Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais?? - Solta o freio

Vende mais porque é fresquinho ou é fresquinho porque vende mais??



Com a temporada pronta para pegar fogo em março as primeiras provas do “world tour” começam a mostrar como será o 2018 do pelotão profissional de estrada.

Antes disso é importante entender como funciona ou como vem mudando esse mesmo circuito. A pontuação por provas foi criada basicamente para preparar o circuito para uma expansão mundial, assim como aconteceu com outros esportes. Houve uma tentativa de padronizar segurança, os percursos, as equipes, premiação, pontuação e etc.

18 equipes foram denominadas “world tour”, um tipo de 1a divisão e as equipes “Pro-Continental” são as da 2a divisão. Provas denominadas “world tour” tem que ter ao menos 10 equipes dessa 1a divisão(WT) e convidam a critério dos organizadores as outras equipes.

As provas mais importantes, as mais badaladas e as que os ciclistas desejam em seus currículos são sempre as mesmas, mesmo antes da criação do ranking. Pela ordem; Tour de France, que passou a valer 1.000pts ao ganhador, Giro d’Itália e Vuelta a Espanha 850pts. Em seguida as mais desejadas são as clássicas denominadas “monumento”. São elas; Milan-San Remo, Tour de Flandres, Paris-Roubaix, Liège-Bantogne-Liège e Il Lombardia. Essas valem 500pts, mas outras 15 provas tradicionais, mas de menor expressão foram colocadas com a mesma pontuação. Em seguida 12 provas um pouco menores, que valem 400pts.

A partir dai a categorização das provas passa a ser chamada de “UCI continental Tours”; provas “HC”(200pts), provas “1,1” e “2.1”(125pts) e por aí vai.

Existem várias outras maneiras de pontuar e o ranqueamento foi se aperfeiçoando. Por exemplo, uma vitória numa etapa do Tour de France vale 120pts. Quase tanto quanto uma vitória numa prova “1.1/2.1″(125pts). Daí o empenho e comemoração enlouquecida das equipes convidadas, que são dessa 2a divisão, quando conseguem ganhar uma etapa nas grandes voltas.

Até aí ótimo. Tinha mesmo que ser feito. Alguma prova que quiser entrar tem que escalar esse ranking, assim como as equipes, para irem melhorando em importância e tamanho.

O problema é que, assim como outros esportes que globalizaram sua atuação mundial(F1, FIFA) agregaram outras regiões importantes, populosas e claro, porque não, ricas, que passaram a cortar esse caminho muito mais pela capacidade de investirem e trazer o circo e a chancela do “world tour”(UCI) para seus países. A UCI rapidamente incluiu os países do oriente médio e China por exemplo. Os organizadores das grandes voltas passaram a incluir largadas em países cada vez mais distantes. Esse ano o Giro terá largada e um total de 3 etapas em Israel. Aparentemente Israel entrou com 10 milhões de euros para tal aventura. Já existem conversas de uma largada do Giro no Japão!?

Enquanto vejo com bons olhos novos investidores no esporte, não vejo limites nas organizações ou na UCI em padronizar essa globalização. Quero dizer, esse Giro 2018 terá a maior distância coberta em ligações entre uma etapa e outra de sua história. Serão mais de 4.000km e é óbvio que isso influencia no aspecto esportivo da prova. Embora provas em Dubai, Oman e Abu Dahbi sejam no começo do ano, quando o inverno na Europa ainda é incomodo para treinar, a distância para levar as equipes até lá, ida e volta, o calor extremo e provas “xoxas” com público ridículo que não empolgam.

Então, essa necessária globalização do esporte abre as portas para investidores querendo cortar caminho ou investidores querendo cortar caminho abrem as portas para a globalização do esporte?

Entendo que se Israel quer tanto entrar no ciclismo, o que eu aplaudo, deveria criar sua própria prova e não “cortar o caminho” puxando o Giro para lá. Oriente médio está colocando tanta grana em suas provas, que estão “conquistando” as equipes e a UCI no melhor estilo copa do mundo no Catar. Só esqueceram de convencer o público, cuja participação é quase nula. Não é a toa que as equipes não reelegeram o presidente da UCI. A maioria não aguenta com os custos de passear pelo mundo, quase que obrigatoriamente. O perigo é acontecer como na F1, que ficou com 2 ou 3 equipes infinitamente melhores que as pequenas correndo em circuitos extremamente chatos que só proporcionam emoção na troca de pneus(!?).

Para não dizer que pego no pé especificamente desses países e sou ‘do contra”, acredito que o caminho seja incentivar com pontuação mais altas as provas como as da Colômbia ou em Rwanda. São provas emocionantes de assistir e contam com uma participação absurda da população. Fora a vontade cada vez maior dos ciclistas tops de competirem nessas provas.

Semana passada “Oro& Paz” na Colômbia;

Rwanda ano passado;

Dubai mês passado;

 



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