Brasil é irrisório no mercado global de transferências



O futebol brasileiro é disparado o que mais exporta jogadores no planeta, em quantidade de atletas, mas nem de longe é o que mais fatura. Literalmente transferirmos milhares de jogadores, com baixo valor arrecadado.

Nada diferente de nosso passado colonial, antes era o pau brasil, cana de açúcar e café.  O mesmo ocorre com os jogadores, já que nos transformamos no mercado exportador de pé de obra.

Sempre cito o exemplo do café, de forma simbólica. Somos os maiores exportadores cafeeiros do planeta, mas são os países desenvolvidos que compram em sacas o nosso café verde, os torram por conta própria, e comercializam globalmente em caixinhas no supermercado, em diferentes países.

Transferimos grande parte dos jogadores em transações que não envolvem valores financeiros. E mesmo quando há movimentação financeira, somos irrelevantes na comparação com outros mercados.

Essa realidade fica ainda mais evidente analisando o estudo publicado pela empresa Prime Time Sport, de Barcelona, sobre o mercado de transferências na temporada 2016-17 das 5 maiores ligas da Europa.

O estudo apresenta dados recentes da janela de inverno e também da janela de verão passada.

O volume movimentando pelos grandes clubes europeus com transferências cresceu 48% nessa janela de inverno, atingindo o valor recorde de € 633 milhões. Na mesma janela anterior o valor foi de € 427 milhões.

A janela de verão passada já tinha movimentando valor inédito de € 3,2 bilhões. Somando as duas janelas, as transferências atingiram quase € 3,9 bilhões, maior valor da história.

Os times da Premier League lideram com folga, com € 1,6 bilhão de investimento, bem à frente dos demais mercados.

Transferencias por liga

Manchester City foi o time que mais investiu individualmente em aquisição de atletas em 2016-17, com € 206 milhões, seguido da Juventus com € 199 milhões e Manchester United € 185 milhões.

Times contratações

Os clubes europeus que mais investem, muitas vezes são aqueles que geram receitas com transferências. Por exemplo, Chelsea com a venda do Oscar para o Shangai SIPG arrecadou € 67 milhões somente nessa janela, e claro usa esses recursos para contratar.

Os times europeus não têm como objetivo principal vender atletas, mas sim o espetáculo. Se por uma boa proposta perdem um ídolo, logo já buscam reforços à altura, para fazer toda a engrenagem girar.

Esse sem dúvida é o verdadeiro abismo, em termos de mentalidade de gestão, que nos separa do mercado europeu.

E ainda fazemos mal as nossas transferências. Os clubes brasileiros são muito pequenos no volume global. Em 2016, os times do Brasil faturaram R$ 654 milhões com transferências internacionais de jogadores, ou € 191 milhões. Em um mercado internacional que supera € 4 bilhões.

Isso significa que representamos apenas 4,8% de mercado global. Muito pouco para quem transferiu mais de 4 mil jogadores nos últimos cinco anos.

China aqueceu o mercado

O estudo sobre as transferências mostra claramente a força da China. Os times chineses não apenas buscam seus jogadores na América do Sul, mas cada vez gastam mais em contratações de grandes times da Europa.

Segundo o levantamento, os chineses gastaram € 129 milhões na janela de verão e outros € 228 milhões nesta recente de inverno, totalizando € 357 milhões.

China

Na temporada 2015-16 os chineses já tinham investido outros € 407 milhões. Ao longo dos últimos cinco anos a China injetou € 1,1 bilhão no mercado global de transferências.

Os times chineses nessa última janela de inverno somente ficaram 18% atrás dos ingleses na aquisição de jogadores. À frente de todas as outras ligas do Velho Continente.

Fonte: Prime Time Sport



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