1ª Clássica “monumento” do ano acontece nesse sábado; Milano-Sanremo - Solta o freio

1ª Clássica “monumento” do ano acontece nesse sábado; Milano-Sanremo



São 291km!! A 1ª foi disputada em 1907!! La Classicissima!!

São 5 clássicas monumentos no ano e Milan – Sanremo, além de ser a primeira, é a mais incerta de todas. A prova começa ao norte e normalmente com muito frio. Vai descendo em direção ao litoral até temperaturas mais aconchegantes. Não tem nenhuma montanha “mesmo”, mas é compensado pela longa distância. São mais de 150km pelo maravilhoso litoral que sempre produzem belas imagens do pelotão. Como se fossem 150km da Av. Niemeyer no Rio de Janeiro.

  

Todos os corredores de clássicas, de todos os tipos, estarão lá. Além deles também os sprinters. É a única chance que eles têm de conseguirem ganhar uma clássica monumento e entrar para história. Não acontece sempre e a dinâmica da prova gira em torno disso. Depois de 6 horas e meia em cima da bicicleta enfrentam 2 subidas antes da chegada. É lá que tudo se decide. Cipressa e o Poggio. Na verdade são 2 calombos, mas funcionam como rampa de lançamento para os ataques.

Cipressa tem 5,6km de distância e começa a 28km da chegada. Só que tem “apenas” 4% de pendência média. Ou seja, muito fácil para qualquer ciclista do pelotão profissional acompanhar o ritmo. Mesmo os sprinters há horas na bicicleta. Sempre tem ataques por lá, mas servem mesmo para posicionamento, eliminar gregários e para tentar minar ao máximo as pernas dos sprinters, que são protegidos pelos seus gregários ao máximo. Começa o cabo de guerra entre as equipes para posicionarem seus capitães. As equipes que tem corredores de clássica querem o ritmo o mais forte possível. As que tem sprinters, o mais lento e controlado possível. Os ciclistas GC, os que são favoritos paras as grandes voltas, normalmente atacam na Cipressa, pois são excelentes escaladores e tem também ótimo contrarrelógio para se manterem no vento contra o pelotão. O que lhes falta é o “punch” que os especialistas das clássicas têm. Como também é um dos melhores descendo V. Nibali(Bah) já tentou dali, mas sem sucesso.

Em seguida o Poggio. Tem apenas 3,7km de distância e pendência média de meros 3,7%. Máxima de 8%, ou seja, bem fácil, mas o dilema é que, após a bem técnica descida, ainda restam 2,2km planos até a chegada. Sozinho e sem uma subida íngreme o suficiente para conseguir um GAP capaz de eliminar a influência dos gregários, só os ciclistas de clássicas mais poderosos conseguem um ataque definitivo. Além disso, tem que ser um ótimo descedor, pois a descida é bem técnica. Se não for um ataque muito forte e com ajuda de outros com o mesmo perfil, formando um grupo reduzido, eles correm o risco dos gregários trazerem de volta seus sprinters para o sprint final. V. Nibali(Bahrain) já tentou na subida do Poggio e também na descida, em anos diferentes. As 2 sem sucesso. Tudo isso na teoria e nem sempre acontece como planejado.

Algumas equipes tem algumas opções como a Quick-Step, que é a que mais investe na temporada das clássicas. Eles tem o P.Gilbert para um ataque se o pelotão inteiro chegar junto no final da descida do Poggio e tentar ir sozinho nos últimos 2,2km planos até a chegada. Nem o Cancelara conseguiu dali, mas é sempre uma opção. Seria uma vitória e tanto, pois seria a 4a clássica monumento diferente e ficaria só faltando Paris-Roubaix. Pouquíssimos já conseguiram ganhar as 5. Eles tem o J. Alaphilippe, que tem “punch” suficiente para acompanhar qualquer ataque durante a subida do Poggio, como ano passado. Tem também um sprinter(Viviani) e embaladores(Sabatini, Richeze) que conseguem acompanhar o ritmo enlouquecido da subida do Poggio para tentar a vitória no sprint nos últimos 200mts.

Dito isso, o tricampeão mundial P. Sagan(Bora) é o grande favorito. Ele consegue reunir as 3 qualidades acima descritas dos ciclistas da Quick-Step e estará pronto para qualquer cenário. Aliás, é incrível que não tenha ganhado ainda, assim como Parix-Roubaix. Esse ano tem melhores gregários e com tantos sprinters fora da prova devido a contusões ou por não estarem na melhor forma talvez devesse optar por acompanhar os ataques ao invés de iniciá-los e se a prova for decidida por um grupo reduzido ou mesmo para o sprint apostar na sua potência depois de 7 horas de prova. Essa é a minha cornetada.

 



MaisRecentes

Liège-Bastogne-Liège. A 4a clássica monumento do ano nesse domingo.



Continue Lendo

La Flèche Wallone hoje na TV



Continue Lendo

Saindo das clássicas de Flandres e em direção as da Ardennes



Continue Lendo