Corrupção e má gestão da Conmebol minaram a Libertadores



O mundo está acompanhando inúmeras matérias sobre o vazamento do Panamá Papers. Dentre os muitos milionários, políticos e celebridades, há uma vasta informação sobre esportistas e dirigentes.

Um dado muito importante passou quase despercebido, até porque não representa tantos recursos, e esse é o principal motivo do meu artigo de hoje. Segundo os documentos referentes à corrupção na Conmebol o contrato de TV da entidade da Libertadores da América rende US$ 370 milhões em 15 anos.

Esse valor parece alto, mas é irrisório na comparação com os grandes produtos esportivos mundiais. Esse contrato representa luvas de US$ 4 milhões e pagamentos anuais nos primeiros quatro anos de US$ 22,2 milhões e posteriormente com um acréscimo para US$ 25 milhões por ano.

A Conmebol tem o direito de exploração da Libertadores da América, segunda mais importante competição de clubes do mundo e consegue ridículos US$ 25 milhões por ano! Sem falar nos valores dos patrocínios, nunca divulgados.

O que a Conmebol arrecada com a TV em um ano equivale ao valor anual recebido pela UEFA com apenas um dos seus patrocinadores.

A UEFA Champions League fatura US$ 1,3 bilhão em direitos de TV e outros US$ 304 milhões com patrocinadores, totalizando US$ 1,6 bilhão na temporada 2014-15. Deste total US$ 1,17 bilhão são distribuídos aos times participantes.

A diferença não é apenas de PIB mais sim de gestão do produto, transparência, abrangência global e muito foco na profissionalização da competição.

Libertadores

Infelizmente a Conmebol sempre caminhou para trás em termos de gestão, e hoje com uma série de dirigentes presos também já se sabe que esse resultado pífio também é fruto da corrupção na entidade.

Má gestão e corrupção culminaram com uma Libertadores da América fraca, sem apelo, mal administrada, enfim o sinônimo de uma competição de segunda classe. E poderia ser completamente diferente.

O que a UEFA fez com a Champions foi pensar em todos os seus aspectos mercadológicos e comerciais. Adicionalmente ficou absolutamente transparente na prestação de contas, com todos os pagamentos destinados aos times publicados na Internet.

A entidade fez o mesmo com a Europa League, que fatura US$ 286 milhões por ano.

Assim, a Conmebol ou mesmo esse movimento para a criação de uma Liga na América do Sul precisa repensar a Libertadores da América e a Copa Sul Americana. Tanto em seu formato, período de realização, vagas para cada país e mercados a serem incorporados.

Todos defendem a inclusão de times da MLS. Parece ótimo, mas nessa competição, com todos os seus aspectos negativos?

A entidade máxima do futebol da América do Sul dobrou o pagamento aos clubes, tentando reduzir a insatisfação. Provando que seguramente há muitos recursos que poderiam chegar aos times.

Uma nova gestão na Conmebol poderia transformar e alavancar a Libertadores da América globalmente.

 

Férias coletivas

Com a chegada das fases finais dos estaduais uma boa parte do futebol brasileiro entrou em férias. Os que não se classificaram e não estão pelo menos na já inchada Série D não tem mais atividade até o ano que vem. Eventualmente vão viver de alguma Copa que sua Federação faz, mas sem nenhuma viabilidade financeira. Os times que estão na Série D e não se classifiquem para o início do mata-mata, em pouco mais de um mês de competição já estarão sem atividade.

 

Nacional regionalizado

A saída para esse caos no nosso calendário é transformar os campeonatos estaduais em um Campeonato Brasileiro regionalizado, que fosse operado pelas Federações e viabilizado pelos mais de R$ 200 milhões que a CBF tem em caixa. Poderíamos ter quantas divisões fossem necessárias e cada time disputaria uma temporada inteira de uma competição nacional.

Outro mundo

Pagamentos UEFA Champions League 2014-2015

CL



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