CBF rica, clubes pobres



Minha coluna dessa semana procura explicar um dos fenômenos brasileiros mais trágicos para o nosso futebol.

A cada ano que passa a CBF fica mais rica e os nossos clubes mais pobres.

Obviamente que isso não é novidade para quem acompanha o futebol no Brasil, mas ninguém nunca conseguiu mostrar os fatores que levaram a isso e principalmente como alterar esse cenário.

Segundo balanço publicado pela CBF a entidade máxima do futebol nacional encerrou 2016 com faturamento de R$ 647 milhões, um aumento de 16% em relação a 2015.

Desde 2007 o crescimento das receitas foi de impressionantes 440%.

O principal fator para esse incremento foram os ganhos com os patrocinadores, que mesmo com as inúmeras denúncias envolvendo a entidade continuam depositando milhões na sua conta.

Os patrocínios em 2016 somaram R$ 411 milhões, frente aos R$ 65 milhões de 2007.

Nesse período de uma década os lucros acumulados da CBF somaram R$ 549 milhões.

Já os clubes brasileiros sofrem em meio a uma crise profunda e mal conseguem se sustentar. Para sobreviver precisam de receitas antecipadas, empréstimos, ajuda do governo com refinanciamento de dívidas fiscais, patrocínios de banco estatal, etc.

Apenas como comparação, Palmeiras faturou no ano passado R$ 91 milhões em patrocínios e o Flamengo R$ 66 milhões. Os outros ainda menos.

patrocinios

Enquanto a CBF vive com altos valores em caixa, muitos clubes grandes não tem dinheiro para arcar com despesas básicas. A CBF em 2016 apresentou somente em caixa e bancos R$ 245 milhões.

Já o Flamengo, que faturou R$ 510 milhões tem disponível nos bancos com liquidez imediata apenas R$ 13 milhões. Atlético-MG tem R$ 2,3 milhões e Santos, irrisórios R$ 1,3 milhão no caixa.

Esse cenário discrepante somente é explicado pelo descaso da CBF com o futebol brasileiro, alimentado pelos próprios clubes. A entidade que deveria cuidar do futebol nacional, o sucateia, dando força às federações estaduais e seus falidos estaduais.

Essas competições consomem quatro meses de atividades dos clubes, grande parte deles completamente deficitários.

Com esse dinheiro em caixa a CBF deveria investir pesado na qualidade das competições, na internacionalização do nosso mercado, na formação de melhores árbitros., no investimento em projetos de base, na criação de uma liga e no investimento das competições menores como as Séries C e D.

Enquanto a CBF gasta R$ 67 milhões com as séries A,B,C e D, torra R$ 175 milhões em despesas administrativas e pessoal. Isso significa que gasta 2,6 x mais consigo mesma do que com as competições que deveriam consumir boa parte dos recursos.

Sem falar nos R$ 26 milhões em mesadas para as federações estaduais. Esses pagamentos subiram 37% no ano passado.

A mudança somente virá dos clubes, por meio de uma ruptura com esse modelo arcaico e atrasado.

Os clubes unidos são muito mais ricos e poderosos que a CBF. Separados são fracos e pobres.

A criação de uma Liga para cuidar dos interesses dos clubes é o único caminho para que possam abocanhar as receitas e lucros que estão com a CBF.

Na Europa ocorre o oposto

Se no Brasil a CBF é rica e os clube são pobres, no mundo desenvolvido do futebol europeu ocorre exatamente o contrário. Os mercados que tem uma liga forte e clubes gigantes, deixaram suas Confederações Nacionais para trás.

Na Inglaterra por exemplo, enquanto o Manchester United fatura R$ 1,3 bilhão com marketing e o Manchester City R$ 860 milhões, a Federação Inglesa gera R$ 277 milhões.

MKT UK

Já na Espanha, enquanto o Barcelona fatura R$ 965 milhões com marketing e o Real Madrid R$ 763 milhões, a Federação Espanhola apenas R$ 158 milhões.

MKT Espanha

Alguém tem dúvida que o mesmo aconteceria no Brasil se alterássemos o status quo?



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