Clubes brasileiros atingem R$ 730 milhões com transferências em 2015



Ao longo dos anos no futebol brasileiro, as transferências de jogadores sempre foram usadas como tábua de salvação da gestão alavancada dos nossos clubes.

Essa realidade era muito presente no passado com menos receitas de marketing e direitos de TV. Pelos números de 2015, os tempos de cobrir rombos orçamentários com vendas de atletas está mais vivo do que nunca.

No ano passado os clubes brasileiros somados geraram R$ 730 milhões em transferências de jogadores, um aumento de 60% em relação a 2014. O ano da Copa do Mundo no Brasil apresentou um valor de R$ 457 milhões provenientes das transferências.

Cenário bem diferente de 2013, quando os clubes brasileiros faturaram R$ 712 milhões com transferências, valor que até então era um recorde histórico do nosso mercado.

Receitas transferencias

Com orçamentos completamente fora da realidade os clubes brasileiros sempre enxergaram nas transferências um caminho para cobrir rombos financeiros. Esses recursos que podem, ou não se realizar, já que dependem de vários fatores, são um dos principais elementos para a ciranda financeira que tomou conta da gestão dos nossos clubes.

Se um clube fatura com transferências, tenta equilibrar o orçamento. Se não consegue termina o ano com déficits monstruosos. Na prática mesmo aumentando as receitas com transferências, fecham no vermelho.

Ainda que com melhoras em outras fontes de receitas, permanecemos exportando atletas como tentativa de solução dos nossos problemas.

A dependência das transferências sempre foi o maior responsável para a limitação do nosso mercado, já que muitos dos nossos problemas estão associados a esse caráter exportador de jogadores.

Segundo a FIFA, os clubes brasileiros são os que mais exportam jogadores no Mundo, mas nem de longe os que mais faturam. O mercado global de transferências de jogadores movimentou US$ 4,18 bilhão em 2015.

Todos os clubes brasileiros somados ficaram com irrisórios US$ 188 milhões.

Nossos clubes exportam mais de 1.200 atletas por ano, mas faturam o equivalente a três contratações de grande porte do futebol europeu. Vendemos muito e vendemos mal.

Sem falar em que em quase todas as transferências, os clubes ficam com apenas uma parte do valor, já que não detém os 100% dos direitos econômicos. São verdadeiras vitrines de jogadores fatiados em percentuais.

Em 2015, Cruzeiro liderou o ranking de transferências com R$ 142 milhões gerados, seguido do São Paulo com R$ 109 milhões e Internacional com R$ 94 milhões.

Rk transferencias 2015

Essa saída prematura de ídolos piora a qualidade do espetáculo, enfraquece a relação cada vez mais distante com os torcedores, acarreta em menos venda de produtos e estádios mais vazios.

O Brasil se beneficiou do novo investimento chinês no mercado de transferências. Segundo dados da FIFA os clubes chineses investiram US$ 168 milhões em contratações em 2015.

Cada vez vendemos mais jogadores, por valores baixos e para mercados de menor expressão.



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