Contratação de Neymar mostra a força dos times dos magnatas



A contratação de Neymar pelo PSG é um marco na história das transferências de jogadores. Esses 222 milhões de euros pagos pela multa rescisória do craque do Barça é a maior transferência já realizada no mundo.

A era das grandes contratações não é nova e foi inaugurada de forma bem clara no passado pelo Real Madrid. Florentino Perez ainda candidato à presidência do Real em 2000 prometeu a vinda de Luis Figo, maior ídolo do rival Barcelona.

O clube catalão recebeu US$ 56 milhões e foi obrigado a liberar o jogador, que já havia se acertado com o Real.

Além da força do Real inflacionando o mercado, os anos 2000 foram marcados como a era dos times dos magnatas. Os multibilionários russos, árabes, norte americanos, tailandeses e chineses compraram clubes da Inglaterra e depois em outros países da Europa.

Um dos mais famosos foi o russo Roman Abramovich, que comprou o Chelsea, e o transformou em uma potência global. Para isso acumulou uma dívida de 1,4 bilhão de euros e injetou recursos do próprio bolso, os chamados soft loans.

Nada mais que injeção de recursos dos donos para manter a operação do clube.

Outro grande clube que teve pesada injeção de recursos foi o Manchester City, que na temporada passada gastou 206 milhões de euros em contratações.

E também o PSG, que é outro novo rico do mundo do futebol,  com outro bilionário árabe dono do time. O clube que agora está no centro da contratação de Neymar, pelo depósito do valor da multa, até pouco tempo faturava 100 milhões de euros por ano.

O grupo que comanda o PSG ligado ao Catar tem ativos de US$ 500 bilhões, que poderia ser considerado um país em termos de capital. Apenas como comparação a fortuna estimada de Abramovich é de US$ 10 bi.

Assim pagar a multa de 222 milhões de euros e tirar uma grande estrela de um gigante europeu não é difícil para esses magnatas. A questão é poder, pelas limitações das regulações da UEFA.

Em 2016, o PSG faturou 542 milhões de euros, sendo mais de 375 milhões de euros em receitas de marketing, inclusive de patrocinadores e parceiros próximos ao seu dono.

Até bem pouco suas receitas eram insignificantes, provando que há muita coisa escondida nesses balanços.

receitas PSG

mkt PSG

Esse volume de dinheiro permite que o time mantenha as contas equilibradas. O Fair Play Financeiro da UEFA não limita o valor das contratações e sim o máximo de déficits permitidos nos exercícios financeiros.

O time pode ainda vender atletas e minimizar o impacto das contratações, equilibrando as contas e mantendo as finanças em dia.

Para o PSG o mais difícil não é ter o dinheiro, até porque a vinda do craque brasileiro é garantia de aumento de faturamento no longo prazo.

A questão é não colocar todo esse projeto de expansão em risco, com uma pesada punição da UEFA. Uma exclusão da Champions League minaria a viabilidade da contratação.

A ida de Neymar pela multa rescisória mostra como estão fortes e capitalizados os novos ricos do futebol europeu.

Qual o impacto da contração nas contas do clube?

Normalmente pelos valores das multas dos jogadores serem enormes, os clubes se acertam e fecham o negócio. Normalmente isso não gera pagamentos à vista. Os clubes dividem em alguns anos esse pagamento.

Contabilmente o jogador é registrado e o valor é amortizado pelo período do contrato, além do aumento dos custos salariais.

Assim o impacto de uma grande contratação é brutal para as contas.

No caso do Neymar que esses 222 milhões são a vista, é impossível o PSG fechar dentro do que exige a UEFA e o DNCG, órgão francês de controle de gestão da liga francesa.

Os gastos salariais do time francês em 2016 foram de 292 milhões de euros, uma das maiores folhas do esporte mundial.



  • Paulo Wagner

    Só faltou dizer que sempre fica uma certa suspeita de lavagem de dinheiro nessas transações.

  • Mateus Pereira

    Muito legal as informações apresentadas…

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