Organização Sionista notifica Conmebol para que Palestino tire mapa do uniforme



A Organização Sionista do Rio Grande do Sul notificou a Federação Gaúcha de Futebol (FGF), a direção do Internacional, a administração do Estádio Beira-Rio e delegados da CBF e da Conmebol para que o Palestino retire de seu uniforme, antes de enfrentar o Inter nesta terça-feira, o mapa no qual é retratada a antiga região palestina. O mapa aparece na manga esquerda da camisa e na traseira das meias do uniforme. Ainda não há uma resposta das partes sobre a solicitação.

O Palestino é vestido pela marca Capelli Sport.

AS NOTIFICAÇÕES FEITAS

ATUAL UNIFORME 1 DO PALESTINO

Mapa da Palestina aparece na manga esquerda e nos meiões (Imagem: Divulgação)

Para o grupo, que representa a ala mais conservadora da comunidade judaica no Rio Grande do Sul, ao ostentar o desenho, o time chileno estaria fazendo uma manifestação política de negação à existência do Estado de Israel. No mapa, aparece a antiga Palestina, anterior à criação de Israel, em 1948.

– Estamos tentando evitar que se importe o ódio, os problemas do Oriente Médio para cá. Futebol é esporte, é confraternização, é amizade. A gente está tentando previamente evitar todo e qualquer problema. Em Porto Alegre, nos damos extremamente bem com praticamente toda a comunidade palestina – comentou o presidente da entidade, Ghedale Saitovich, em entrevista ao jornal “Zero Hora”.

O Club Deportivo Palestino foi fundado em 1920, por imigrantes palestinos no Chile. O Chile tem a maior comunidade palestina do mundo fora do Oriente Médio, com cerca de 300 a 400 mil descendentes. As cores do time são as mesmas da bandeira palestina: preto, verde, vermelho e branco.

A Federação Árabe Palestina no Brasil, a FEPAL, publicou uma nota oficial em resposta ao pedido da Organização Sionista do RS (veja na íntegra abaixo). Desde a semana passada, a FEPAL está fazendo um movimento para mobilizar a comunidade palestino-brasileira do RS para ver o jogo no estádio. O presidente da FEPAL apresentou ao Internacional um pedido de torcida mista para a área visitante, para que os palestinos que torcem também para o Inter possam, caso tenham interesse, entrar com a camisa do Colorado no setor.

“Nota pública da FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil sobre o jogo entre Internacional e Palestino

Em virtude de preocupações quanto à participação da comunidade palestino-brasileira do Rio Grande do Sul no jogo entre Internacional e Palestino, pela Copa Libertadores, nesta terça-feira (9), lançadas por um grupo denominado Organização Sionista do Rio Grande do Sul, a FEPAL – Federação Árabe Palestina do Brasil esclarece que:

1. O jogo será um momento de confraternização entre as torcidas, inclusive porque a maior parte da comunidade palestino-brasileira que ocupará os lugares destinados à torcida do Palestino é, também, torcedora do Internacional;

2. Esta FEPAL buscou, tanto junto ao Internacional e sua diretoria como junto às suas torcidas organizadas, promover uma grande festa, que só o esporte é capaz de proporcionar, independentemente do resultado do jogo;

3. No que toca ao uniforme do Palestino, ele obedece às regras da Conmebol e às da Federação de Futebol do Chile;

4. Quanto ao mapa aludido, é de se ressaltar, para que se faça justiça frente à história, que ele foi adotado pelo Palestino nos anos 1930, quando de sua fundação, isto é, antes da resolução de partilha adotada pela ONU, razão pela qual é apenas parte da simbologia histórica do clube, jamais merecendo a politização por alguns buscada;

5. Ainda quanto ao mapa da Palestina histórica – que é anterior à resolução 181 da ONU, que recomendou sua partilha –, é importante frisar que é o Estado da Palestina que até hoje não foi implementado na prática, e que não é reconhecido por Israel, algo que a ONU faz desde 2012 e é acompanhada por 140 países (o Brasil desde 2010, outros desde muito antes e alguns após esta manifestação da ONU);

6. A comunidade palestino-brasileira dispensa todas as manifestações de extremismo e ódio e todas as formas de racismo, supremacismo, apartheid e de intolerância, especialmente a religiosa, e o tem provado no Brasil por meio de suas atividades políticas, culturais e comunitárias, atitude idêntica às dos que apoiam a justa causa da Palestina;

7. Acreditamos num processo de diálogo entre os povos e nações que conduza à paz, à harmonia, à justiça e à realização dos justos anseios nacionais, dente eles o da Palestina, que merece ser um Estado soberano, que exista junto dos demais em paz e segurança, numa região que também seja segura para todos os povos, o israelense dentre eles; e

8. Por fim, renovamos nosso mais profundo respeito a todas as confissões religiosas, a judaica incluída, rogando para que estas jamais sejam confundidas com as opções políticas ou ideológicas que parte de seus membros ou dos que as representem, sejam instituições ou estados, adotem.

ELAYYAN TAHER ALADDIN
Presidente da FEPAL”

Em janeiro de 2014, o Palestino lançou uniforme que substituía o número 1 das camisas pela sombra do mapa da antiga Palestina e tal fato causou atrito com a comunidade judaica do Chile. O presidente do clube, Fernando Aguad, disse que a mudança na estampa pretendia reaproximar o clube com suas origens.

No entanto, a atitude provocou reações negativas da comunidade judaica. Patrick Kiblisky, judeu e dono do Nublense, outro clube chileno, decidiu processar o Palestino. Alguns dias depois, a Federação Chilena de Futebol multou o Palestino em 1.300 dólares por uso da camisa em três jogos. O uniforme acabou banido dos campos pela Federação Chilena sob a justificativa de que “atos políticos e religiosos não são aceitos no futebol”.



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