Chape, o melhor do futebol brasileiro recente



A tragédia com o avião que levava a equipe da Chapecoense para Medelín causou uma comoção mundial.  A morte de jogadores, comissão técnica, dirigentes e jornalistas foi realmente muito dolorosa.

Assim, dedico esse artigo e esse clube maravilhoso, querido por todos e que sofreu esse terrível acidente. 

A ascensão da Chapecoense e a classificação heroica para a final da Copa Sul Americana não deve ser considerada um acaso do futebol.

A trajetória de gestão da Chape a coloca como o que de melhor aconteceu em termos de gestão no futebol brasileiro recente. É um exemplo para o futebol brasileiro!

O clube seguiu preceitos básicos de gestão, cada vez mais difíceis de serem encontrados nos grandes clubes brasileiros.

Mesmo com baixo orçamento, vem conseguindo se manter cada vez melhor na Série A e agora também chegou a uma final de uma competição internacional.

Em 2015, seu faturamento foi de R$ 46,5 milhões e os custos com futebol de 41,1 milhões. Mesmo assim fechou no azul, com superávit de R$ 2,8 milhões.

Apenas como comparação o campeão brasileiro daquele ano, o Corinthians obteve receitas de R$ 298 milhões, custos com futebol de R$ 250 milhões e fechou com déficits de R$ 97 milhões.

receitas-e-custos-chape

crescimento-receitas-chape

Enquanto a Chape ficou em 14º lugar, o Corinthians ficou com o título. Nos últimos dois anos o clube catarinense somou superávits de R$ 2,9 milhões enquanto que o clube paulista fechou o mesmo período com perdas de R$ -194 milhões.

Os grandes clubes brasileiros estão operando alavancados, com um excesso de gastos e um absurdo aumento no endividamento.

No ano passado a dívida da Chape foi de R$ 2 milhões, ou 0,05 de sua receita, o menor indicador entre todos os clubes brasileiros.

Corinthians com uma dívida de R$ 453 milhões apresentou índice de 1,52. Outro time que foi campeão nos últimos anos foi o Atlético-MG, com dívidas 2,03 vezes a sua receita.

O pior indicador em 2015 foi do Botafogo, com uma dívida 6,04 vezes superior ao faturamento.

Alguns fatores explicam esse desequilíbrio financeiro. O excesso de gastos dos clubes com futebol os obrigam a contrair empréstimos para operar.

E esses empréstimos consomem milhões de seu orçamento em juros bancários, ajudando a afundar ainda mais as finanças. 

Outro claro motivo é a falta de recolhimento de impostos e contribuições ao longo de décadas, que gerou um passivo fiscal gigantesco.

Essa operação irresponsável fracassa e os clubes perdem ainda valores astronômicos na justiça trabalhista. Enfim um caos administrativo e gerencial que somente contribuiu para nosso subdesenvolvimento na comparação com os gigantes da Europa.

O modelo da Chape é gastar somente o que tem de receitas e fechar o ano no azul.

Atualmente a TV é principal fonte com R$ 25 milhões gerados no ano passado. Seguido de sócios e bilheteria que somados faturaram R$ 10,7 milhões e os patrocínios R$ 7 milhões.

chape-fontes-receitas

Esses são os recursos que o clube utiliza. Não faz loucuras e encontrou um modelo esportivo sólido, que se mostrou extremamente eficiente.

Apenas como exemplo está muito à frente do Internacional que luta para não cair, gastado 5 vezes menos.

Chape é o clube melhor administrado do Brasil. #forçaChape

Chapecoense poderia ser nosso Leicester

Se os direitos de TV fossem divididos na Série A como na Premier League, a Chape poderia se transformar no Leicester.

O pequeno clube inglês que com o novo contrato de TV conseguiu ser campeão, batendo gigantes. No ano do título, o Leicester recebeu £ 93 milhões de TV, somente ficou atrás do Arsenal.

O que menos recebeu Aston Villa ficou com £ 67 milhões.

Resumindo, se a Chape faturasse R$ 70 milhões com TV e não R$ 25 milhões, poderia quem sabe até ser campeã da Série A.



MaisRecentes

Finanças dos clubes brasileiros em 2017



Continue Lendo

São Paulo melhora números financeiros



Continue Lendo

Finanças do Corinthians em 2017



Continue Lendo