Balanços inflados escondem a má gestão dos clubes brasileiros



Em breve o futebol brasileiro terá acesso aos números financeiros dos nossos clubes, referentes ao exercício de 2016.

Os clubes profissionais e entidades de administração do desporto devem publicar seus balanços até 30 de abril de cada ano. As prévias dos balanços de alguns clubes já demonstram o que esperar dos dados.

Os clubes por conta do ambiente de negociação com as emissoras de TV vão melhorar seus números, graças às luvas recebidas, que na prática não passam de antecipação de receitas de um contrato futuro de TV.

Isso significa antecipar recebimentos e assim melhorar os números financeiros no presente, passando uma imagem errônea que estão muito bem administrados.

Literalmente inflam os números. Isso ocorreu em 2012, quando fecharam com superávits e voltará a ocorrer em 2016.

Os clubes chamam de luvas, mas na verdade não passam de uma antecipação dos valores da TV, que contabilizam integralmente no seu recebimento.

Isso apenas engana o leitor dos balanços menos afeito aos números e a história financeira das entidades.

Por exemplo, em 2011, os maiores clubes brasileiros apresentaram déficits somados de R$ -377 milhões. Em 2012, com esses valores antecipados da TV (as ditas luvas) apresentaram superávits de R$ 36 milhões. Uma melhora momentânea, mas enganosa.

Já em 2013, voltaram a fechar com pesadas perdas na casa de R$ -418 milhões e em 2014 se superaram e chegaram ao maior prejuízo da história, R$ -626 milhões.

Superavits déficits

Fica claro que os resultados negativos são escondidos temporariamente e depois reaparecem em perdas ainda maiores.

Chamam de luvas, como se fosse dissociado do contrato, mas não é. Esses valores em geral são contabilizados no ato de seu recebimento. E isso é completamente errado.

Essa prática comum do futebol brasileiro confunde quem lê os balanços, pois com esse alto valor lançado integralmente, passam uma falsa sensação que o clube está em uma melhor situação financeira, do que realmente está.

Os valores recebidos embora representem um valor integral, estão associados ao período do contrato em questão.  

Os clubes estão registrando em 2016 valores que somente deveriam ser contabilizados a partir de 2019, e fragmentados pelo período do contrato assinado.

Como muitos clubes utilizam esse artificio para melhorar os números de sua gestão, o único caminho é incluir nos seus estatutos a proibição de usar os valores recebidos integralmente. E sim utilizá-los pelo período do contrato.

Ganha o clube que terá mais previsibilidade na gestão dos recursos a cada ano para equilibrar suas finanças, mesmo com mudanças no seu comando.

 Em 2015 superávits vieram por conta do PROFUT

Em 2015, a aprovação do PROFUT foi responsável pelos números positivos dos clubes. A nova lei injetou nos maiores clubes brasileiros quase R$ 700 milhões em receitas financeiras, que transformaram clubes com altos déficits, em entidades com superávits.

Em 2015, os grandes clubes brasileiros apresentaram superávits de R$ 173 milhões, escondendo um déficit real de R$ -512 milhões. (Descontados os valores recebidos pelo Profut).

Assim, teremos mais um ano de balanços inflados. A real situação financeira dos clubes ficará clara somente em 2017.

Lei do PROFUT limita antecipação de receitas

Se os clubes permanecem registrando essas antecipações como algo correto, podem ser punidos pela nova lei em vigor.

Segundo o texto da lei que regulamentou o Profut, os clubes somente podem antecipar no máximo 30% de receitas futuras.

Isso significa que registrar integralmente esses valores da TV podem fazer com que estejam descumprindo a legislação vigente. Por isso chamam de luvas e não de antecipações. Mas são antecipações, de forma clara e evidente.



  • Michel Nunes

    Engraçado esse texto vim no dia que o único clube que não botou as luvas no seu balanço e as dividiu durante os anos como é o certo de se fazer. E que também o único clube a não ter aderido ao profut. Poderia ter ao menos mencionado isso.

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