Em relacionamento sério com La Vuelta - Solta o freio

Em relacionamento sério com La Vuelta



Ao olhar o perfil das etapas da “La Vuelta” e tentar comparar com o Tour de France logo de cara, nas 3 primeiras etapas, um contra relógio por equipe(TTT) bem técnico e curto, uma etapa plana e longa que teve boas chances de quebra do pelotão com o vento cruzado e uma etapa dura de média montanha, fica claro a diferença. Só essa 1ª semana já pode dar mais emoção que quase todo o Tour e isso sem as altas montanhas da última semana da Vuelta.

Quando olhamos o perfil das etapas de um grand tour, aqueles gráficos da altimetria das etapas podem ser enganosos. O perfil, assim como a sequência de dificuldade das etapas influenciam bastante se a etapa deverá ter potencial para emoção e grandes disputas, assim como a luta pelos diversos interesses das equipes na etapa desde a largada.

Giro e a Vuelta tem melhor potencial de proporcionarem etapas com perfil de colocarem os GCs em enorme dificuldade. No Tour depende muito do que vai acontecer antes da montanha final. Assim como foi a etapa do dia anterior e como será a do dia seguinte. Daí a importância ainda maior no design das etapas no Tour para tentar deixa-las mais emocionantes e decisivas. Mas essa Vuelta promete mais do que o normalmente proporciona. O percurso desse ano é implacável e não permite um provável dia ruim das pernas. Talvez o pior dia do Tour passado, a escalada do Galibier pelo Telegraph(etapa 17) seja comparável a etapa 15 que teremos da Vuelta. Chequem o gráfico comparativo entre as montanhas finais das 2 etapas;

https://unavueltamejor.files.wordpress.com/2009/02/monachil-vs-galibier.png

Será duríssimo, mas não será o pior dia. Talvez nem entre as 3 mais decisivas etapas da Vuelta. Veremos.

Em seguida, etapa 16, contra relógio individual plano de 40,2km. Bem longo para os padrões de hoje em dia e praticamente assegura ao Chris Froome 2 minutos sobre seus concorrentes e os força a atacarem antes dessa etapa para compensar essa diferença.

Teremos uma escalada inédita na etapa 17 que promete bastante; Los Machucos. Vale a pena ver o sensacional e divertido link promocional com veteranas lendas do ciclismo espanhol testando a subida;

https://www.facebook.com/lavuelta/videos/1395810153771556/

Angliru(Esp) e Zoncolan(Ita) são provavelmente as mais difíceis montanhas de um grand tour. A diferença delas para as outras é que mesmo que as outras possam ser maiores ou com mais altitude, que certamente são fatores importantes, essas põe os gregários no vermelho várias vezes e por mais tempo. Stelvio(Ita) por exemplo é duríssimo e com altitude que influi no desempenho, mas para os profissionais pode ser escalado no ritmo protegido pela equipe na sua maioria, pois conseguem subir a +-20km/h em muitos momentos.

Angliru, onde teremos efetivamente a última etapa da Vuelta, é realmente um absurdo. Muito duro, mesmo para os profissionais. Por isso lá não vemos gregários junto a seus capitães. É cada um por si e diferenças grandes entre os favoritos ao GC sempre acontecem. Basta darem uma olhada na disputa de 2013 Nibali x Horner. Vale ver a performance do Chris Horner subindo fora do selim praticamente os últimos 3km inteiros!? Aliás, etapa ganha por um ainda jovem Kenny Elissonde(Fra), que claro, virou gregário da Sky…

https://www.youtube.com/watch?v=PFxIoHNYmsw

Além de forçarem os ciclistas com seus ângulos doidos, ainda há o fator torcida. Essas montanhas estão SEMPRE lotadas, forçando os ciclistas a usarem o lado de dentro das curvas, além da já muitíssima inclinada parte da montanha. Para quem já sofreu em montanhas assim sabe que é a morte esse % extra em todas as curvas sem o refresco de poder abrir o raio da curva pela parte menos inclinada. Adicione a isso milhares de fãs gritando literalmente a centímetros da sua cara e você tem o stress físico e mental no limite máximo.

Com muitas etapas de média montanha e raríssimas planas, também não será favorável aos sprinters ou pelo menos vão ter que ralar muito para chegarem nos últimos 250mts para disputar a chegada. Não é a toa que os melhores sprinters não estarão inscritos. Passar 3 semanas ralando nas montanhas tentando não ser desclassificado pelo tempo limite para apenas disputar, quem sabe, 5 etapas não parece um bom aproveitamento do seu sprinter no calendário.

E se não bastassem todos esses motivos será a despedida de Alberto Contador do pelotão. Um daqueles que aparece a cada geração. 9 fantásticos shows(3 Giros, 3 Tours e 3 Vueltas), que só valeram 7. Largou com o numeral #1. Homenagem do Gran Tour da sua terra natal. Sei que é a Vuelta, mas como os franceses dizem; Chapeau!!

Site oficial da prova com a rota, perfis das etapas e tudo mais; http://www.lavuelta.com/la-vuelta/2017/us/

Para a lista final dos inscritos das equipes e várias outras curiosidades esse site é mais recheado: http://www.procyclingstats.com/race/Vuelta_a_Espana_2017_Startlist



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