Giro chega no seu momento de decisão no CRI de 34,2km. - Solta o freio

Giro chega no seu momento de decisão no CRI de 34,2km.



Domingo parecia uma etapa morna, mas as sucessivas montanhas escondiam um total de quase 4.000mts de altimetria. Não bastasse isso, era a etapa após a escalada da mais temida montanha do ciclismo profissional; Zoncolan.

Essa combinação esfacelou o pelotão dos favoritos na penúltima montanha, que era a última categorizada(cat2). Logo após uma descida travada e técnica e uma longa subida de 8km, com média baixa de 3%, 4% de inclinação, mas que no meio continha 2,5km com média de 6,5%. Ainda na penúltima montanha, Passo di Sant’Antonio, com o grupo dos favoritos já bem reduzido, Yates atacou faltando 17km! Como já disse anteriormente quando o camisa rosa ataca do grupo favorito é sempre uma coisa rara e corajosa. Se ele está com a camisa rosa de líder não precisa atacar e se o fizer, corre o risco de explodir junto com sua liderança. Abriu rapidamente uma vantagem. Atrás, os que conseguiram se juntar para perseguir foram Pinot(Grup), Superman Lopez(Ast), Pozzovivo(Bah) e Carapaz(Mov) e o Dumoulin(Sun) quase sobrando. Froome(Sky) cortou do grupo GC e isso passou a ser a motivação extra que todos precisavam para fazer a etapa incendiar de vez. Froome havia ganhado a etapa anterior, a mais antecipada e tinha dado a única demonstração de ser o Froome que agente conhece. Só o Pinot e o Dumoulin revezavam na frente. Superman e Carapaz estavam se marcando, pois estão disputando a camisa branca de melhor jovem(até 25 anos). Dumoulin, vendo sua disputa pela vitória do Giro escorrer pelos dedos, tentou tanto que foi atacado e quase(!) ficou de vez, mas mais uma vez conseguiu pouco a pouco se reconectar. Só o fato desse grupo ainda disputar o sprint pelo 2o lugar e a bonificação de tempo demonstra que poderiam ter trabalhado para reconectar com o Yates. Um vacilo dos 5. Se trabalhassem juntos teriam como reduzir a distância numa ladeira de 3%-4%, ao contrário do Zoncolan, que é sobrevivência, independente de quantos estão a sua volta.

No final o camisa rosa Yates adicionou a sua vantagem mais cruciais 41seg. Isso porque com a atual vantagem de 2m11seg para o Dumoulin fica em excelente posição para enfrentar o contrarrelógio de 3a feira. Todo mundo sabe que o Dumoulin irá tirar mais ou menos 2min contra todo os top 10 e se isso realmente acontecer, Dumoulin e Yates estariam praticamente igualados na geral ao fim do contrarrelógio faltando efetivamente 3 etapas de montanhas. Como nas montanhas ninguém foi mais forte que o Yates até aqui o favoritismo seria do Yates até Roma. Fora que do modo que o Yates está poderia conseguir até uma diferença perto de 1min no contrarrelógio. Isso significaria, na prática, que Yates estaria com a mão na taça e os outros passariam a se dedicar as outras posições do pódio, pois na montanha está intocável.

Os 34, 2km de contrarrelógio de 3a feira sem dúvida definirá as táticas para a última semana do Giro.

O percurso é plano e em estradas largas. Será dividido em 3 partes. 1a parte completamente plana e muito veloz ao longo do rio Adige. 2a parte com o único calombo de 1km, mas não chega nem a 5% de inclinação. A última parte é um pouco mais técnico, ondulado e com algumas poucas curvas fechadas. Essa é totalmente para os especialistas. Melhor que isso só se fosse todo ondulado e com vento contra.

Diferentemente do contrarrelógio do 1o dia, de somente 9,7km e com rampas de até 10% de inclinação, várias curvas e até piso de paralelepípedos, essa etapa se resume a quem gera mais potência e tem a melhor posição aerodinâmica e não watts/kg. Eles irão fazer média de mais de 50km/h e basta colocar a mão para fora do carro nessas velocidades para entender a diferença que faz a mão aberta ou fechada. Principalmente durante aproximadamente 40min.

Existe a possibilidade de chuva, mas o que todos estarão de olho é no vento. SE ele for contra favorecerá e muito os especialistas. SE for a favor veremos os minúsculos escaladores mais animados com a possibilidade de perderem menos tempo. O detalhe será se o day off da 2a feira atingirá algum GC negativamente.

Como favoritos para a vitória da etapa, além do Dumoulin, que é o atual campeão mundial da modalidade, meu chute para os top 10 na etapa são; Froome(Sky), Campenaerts(Lotto-S), Dennis(BMC), Dowsett(Kat), Kiryenka(Sky), Pedersen(Trek), Mullen(Trek), Schaschmann(Q-Step) e Martin(Kat).

Vale a pena ficar de olho nos especialistas que estão longe da disputa do GC e que largarão bem mais cedo. Podendo assim pegarem condições climáticas mais favoráveis.

Para comentários e informações ao vivo no twitter ir em @Moyna Fernando



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