso. Nossos cartolas só sabem contratar e demitir, e somente pensam no jogo, ou na fuga do rebaixamento. Tudo gira em torno do resultado.

Os torcedores já se habituaram a isso e cobram com veemência bons resultados. Tratam os clubes como se fossem obrigados a vencer, como se não houvesse, outros tantos times tentando o mesmo. Frases como:  “acabou o amor”, “vencer é obrigação”, ” jogadores mercenários” são as mais leves frases pichadas em muros de clubes pelo Brasil.

Mesmo que recentemente tenham conquistados títulos importantes. Os torcedores, especialmente das torcidas organizadas têm essa mentalidade, de uma obrigação de conquistar títulos, sempre. E todos sabemos que isso não existe!

       

Esse cenário é um dos nossos mais graves problemas. Os times precisam ganhar para lotar estádios, vender camisas, atrair patrocínios e ampliar o programa de sócio torcedor. E quando perdem ou têm um desempenho ruim, simplesmente não sabem o que fazer.

Todos os times do mundo passam por problemas em campo, mas nem por isso o negócio não prospera. E mais, há inúmeros exemplos de times pelo mundo que não conquistam títulos e seus estádios estão lotados, os patrocinadores despejam milhões todos os anos, os torcedores sempre compram produtos e o orçamento do time não é afetado pelos maus momentos em campo.

Isso ocorre, pois a gestão da marca e de todo o negócio não está associada diretamente aos resultados em campo. A ideia é fortalecer a conexão do torcedor, usando sua paixão pela marca do clube como combustível para que as receitas não caiam, mesmo com maus resultados em campo.

Os patrocinadores já demonstraram  muito mais interesse em clubes que têm esse apoio incondicional do torcedor, do que simplesmente a conquista de títulos.

O caminho é trabalhar a paixão do torcedor sempre. Os projetos de marketing e comunicação devem ser constantes, criativos e antenados com outros valores, muito além do desempenho.

Essa é mais uma daquelas teses tão utilizadas no futebol europeu e que inexistem no futebol brasileiro. Infelizmente nossos cartolas e profissionais de marketing dos clubes não tem ideia do que estou falando.

Por isso sofrem a cada nova derrota ou eliminação.

Títulos alavancam os negócios

Obviamente que times campeões apresentam crescimento nas receitas. Por outro lado, simplesmente focar em resultados não cria essa conexão do torcedor com as marcas de seus times.

O foco deve ser desvincular os projetos de marketing com os resultados em campo, exaltando a paixão do torcedor por seu clube.

Essa visão permite que caso haja títulos, os negócios sejam profundamente alavancados.

É tão óbvio que todos os clubes europeus o fazem, e por isso apresentam crescimento contínuo. Já aqui vivem essa montanha russa na gestão e na relação com seus os torcedores.



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