Calendário ainda mais inchado em 2017



O futebol nacional vive com uma série de problemas estruturais que inviabilizam seu real desenvolvimento. Dentre todos os fatores negativos, o calendário do nosso futebol é o principal deles.

Essa semana foi divulgado pela CBF como será o calendário do futebol brasileiro no ano que vem. Com as alterações na Libertadores da América e Copa Sul Americana teremos uma temporada ainda mais inchada e irracional do que em anos anteriores.

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A Libertadores tem início em fevereiro e sua final está marcada para 29 de novembro. A Copa Sul Americana vai de abril a dezembro. Algo realmente positivo, já que não tinha o menor sentido o formato anterior. Mas para o calendário que temos atualmente piora bastante o cenário.

Diferentes movimentos já foram feitos para pressionar a CBF em alterar o calendário. Somente foi conquistado o óbvio. Uma pré-temporada de 30 dias, realmente muito pouco.

Os estaduais, o nosso grande problema quando o assunto é calendário, estão marcados de 29 de janeiro a 7 de maio. A Copa do Brasil com 80 times vai de fevereiro a outubro. E o Campeonato Brasileiro de maio a início de dezembro. Um verdadeiro caos, tendo ainda a Copa do Nordeste e Primeira Liga.

As mudanças na Conmebol deveriam servir de alteração já em 2017 em nosso calendário irracional. A Série A sempre deixada em segundo plano, dentro de um contexto político que obriga o futebol brasileiro a iniciar sua temporada com seus estaduais, sem nenhum apelo.

Os clubes pequenos, desesperados para tentar sobrevier com alguns jogos em casa contra times grandes nos estaduais, não perceberam que estão afundando, junto com esse modelo político arcaico.

Assim que os estaduais acabam e os times que não estão nas Séries B, C e D simplesmente ficam sem atividade. Vivem de Copas realizadas pelas Federações sem qualquer possibilidade de viabilidade financeira.

E assim caminha o futebol brasileiro, inchando seu calendário, desvalorizando sua principal competição e os clubes apoiando o que a CBF decide.

A recente crise na Primeira Liga com a carta assinada por Atlético-PR e Coritba cobrando mudanças na divisão dos direitos de TV é a prova que mudanças concretas e definitivas no nosso calendário e sistema político atual estão realmente bem distantes.

Com isso agradece a CBF, que mantém o status quo e surfa na empolgação das seguidas vitórias do time de Tite nas Eliminatórias.

Perdem os clubes, o torcedor e toda a cadeia produtiva do futebol.

 



  • J.H

    Gostei dessa coluna! Tenho uma pergunta: O que poderá acontecer com as quotas da TV aos clubes, caso a Globo não consiga repor a saída de dois grandes anunciantes no valor de 556 milhões? Os clubes serão atingidos por eventual corte? Qual o cenário possível?

  • celia kruger

    Amir, a Copa do Brasil não pode mais ter 80 clubes, volta a ter 64 clubes como em 2012, porque 8 só podem se classificar para as oitavas de final, Para completar 16 clubes a partir daí, os demais 7 clubes vem da Libertadores e o atual campéão da Serie B, Atletico GO, também ganha vaga na Copa do Brasil 2017.

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