Avaliando o Tour de Flandres e olhando para a Paris-Roubaix - Solta o freio

Avaliando o Tour de Flandres e olhando para a Paris-Roubaix



Domingo passado, na clássica monumento Tour de Flandres, me pareceu claro que;

  • Terpstra foi o mais forte e ganhou merecidamente.
  • Equipe Q-Step usou seu favoritismo com perfeição.
  • Sagan foi o 2o mais forte.
  • BMC de Avermat e Bora de Sagam TEM que mudar suas táticas.

Q-Step tem várias opções para colocar seus rivais na defensiva. Terpstra ou Gilbert em ataque de longe e Stybar e Lampaert na reserva seguindo as rodas dos favoritos. Ao invés de seguir os ataques dos principais favoritos, como eu pensei que fariam, eles atacaram com Terpstra faltando 28km, seguindo o ataque do Nibali, que colocou os outros favoritos na defensiva.

Nesse momento todos esperaram para ver quem iria gastar suas energias para persegui-lo e isso significou olharem para o Sagan. Sagan já deixou claro que não vai dar “carona” para quem quer que seja e perder as provas no sprint para quem sugou sua roda até os últimos 3km.

Essa dinâmica parece estar bem clara. BMC e Avermat ainda usaram o Roelandts, que sozinho na frente do grupo dos favoritos, que tinha uns 25, perseguiu sem ajuda de nenhum dos outros 24. A essa altura, mesmo se pegassem o Terpstra, outro da equipe Q-Step sairia em fuga. Provavelmente Gilbert. SE fossem capazes de reconectar com o Gilbert, sairia outro da Q-Step(Stybar) e assim por diante. Por isso a necessidade de gregários fortíssimos que possam ajudar o Sagan ou o Avermat nesse yo-yo final.

Avermat já deu entrevista dizendo que é mais fácil ganhar provas com o Sagan, pois todos ficam marcando sua roda enquanto os ataques de longa distância passam a ter enorme chance de serem bem sucedidos.

Mesmo com as novas contratações que a Bora fez ainda não tiveram gregários que tivessem pernas para conseguirem perseguir esses ataques de longa distância. Foi assim na Strade Bianche, foi assim na Milan-San Remo e foi assim em Flandres. Aliás, a vida do Fabian Cancelara foi assim…

Já no domingo que vem na Paris-Roubaix pode ser diferente. Q-Step continuará a ter várias opções, mas os melhores gregários do Sagan; Oss, Burghardt, e no caso da Paris-Roubaix até Bodnar, serão MUITO mais úteis na seleção final da prova.

Nesse caso, provavelmente será Gilbert o escolhido da Q-Step para o ataque de longa distância, mas dessa vez a equipe Bora de Sagan deverá ter o Oss cobrindo esses ataques. Lembrando que Oss fez isso para o Avermat ano passado, quando era da equipe BMC. Com isso o Sagan poderá ficar de roda junto ao pelotão dos favoritos. O que a Q-Step vem fazendo com maestria esse ano todo. Não me surpreenderá o Burghardt ou Bodnar atacarem de longe primeiro, forçando a Q-Step a fazer o trabalho sujo de gastar os gregários perseguindo. A diferença é que os gregrários do Sagan são muito mais efetivos nos paralelepípedos planos de Roubaix, que nas curtas e empinadas ladeiras de Flandres.

Adicione a isso a irritação que o tricampeão mundial deve estar sentindo que mesmo sendo um ou “o” mais forte nas clássicas desse ano e ter que lidar com a sempre dificílima opção de perseguir sozinho carregando outros favoritos na sua roda ou apostar na paciência e correr o risco de perder o timing de buscar a fuga. Assim como foi em Flandres domingo passado. Mais irritado ainda por já estar com 28 anos e, apesar de ter 3 campeonatos mundiais e 5 camisas verdes do Tour de France, que acontecem em dinâmica totalmente diferente de uma prova de 1 dia, “só” tem uma clássica monumento em seu palmares. Quanto aos comentários do Boonen, que o Sagan ta muito chororô, não vai mudar nada na prova ou entre eles. São bons amigos e o comentário foi meio que zoando e é até pertinente. E´”só” ganhar, que 1seg depois a cornetada irá virar tietagem.

Outro problema é que Paris-Roubaix é uma grande loteria. Quedas, pneus furados, quebra no equipamento são muito comuns e podem estragar toda a tática escolhida antecipadamente.

Outra coisa importante é que alguns dos outros favoritos como o campeão de cyclocross Aert, Vanmarcke, Styven, Moscon, fortíssimos e em excelente forma, podem e devem tentar a fuga de longa distância já que seria a única chance desses 4. Seus sprints são ruins para esperarem até o fim e se dedicariam numa fuga, mesmo que nela tenha sprinters como Avermat e Sagan, pois o pódio já seria um bom resultado. Além disso, seus ataques no plano e seus muitos watts de potência são mais efetivos nos paralelos. Esse seria o cenário ideal para o Avermat e para o Sagan. Se juntar a um pequeno grupo de pré favoritos e só um da Q-Step.

Por último, se o Terpstra atacar de qualquer distância, TEM que segui-lo…



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