Temporada praticamente acabou. Agora, foco passa a ser 2018. - Solta o freio

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Solta o freio

Temporada praticamente acabou. Agora, foco passa a ser 2018.



Com o final das provas do outono italiano o foco do ciclismo profissional de estrada passa a ser 2018. Claro, ainda existem algumas provas, mas de menor expressão. Agora é estudar o novo formato das equipes, mas principalmente o percurso das 3 grandes voltas do ano que vem. Em ordem de importância Tour de France, Giro d’Itália e La Vuelta.  Logo atrás em importância vem as 5 “clássicas monumentos”(Milan-San Remo, Liège-Bastogne-Liège, Tour de Flandres, Paris-Roubaix e Giro de Lombardia) , que não devem mudar seus percursos. Pelo menos as partes finais que decidem. Já as grandes voltas todo ano mudam e isso gera forçosamente uma comparação com as anteriores e entre si. A divulgação oficial dos detalhes sempre é aos poucos o que aumenta o debate. Os organizadores basicamente podem fazer o que quiserem, por qualquer terreno e na sequência que acharem melhor. Não é tão simples assim, pois são vários interesses em jogo. O tamanho das grandes voltas na mídia aumenta, assim como a audiência mundial todos os anos. Organizadores, equipes e todo o circo seguem o caminho da globalização e cada vez mais temos provas e equipes do “world tour” fora da Europa. Até usam a largada em diferentes países, pois as cidades que recebem a largada e chegada de cada etapa pagam caro por isso. Esse cabo de guerra entre o que é mais rentável ou que torna uma disputa pela etapa mais excitante entre os favoritos sempre gera muita controvérsia. Então, vamos ao que está sendo discutido e sabemos até agora.

Giro d’Itália; A maior notícia é que largará em Israel! Isso mesmo. Serão 3 etapas lá. A 1ª sendo um contrarrelógio curto. Devemos assumir que a última etapa passando no Vaticano seria previsível. Equipes como Bahrain e UAE certamente não estarão “confortáveis” com os 3 dias em Israel. Em seguida 3 etapas na Sicília e o vulcão Etna por um lado nunca escalado. Zoncolan, tão difícil quanto o Angliru da Vuelta, está certo no 2º fim de semana. Amém! No dia seguinte uma etapa nas Dolomitas. Outro contrarrelógio de 30km na última semana e para o último sábado uma etapa gigante terminando na escalada de Cervinia. Negociações devem estar complicadas, pois normalmente a apresentação do Giro acontece logo após o Giro de Lombardia, que foi fim de semana passado. De qualquer maneira o Giro promete como sempre com o que já sabemos até aqui..

Tour de France; A largada será no nordeste da França, Bretanha, que sempre venta muito e segue em direção oeste para Roubaix. Sim, teremos 1 etapa com paralelepípedos chegando em Roubaix! Quantos km? Ninguém sabe. Claro, será uma fração da lendária clássica. Talvez nem 10km com todos os setores somados, mas é sempre um terror para os magrelos favoritos, que sofrem enormemente neste piso. Imaginem o esquelético Bardet pulando nos paralelepípedos? Quedas com grandes perdas de tempo serão sempre um temor. Nibali é o único que vai bem(em tudo) e agradece. Se chover então, a chance de abandonos de favoritos logo na 1ª semana aumenta exponencialmente. Uma vitória numa etapa dessas seria um troféu a parte e os especialistas em paralelepípedos farão de tudo para tornar a etapa um caos. Seria o palco ideal para o tricampeão mundial Sagan. Quantos km de contrarrelógio ainda é um mistério e com a, digamos, “tendência” de diminuição do tamanho dos contrarrelógios no tour parece ser um conceito da organizadora “ASO” de manter a prova mais apertada entre os favoritos, já que o Froome sempre aniquila a concorrência em qualquer contrarrelógio. Um possível duelo entre Froome x Doumolin, que tem características muito parecidas, também alimenta o imaginário dos fãs. Embora, por enquanto, de certo só um contrarrelógio por equipe na 1ª semana, mas talvez um individual de uns 30km no último sábado. Existem rumores de alguma escalada com piso de terra, como o “sterrato”(estrada de terra) no Giro d’Itália. A mítica escalada do Alpe d’Huez está confirmada, mas não divulgaram o que antecederá. Esse ano o sentido será dos Alpes para os Pirineus. Os organizadores parecem querer evitar o sul da França, imagino pelo potencial de atentados. O contrarrelógio de Marseille ano passado teve pouco público, mesmo sendo decisivo na última etapa. A apresentação oficial está marcada para semana que vem, dia 17 de outubro.

La Vuelta; Como o mundial 2018 terá percurso para escaladores na Áustria e muito perto no calendário da Vuelta, talvez não atraia os principais ciclistas que brigam pelo GC(general classification). A chance de ter um percurso amigável e montanhoso para se tornar campeão mundial não aparece todo hora e sim mais próximo de 5 em 5 anos. Por isso talvez os organizadores façam um percurso mais convidativo para os sprinters ou “roulers” que se dão bem em clássicas e que não terão chances no mundial. Ainda não sabemos. Sempre podemos esperar as várias chegadas em “muritos”. Escaladas curtas e bem empinadas. De qualquer maneira sempre teremos montanhas dificílimas. A nova etapa de “Los Machucos” desse ano na Cantabria foi um sucesso e parece que querem voltar para a região. Minha opinião pessoal é que La Vuelta deveria passar obrigatoriamente nas Astúrias e no País Basco. Astúrias é simplesmente sensacional e País Basco pelas montanhas e sua torcida apaixonada.

Por enquanto os melhores ciclistas do mundo estão aguardando a apresentaçõa oficial para poderem planejar suas temporadas…



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Autor

Fernando Moyna

Começou a apreciar os esportes de resistência ainda remador infantil. Como juvenil foi campeão carioca. bicampeão brasileiro, vice-campeão sul-americano e mesmo nessa época, década de 80, sempre foi fascinado pelas poucas revistas que informavam sobre o Tour de France .Já pedalava e após o remo fez triátlons, maratonas, corridas de aventura, competições de ciclismo e mountain bike.

fbmoyna@gmail.com