Dani Genovesi bicampeã da Race Across Italy 2018 - Solta o freio

Dani Genovesi bicampeã da Race Across Italy 2018



Ela se superou mais uma vez. Já tinha ganho essa prova em 2015, mas esse ano a prova cresceu de tamanho, distância e prestígio. Já o resultado, o mesmo.

As provas de ultra-maratonas consistem em distâncias gigantescas, altimetrias assustadoras feitas non-stop. Ou seja, se estiver cansado, para e descansa. Está com sono, vai dormir. Só que o relógio não para.

Esse ano tive a oportunidade de fazer parte da equipe de apoio. Dani conta com uma equipe de apoio muito experiente e acostumada com as dezenas de variáveis que uma prova desta pode apresentar. Geralmente ela vai com 3 pessoas, mas como essa prova era “só” de 770km, considerada curta no mundo de ultra-maratonas, eramos eu e o Mauricio, conhecido por todos como How-How. Ele faz de tudo. Navega, dirige, mecânico de mão cheia, filma, tira fotos, pilota drone e por ai vai.

   

A prova tinha 770km, mas pior que isso, 11.000mts de altimetria pela região italiana do Tirreno e Adriático. Nem sabia que tinha tanta montanha nessa região. Essa altimetria equivale a subir bem mais que um Everest. O recorde da Dani era de 35h53m de 2015. Todos ganhamos um road book, além do percurso que baixamos nos nossos dispositivos. Com pequenos e potentes rastreadores, que vão com cada ciclistas podemos verificar o andamento ao vivo de cada ciclista pelo aplicativo, para qualquer um assistir e torcer. Que lugar maravilhoso para pedalar.

  

Largada as 10:o4 e na 1a montanha caiu um pé d’água. Ela pediu um casaquinho, a bota de neoprene e seguiu no mesmo ritmo. Nós no carro vamos fazendo dezenas de coisas. Preparando comida, shake de proteína, gelando cada garrafinha de água e principalmente navegando. Como qualquer um pode imaginar em 770km de percurso existem centenas de cruzamentos e bifurcações que nem sempre são simples de entender numa cidadezinha medieval da Itália durante a noite. Além disso as mulheres largam na frente e ela rapidamente é a 1a da prova, ou seja, a 1a a abrir o percurso durante muito tempo. Por mais que ela também tenha o percurso no Garmin temos que antecipar para que ela não perca tempo a toa. Cada ação, cada troca de garrafinha, de roupa, de comida já está treinada e ensaiada. Tudo muito sincronizado. É como pensa uma equipe campeã.

Dani gosta de largar forte fazendo por volta de 4w/kg. Funciona melhor para ela dessa maneira. Larga forte e vai controlando quando chega 1a noite. Só que não gosta de saber como ela está indo. Não quer saber se está em 1o ou se tem alguma adversária chegando perto. O que é um pouco frustante para nós no carro. Na 1a noite, com 10 horas de prova, ela já tinha 40km de vantagem e não tinha a menor necessidade de continuar forte. Mas o ritmo é o ritmo. Se mudar corre o risco de estragar tudo. Nem sempre o corpo reage bem ao ritmo “menor”. Seja fisicamente ou mentalmente.

É realmente incrível encarar montanhas de 20km, subidas de 1,000m, mesmo depois de 10, 15, 18 horas em cima da bicicleta. No carro muitos energéticos para continuar lendo o roadbook e não via a menor possibilidade de estar pedalando depois de tanto tempo. Muito menos naquele ritmo. De manhã, lá pelas 10:00, ou seja, com 24 horas de prova, ela começou uma subida na linda cidade de Alfadena. Uma montanha de baixo de um sol de 38c! Foi piorando e piorando. Vimos no profile(abaixo) que tinham vários trechos com percentuais de 2 dígitos e partes chegando a mais de 20%.

No carro estava difícil de aguentar e não dava para ficar imediatamente atrás dela, pois o carro não conseguia subir nem na 1a marcha. Tínhamos que andar um pedaço, parar, deixar ela passar e refazer isso de novo. Que crueldade botar uma ladeira dessas a essa altura da prova. Todos passavam com cara de sofrência e a Dani passava um por um. No carro cheio de vontade de falar para ela que não precisava, pois a 2a estava umas 2 horas atrás, mas quando ela vê alguém na frente, principalmente homem, vai atrás. Não tem jeito. A cara que eles fazem quando ela passa é muito divertido. Cara de espanto e ao mesmo tempo conformados.

Durante a noite complica, pois obrigatoriamente tem que ter o carro de apoio logo atrás dos ciclistas. Se o carro parar  por qualquer motivo a ciclista também terá que parar. Conseguíamos tirar uma soneca a cada montanha, pois não tem navegação por um bom tempo. Dani não parava. Só por obrigação nos TS(time stations) para marcar o cartão de tempo. Pela manhã já estava claro que a vitória estava encaminhada e havia a possibilidade de quebra do recorde. A última subida no sensacional “passo Campanelle” deu realmente pena de ver todos sofrendo. Da menos pena quando olhamos o velocímetro do carro marcando +20km/h. Como pode?

A parte final da prova ela vai meio que no “controle remoto”. Todo líquido ou comida que ela consegue ingerir é uma pequena vitória já que se parar de se alimentar o motor para. Depois da última descida de montanha faltavam 55km planos até a chegada e estávamos com 30 horas de prova. Além da vitória o recorde também passou a ser iminente.

A última reta na praia de Silvi Marine foi comemorada com buzinaço e bandeira do Brasil no lado de fora do carro. A chegada foi literalmente dentro do shopping e além do recorde de 33h15min o espanto dos organizadores em ver que ela estava chegando entre os top 10 dos homens.

   

Agora, Dani volta as atenções para a ultra das Dolomitas em julho desse ano. Prova BEM mais montanhosa, com 16.000 de altimetria. Tem olhos também para a RAAM 2019(Race Across America). A prova mais famosa e importante das ultra-maratonas. São 4.800km e 30.000mts de altimetria. Duro até para quem vai em equipe de 4 pessoas. Irá tentar renovar a vitória após 10 anos da edição de 2009.

Alguém duvida?

Percorso – Track

http://www.raceacrossamerica.org/



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