CBF aplicou uma rasteira no futebol brasileiro



Na semana passada, o futebol brasileiro sofreu um dos maiores ataques ao seu futuro. De forma totalmente autoritária, a CBF mudou a regra do seu colégio eleitoral, fazendo com que os 40 times das séries A e B ficassem com menos votos que as 27 federações estaduais.

Literalmente a entidade máxima do futebol brasileiro aplicou uma rasteira nos clubes, como se a única coisa que importasse é o interesse das federações.

A gestão atual da CBF, na minha opinião é completamente atrasada, mesmo que tentem vender o oposto. De que adianta a entidade ter CEO, auditorias internacionais, diretores de governança, compliance, mas continuar atuando de forma inapropriada para os dias atuais.

Temos um presidente que não sai do país, por medo de ser preso e que mesmo assim age como age, tentando se manter no poder ao custo de acabar com qualquer possibilidade de mudança no comando do nosso futebol.

Se hoje o futebol brasileiro definha, a culpa é praticamente da CBF. Sua responsabilidade é completa, pois não permite a modernização de nossas estruturas, e alimenta essa visão arcaica, em que o poder é mais importante que o desenvolvimento do nosso mercado.

Segundo meus estudos, CBF nos últimos 6 anos torrou R$ 1 bilhão em gastos salariais e custos administrativos. Desde 2003 esses gastos superaram R$ 1,4 bilhão.

CBF

Será que ninguém percebe que esse dinheiro deveria estar sendo empregado no desenvolvimento do futebol nacional?

Esses valores são apenas gastos de manutenção de uma entidade arcaica, até certo ponto medieval, mas que gasta como se fosse uma grande empresa.

E tudo isso com a complacência dos clubes. Afinal quais foram os dirigentes que votaram contra Marco Polo del Nero? Quase nenhum!

Com essa mudança nos pesos das federações no colégio eleitoral na correlação de forças com os clubes, a CBF pode ter conseguido o poder, mas sem dúvida destruiu o futuro do nosso futebol. Já que 2018 poderia ser o ano da mudança.

Pelo visto não será, pois, os clubes brasileiros preferem se manter desunidos, enquanto CBF e federações estão mais unidas do que nunca.

Para vencer essa guerra somente uma cisão definitiva com essas estruturas carcomidas que comandam o nosso futebol.

Federações são insignificantes financeiramente

Se o poder das federações parece muito grande, não é por conta de sua movimentação financeira. Na verdade, são insignificantes e algumas delas inclusive movimentam valores irrisórios.

Por exemplo, no RJ enquanto Flamengo faturou mais de R$ 355 milhões em 2015, FERJ movimentou R$ 23 milhões.

Em SP, Palmeiras faturou mais de R$ 351 milhões, enquanto a FPF R$ 45 milhões.

No RS, Internacional encerrou 2015 com receitas de R$ 297 milhões, enquanto a FGF movimentou R$ 7 milhões.

E em MG, Cruzeiro faturou quase R$ 364 milhões e a FMF apenas R$ 13 milhões.

Somente no futebol brasileiro quem detém o poderio econômico não tem a força para mudar seu ambiente de negócios.

Afirmo categoricamente sem medo de errar, se os clubes quiserem podem impor sua força. Para isso precisam se unir e mostrar que dominam mais de 85% do PIB do futebol nacional.

Não há dúvidas que se os clubes quiserem mudam radicalmente o atual cenário do nosso futebol.

Tite será cobrado um dia

Acredito que Tite é o melhor técnico do Brasil. Mas sei que um dia será cobrado pelo desserviço que está fazendo ao futuro do nosso futebol.

Tudo que está acontecendo nesse momento na CBF somente é possível porque a seleção voltou a vencer e encantar a população.

Infelizmente no Brasil está tudo misturado, política e desempenho da seleção. Por isso afirmo, que Tite é corresponsável pelo que estamos vivendo, e será cobrado no futuro,  já que decidiu ajudar com seu trabalho esse modelo arcaico.



  • celia kruger

    Enviei representação ao Ministerio Publico Federal para reforço a ação tomada pelo dep. fed. Otavio Leite. Se clubes das Series A e B tem pesos de votos diferentes, as federações estaduais, por analogia, também devem ter pesos diferentes:
    8 federações com clubes na Serie A x peso 3 = 24 votos
    6 federações com clubes somente na Serie B x peso 2 = 12 votos
    Total = 14 federações = 36 votos.
    Se clubes das Series C e D não tem direito a voto, as 13 federações estaduais que tem somente clubes nas series C e D, também não tem direito a voto.
    Serão 60 votos dos clubes contra 36 votos das federações, e a justiça será restabelecida
    Horacio Wendel

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