Boa Esporte e o anti marketing



A contratação pelo Boa Esporte do goleiro Bruno, acusado de ser o mandante do assassinato de Eliza Samudio, tomou conta do noticiário e das redes sociais.

O time mineiro tomou a decisão de contratar o jogador e desde então os efeitos negativos para sua marca foram assombrosos.

Até agora já perdeu 5 de seus patrocinadores, se transformou no time mais odiado do Brasil, vem sofrendo ataques nas redes sociais e ainda pode perder o apoio da prefeitura de Varginha.

O site do clube foi atacado por hackers e está fora do ar.

A realidade é que os dirigentes do time mineiro conseguiram a proeza de destruir a sua marca.

Torcedores do time estão envergonhados e revoltados e a imprensa de todo o Brasil vem mostrando os efeitos negativos dessa decisão, completamente equivocada.

Os dirigentes se defendem, com a justificativa que estão dando uma segunda chance a um ex-presidiário. Mas a realidade é bem diferente. O que eles queriam é ganhar mídia espontânea, e projetar o clube nacionalmente.

Não foi isso que aconteceu. Se realmente tivessem interesse em buscar a ressocialização de ex-detentos, por que não investiram em projetos dessa natureza em outras áreas como na manutenção do clube, administrativo ou até nas categorias de base?

Claro que não, o que eles queriam é contratar o goleiro Bruno, mandante de um crime bárbaro, que chocou o país e acabou com a vida de uma jovem, cujo único “crime” foi ter tido um filho do jogador.

O que os dirigentes do Boa Esporte conseguiram foi fazer a maior ação de anti marketing que o futebol brasileiro já viu.

Para um clube empresa como esse, que em tese, deve dar lucro como qualquer corporação, perder 5 patrocinadores em um espaço tão curto de tempo é uma tragédia. Sem dúvida é um dos fatos mais emblemáticos do erro cometido por aqueles que deveriam cuidar e projetar positivamente a marca do time.

Um patrocinador busca valores positivos quando associa sua marca ao esporte. E um dos maiores objetivos das marcas é obter, por meio de investimentos em patrocínio, o aumento da lealdade do consumidor, além é claro de ganhar mídia positiva.

O que ocorreu foi justamente o contrário. A presença de Bruno gerou tamanho ruído negativo que obrigou os patrocinadores a se posicionarem e a consequência foi a rescisão dos contratos.

objs patrocinador

O mundo atual, onde as informações trafegam em uma velocidade assombrosa puniu severamente o Boa Esporte. E a era de convergência de mídias, onde todos acompanham tudo pelos celulares e tablets foi um festim de pólvora, que explodiu no time de Varginha.

Que esse fato sirva de lição para nossos dirigentes, que tomam decisões equivocadas e acham que as marcas de seus clubes não serão afetadas. Os patrocinadores estão fugindo dos clubes mal administrados, sem credibilidade e com dirigentes despreparados.

E o caso Bruno talvez seja o maior exemplo de como decisões equivocadas dos gestores podem destruir um clube de futebol.

Chapecoense viveu realidade oposta

Se a contratação do goleiro Bruno destruiu a marca do Boa Esporte, por conta da velocidade que as informações e opiniões das pessoas trafegam atualmente, o oposto aconteceu com a Chapecoense.

O clube catarinense, após a tragédia que ceifou a vida de dezenas de pessoas, tomou uma comoção nacional e global. A Chape se transformou no clube brasileiro com maior reconhecimento no exterior.

O número de seguidores nas redes sociais apresentou o maior crescimento entre os times brasileiros, desde a tragédia.

Camisas do time são vistas em todas as cidades do Brasil, o programa de sócio torcedor cresceu e a Chape já é o 13º time com mais sócios no Brasil.

A tragédia da Chape uniu o Brasil e o mundo em torno da marca do clube, por conta da força do mundo digital.



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